Nos últimos dias, e na sequência de especulações alimentadas sobretudo por uma peça divulgada por meios de comunicação franceses, a Força Aérea Ucraniana rejeitou a ideia de que os seus caças F-16 estejam a ser operados por pilotos dos Estados Unidos e dos Países Baixos no conflito com a Rússia. O esclarecimento foi feito por Yuriy Ignat, responsável pela área de comunicação da Força Aérea Ucraniana, durante uma entrevista televisiva recente no país.
Yuriy Ignat explica por que motivo a notícia falsa foi deixada circular
Segundo Ignat, a alegação apanhou a Força Aérea de surpresa no início da semana. Apesar de, internamente, ser entendido que se tratava de informação falsa, foi tomada a decisão de não travar de imediato a circulação do rumor em vários órgãos de comunicação, com o objectivo de observar que efeitos poderia produzir no planeamento operacional russo.
Ignat sublinhou ainda que o episódio acabou por chamar a atenção para o desempenho dos pilotos ucranianos aos comandos do F-16, mesmo tendo estes menos tempo de experiência com a aeronave do que muitos pilotos ocidentais.
Nas suas palavras:
“Os nossos pilotos estão a apresentar resultados que surpreendem verdadeiramente os estrangeiros: com que mestria e eficácia conseguem empregar os tipos de aeronaves que nos foram fornecidas por países amigos. Hoje operamos num ambiente saturado de defesas aéreas russas. A situação em que um piloto completa uma missão e seis mísseis russos o perseguem de imediato por trás é a realidade em que os nossos pilotos ucranianos operam.”
Numa parte posterior da intervenção, acrescentou que também eram falsas as afirmações de que estariam envolvidos militares experientes, com missões anteriores no Afeganistão, defendendo que a eficácia no contexto actual exige abordagens totalmente diferentes.
A origem da especulação: “Inteligência Online” e contratos de seis meses
Importa notar que a informação que desencadeou a especulação foi publicada pelo meio francês Inteligência Online, sem revelar a origem dos dados citados. De acordo com essa publicação, a Força Aérea Ucraniana teria constituído, nas últimas semanas, pelo menos um esquadrão que integraria pilotos norte-americanos e neerlandeses ao abrigo de contratos de seis meses, permitindo um modelo de rotação.
O texto afirmava ainda que esses elementos já teriam participado em diferentes operações, sobretudo em interceptações de drones e mísseis russos, incluindo missões nocturnas.
Estado da frota de F-16, perdas e limitações do treino
De momento, vale a pena relembrar que a Força Aérea Ucraniana pretende completar uma frota com mais de 80 F-16 transferidos por aliados europeus. Em paralelo, continuam a avançar iniciativas de formação relacionadas com o Gripen E/F, o caça de origem sueca produzido pela Saab, existindo planos para adquirir cerca de 150 unidades.
Em detalhe:
- A Ucrânia terá recebido aproximadamente 30 F-16 até agora, sendo a maior parte correspondente aos 24 aparelhos prometidos pelos Países Baixos.
- Em termos de perdas, estima-se que cerca de quatro aeronaves tenham sido perdidas até ao momento.
- O número exacto de pilotos disponíveis não é divulgado; contudo, considerando que é necessário pelo menos meio ano de treino antes de operar o F-16, é razoável concluir que o universo de pessoal qualificado ainda seja reduzido.
O que a introdução do F-16 implica além dos pilotos
A integração do F-16 não depende apenas da disponibilidade de tripulações. Exige igualmente uma estrutura consistente de manutenção, abastecimento de peças, ferramentas específicas, actualizações de software e processos de planeamento de missões compatíveis com a realidade de um espaço aéreo fortemente defendido. Mesmo quando a aeronave está operacional, a capacidade de a manter em voo com cadência elevada é, por si só, um factor determinante para o impacto no teatro de operações.
Também é relevante considerar a componente de guerra de informação. Rumores sobre a presença de pilotos estrangeiros podem ser explorados para vários fins: influenciar a percepção pública, pressionar aliados ou induzir o adversário em erro quanto a tácticas e níveis de proficiência. Nesse sentido, a gestão do tempo e do conteúdo de um desmentido pode fazer parte de uma leitura mais ampla do ambiente operacional e mediático.
Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.
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