O Conselho de Ministros autorizou, na terça‑feira, 17 de Março, a celebração de um acordo‑quadro para o fornecimento de três sistemas de defesa destinados a navios da Armada Espanhola, um dossiê que, segundo especialistas do sector, se arrastava há algum tempo. Caberá ao Ministério da Defesa executar o contrato, com o objectivo de reforçar a protecção das unidades navais face a ataques cinéticos. O acordo‑quadro terá um valor estimado de cerca de 30 milhões de euros (29.666.400 €, de acordo com a nota informativa oficial) e uma duração de seis anos a contar da sua formalização.
Apesar do anúncio, o comunicado divulgado após a reunião do Governo praticamente não esclarece o conteúdo do investimento. A única indicação avançada é que os sistemas deverão ser capazes de “prevenir e travar possíveis ameaças de drones e de sistemas lança‑foguetes”, assegurando uma “defesa eficaz tanto aérea como de superfície” num contexto operacional descrito como cada vez mais exigente e competitivo.
Que navios da Armada Espanhola poderão receber os novos sistemas de defesa?
Mantém‑se por esclarecer para que plataformas navais serão canalizados estes três sistemas. O LHD Juan Carlos I surge como um candidato muito provável, devido à sua maior exposição em missões, algo que tem sido sublinhado por incidentes recentes, como as várias tentativas de ataque com drones ao USS Dwight D. Eisenhower em 2024 e ao USS Abraham Lincoln em Fevereiro deste ano.
Também os navios de assalto anfíbio LPD Galicia e LPD Castilla, bem como os navios de aprovisionamento em combate BAC Patiño e BAC Cantabria, são apontados como opções credíveis, por serem unidades com emprego operacional em cenários de risco.
SILAEM, Omnisight ou MPLS? Os principais candidatos
Sem informação adicional por parte da Defesa, a discussão centra‑se nos programas e soluções que melhor encaixam nas pistas oficiais (ameaças de drones, foguetões e defesa aérea/de superfície), destacando‑se três hipóteses.
SILAEM (Indra): continuidade com um programa já contratado
Em Outubro de 2025, foi divulgado o contrato adjudicado à Indra, no valor de 51 milhões de euros, para desenvolver o SILAEM (Sistema de Lançamento Embarcado). Este programa pretende proteger os navios da Armada Espanhola contra ataques de saturação com mísseis e drones.
Embora não exista confirmação oficial, é plausível que o novo acordo‑quadro para fornecimento de três sistemas venha a suportar a materialização desta capacidade. A coerência da hipótese assenta num ponto simples: o propósito operacional coincide, procurando reforçar ao máximo a defesa naval perante ameaças baseadas em mísseis e drones.
MPLS (Naval Group): defesa próxima (CIWS) com modularidade
Outra via possível é o MPLS (Sistema de Lançamento Modular Multipropósito), da Naval Group. A proposta é apresentada como uma evolução na defesa próxima (CIWS) dos navios de guerra modernos, ao introduzir modularidade, permitindo adaptar a munição e a configuração do sistema em função da missão.
Este tipo de defesa de ponto é descrito como uma necessidade para a Armada Espanhola desde a desactivação do sistema Meroka, deixando um vazio numa camada crítica de protecção a curta distância.
Omnisight (Europavia): “parte passiva” já adquirida e uma possível “parte activa” em falta
Existe ainda uma ligação directa potencial com a aquisição dos sensores Omnisight. Estes sistemas representam a “parte passiva”, centrada na detecção e seguimento de alvos; assim, o novo investimento poderá corresponder à “parte activa”, isto é, à estação de armamento capaz de actuar sobre as ameaças detectadas.
Neste enquadramento, importa recordar que, em Outubro de 2025, a Armada Espanhola fechou um contrato com a Europavia, no valor aproximado de 18,5 milhões de euros, para três sistemas de busca e seguimento por infravermelhos.
Integração, treino e ciclo de vida: o que normalmente pesa num acordo‑quadro deste tipo
Mesmo sem detalhes públicos, acordos‑quadro para sistemas navais de defesa tendem a incluir exigências de integração com sensores, sistemas de combate e redes do navio, bem como componentes de treino, documentação técnica, sobressalentes e apoio de manutenção ao longo do período contratual. Numa capacidade orientada para ameaças rápidas (como drones) e ataques de saturação, a rapidez de detecção, a latência de decisão e a coordenação entre “parte passiva” e “parte activa” tornam‑se factores determinantes.
É igualmente comum que a selecção final tenha em conta a interoperabilidade com padrões aliados e a facilidade de actualização, já que as tácticas e os perfis de ameaça evoluem rapidamente. A duração de seis anos pode, por isso, servir não apenas para entregar os três sistemas, mas também para acomodar ajustamentos, certificações e melhorias incrementais durante a entrada em serviço.
Fotografia utilizada apenas a título ilustrativo.
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