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Testei o renovado Skoda Enyaq. Reforça tudo o que já fazia bem?

Automóvel elétrico Škoda Enyaq 2024 verde escuro estacionado num espaço interior com carregador elétrico ao fundo.

O Skoda Enyaq tornou-se conhecido por juntar quase todos os ingredientes que se pedem a um SUV familiar 100% elétrico. E, agora, acabou de ficar melhor.


Lançado em 2020, o Skoda Enyaq assinalou o arranque da fase elétrica da marca checa. Foi o primeiro modelo totalmente elétrico da Skoda e, desde então, transformou-se num autêntico êxito: já passou a marca das 250 mil unidades vendidas a nível mundial.

Baseado na bem conhecida plataforma MEB do Grupo Volkswagen - a mesma que serve, por exemplo, o Volkswagen ID.4, o Audi Q4 e-tron e até o Ford Explorer -, o Enyaq mantém-se fiel àquilo que a Skoda historicamente faz melhor: ser muito espaçoso, descomplicado e funcional.

Cinco anos após a estreia, chegou a esperada atualização de meio ciclo de vida. O resultado é um Enyaq com imagem mais alinhada com os modelos recentes da gama e com argumentos reforçados, sobretudo na versão Sportline 85 que conduzi. Aqui, somam-se uma lista de equipamento de série particularmente generosa e um posicionamento de preço que continua a fazer sentido no mercado.

Ainda assim, o essencial não se resume ao aspeto e ao equipamento. Depois de alguns dias ao volante, tornou-se evidente que este não é “só mais um” elétrico: é, muito provavelmente, um dos melhores Skoda à venda atualmente - e já explico porquê.

Skoda Enyaq: o que mudou nesta atualização?

Comecemos pelo mais previsível: tal como é habitual numa atualização de meio ciclo, as dimensões mantêm-se. O Skoda Enyaq continua com 4,66 m de comprimento, 1,88 m de largura e 1,62 m de altura. Na prática, fica entre um Skoda Karoq e um Kodiaq, mas muito mais próximo deste último - algo que tem um impacto muito positivo na habitabilidade (já lá vamos).

Onde a conversa muda é na aparência. A alteração mais evidente está na dianteira, que passa a integrar a nova linguagem de estilo “Modern Solid” da Skoda, estreada pelo “irmão” Elroq.

O emblema da marca deixa de aparecer nas duas extremidades e é substituído pela designação “Skoda” escrita por extenso. Em paralelo, também há novidades na assinatura luminosa: atrás, a receita mantém-se próxima da fórmula original; à frente, os faróis principais passam a surgir separados das luzes diurnas em LED.

No conjunto, continua a ser um elétrico que não faz questão de o anunciar aos sete ventos. Preserva uma imagem robusta, com um toque dinâmico que ganha força nesta Sportline, graças a vários detalhes em preto brilhante e às jantes de 20 polegadas (ou 21 polegadas, em opção).

Há, no entanto, um “senão” estético nesta unidade: esses apontamentos acabam por ficar demasiado discretos quando combinados com a pintura Preto Magic. O resultado torna o conjunto excessivamente uniforme e disfarça parte da personalidade visual do modelo.

Interior com (mesmo) muito espaço

Se há terreno onde o Enyaq costuma convencer de imediato - e onde muitos Skoda brilham - é no espaço a bordo. Aqui, a marca aproveitou a plataforma MEB como poucas, rentabilizando literalmente cada centímetro e cada recanto utilizável.

O efeito prático sente-se logo: há ampla folga nos lugares dianteiros e, sobretudo, nos traseiros, onde três adultos viajam com conforto. O piso totalmente plano é decisivo para essa sensação de liberdade, especialmente para quem segue ao meio.

Mais atrás, a bagageira disponibiliza 585 litros, um valor de referência no segmento. Para se ter uma noção clara, são mais 42 litros do que no Volkswagen ID.4, mais 65 litros do que no Audi Q4 e-tron e mais 115 litros face ao Ford Explorer (também assente na plataforma MEB).

