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A KAI concluiu os voos de teste dos novos caças KF-21 da Força Aérea da Coreia do Sul.

Piloto militar a caminhar junto a um caça estacionado com a cabine aberta num aeroporto militar.

A Korea Aerospace Industries (KAI) anunciou a conclusão da campanha de ensaios em voo do novo caça KF-21, aeronave destinada a equipar a Força Aérea da Coreia do Sul. A informação foi confirmada oficialmente pela Defense Acquisition Program Administration (DAPA), que indica que, desde 2021, foram realizados mais de 1 600 testes para validar as capacidades operacionais da plataforma - todos concluídos com sucesso e sem registo de acidentes.

Fontes locais que citaram responsáveis da DAPA acrescentam que a fase de voos de teste terminou quase dois meses antes do calendário inicialmente previsto. Esse adiantamento foi atribuído, em grande medida, à expansão do número de instalações usadas como base e cenário para os ensaios, o que permitiu aumentar a cadência de actividades e reduzir tempos de espera.

Outro elemento decisivo para acelerar o processo foi a realização, antes do previsto, do procedimento de reabastecimento em voo, etapa necessária para certificar esta capacidade do KF-21 e consolidar o pacote de desempenho exigido para a sua entrada em serviço.

Calendário do programa KF-21 e entrada ao serviço na Força Aérea da Coreia do Sul

Com a campanha de testes concluída, o planeamento actualizado aponta para que o desenvolvimento do KF-21 fique fechado até meados deste ano, seguindo-se, durante a segunda metade do mesmo período, a produção e entrega do primeiro lote de aeronaves.

Se estes marcos forem cumpridos, a Força Aérea da Coreia do Sul passará a receber o novo caça pouco mais de uma década após o lançamento do programa nacional destinado a substituir os modelos norte-americanos F-4 (já retirados de serviço) e F-5, considerados desactualizados.

Neste enquadramento, o projecto da KAI passará a integrar a frota de caças sul-coreana lado a lado com os F-15K Slam Eagle e os F-35A Freedom Knight, reforçando a estrutura de forças com uma plataforma concebida localmente.

Quantidades previstas: 120 KF-21 até 2032 e primeiro lote de 20 aeronaves

Quanto ao volume total de aquisição, avaliações divulgadas anteriormente indicam que Seul estará a delinear planos para 120 KF-21, com a conclusão do processo apontada para 2032.

No lote inicial - que deverá ser o primeiro a chegar às mãos dos pilotos sul-coreanos - estão previstos cerca de 20 caças, num pacote para o qual já terão sido canalizados aproximadamente 1,4 mil milhões de dólares, de acordo com o contrato formalizado em 2024.

KF-21 “EX” da KAI: bodega interna, EOTS, guerra electrónica e Inteligência Artificial

Em paralelo, a KAI já está a desenvolver uma variante “EX” do KF-21, cuja alteração mais marcante será a integração de uma nova bodega interna de armamento. Segundo o que tem sido avançado, este compartimento deverá permitir transportar, pelo menos, uma bomba guiada de 2 000 libras (cerca de 907 kg), mísseis ar-ar BVR Meteor e o míssil de longo alcance Nex1.

O fabricante sublinha que esta configuração ampliará de forma significativa as capacidades de ataque do caça, mantendo, contudo, as suas características de baixa observabilidade, precisamente por se tratar de armamento alojado internamente.

A esta evolução somar-se-ão ainda um novo sistema EOTS, um conjunto actualizado de guerra electrónica e computadores de missão com integração de Inteligência Artificial, visando aumentar a qualidade de fusão de sensores e a eficácia na tomada de decisão em ambientes contestados.

Míssil balístico hipersónico para o KF-21: alcance entre 400 e 1 000 km

Importa igualmente ter em conta que a Coreia do Sul está a impulsionar a aquisição de um novo míssil balístico hipersónico para integrar o arsenal associado ao KF-21. De acordo com informação atribuída a fontes OSINT, o desenvolvimento partirá da linha conceptual representada pelo KTSSM.

As mesmas referências apontam para um sistema capaz de atingir alvos a distâncias na ordem dos 400 a 1 000 km, com velocidades estimadas entre Mach 5 e Mach 10, o que acrescentaria uma opção de ataque de grande alcance e elevada rapidez de resposta.

Impacto industrial e preparação operacional

A conclusão dos testes e o avanço para a fase de entregas tendem também a consolidar a base industrial ligada ao KF-21, criando condições para uma cadeia de fornecimento mais estável, ciclos de produção previsíveis e evolução incremental do projecto ao longo do tempo. Num programa desta dimensão, a maturidade industrial é tão relevante quanto o desempenho em voo, por influenciar prazos, custos e capacidade de modernização.

Em simultâneo, a entrada em serviço de uma nova plataforma exige trabalho contínuo na vertente de formação e sustentação: conversão de pilotos, treino de manutenção, criação de stocks de peças e implementação de procedimentos operacionais compatíveis com missões de elevada complexidade. Estas dimensões, embora menos visíveis do que os marcos técnicos, são determinantes para que o KF-21 entregue valor operacional desde as primeiras unidades.

Imagens utilizadas a título ilustrativo.

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