Ao volante, há pouco a criticar. Pessoalmente, preferia uma posição um pouco mais baixa, mas convém não esquecer o ponto de partida: estamos perante um SUV, pensado para oferecer uma postura de condução mais elevada.

Ainda assim, nota muito positiva para os bancos: além do reforço de apoio lateral - cortesia da versão Sportline -, contam com múltiplos ajustes elétricos, o que torna simples encontrar a posição certa.

A isto somam-se função de massagem e aquecimento. Se a primeira, na minha perspetiva, é perfeitamente dispensável, o aquecimento pode ser um verdadeiro aliado nos dias frios - e, sim, faz mesmo diferença.

Prioridade ao conforto (e isso nota-se)

Em estrada, o Enyaq não deixa margem para dúvidas: a prioridade é o conforto. Grande parte do mérito nesta unidade vai para o chassis adaptativo DCC, que consegue “alisar” pisos mais degradados de forma impressionante - ao ponto de, por vezes, quase nos esquecermos que estamos a lidar com mais de duas toneladas.

Com 15 níveis de regulação, a suspensão trabalha em conjunto com quatro modos de condução: Eco, Normal, Sport e Individual. No modo Individual, é possível afinar o amortecimento ao gosto pessoal e também ajustar o peso da direção - sempre precisa e direta - bem como a resposta do acelerador.

Mesmo assim, escolher entre a afinação mais macia e a mais firme revelou-se um exercício de compromisso. Tal como manda a sabedoria popular, “no meio é que está a virtude”: foi nos níveis intermédios que o Enyaq se mostrou mais completo, com um equilíbrio convincente entre conforto e controlo da carroçaria.

Em viagem: planear carregamentos ajuda (e melhora a experiência)

Num SUV 100% elétrico com esta vocação familiar, é importante olhar para além do dia-a-dia e pensar também em viagens mais longas. Com consumos realistas e uma autonomia útil acima dos 500 km (já lá vamos), o Enyaq convida a viajar - mas a experiência melhora quando se faz algum planeamento: escolher paragens com carregamento rápido disponível e chegar com uma margem confortável de bateria reduz a ansiedade e evita desvios desnecessários.

Outro ponto relevante, especialmente para famílias, é a facilidade de viver com o carro no quotidiano: entre espaço, postura elevada e bagageira grande, o Enyaq acaba por ser daqueles modelos em que é simples “encaixar” rotinas - desde transportar carrinhos de bebé a levar malas para um fim de semana, sem malabarismos.

Competente a ritmos mais “apertados”

Quando se acelera o passo, a suspensão continua a gerir bem os movimentos da carroçaria. Ainda assim, quando a estrada fecha e as curvas apertam, não há como contrariar a física: os quase cinco metros de comprimento e as mais de duas toneladas fazem-se sentir. Para quem procura uma abordagem mais focada na performance, a escolha mais indicada é o Skoda Enyaq RS.

Quanto ao grupo motopropulsor, o motor elétrico AP550 deste SUV checo entrega 210 kW (286 cv) e 545 Nm. O que impressiona não é apenas o número, mas a forma como a potência está sempre pronta a aparecer. O modo Normal, que em muitos elétricos tende a ser o ponto de equilíbrio, revelou aqui um carácter surpreendentemente enérgico.

Por isso, dei por mim a recorrer com frequência ao modo Eco, que neste caso tem um mérito claro: não “mata” o carro, mas torna a entrega mais progressiva e fácil de dosear.

Consumos, autonomia e carregamentos

Ao abrandar e olhar para a eficiência, o Enyaq volta a mostrar força. Não só é possível chegar aos 15,1 kWh/100 km anunciados pela marca, como dá para ir além disso (para melhor): consegui 14,1 kWh/100 km numa utilização diária com cidade, vias rápidas e autoestrada.

Com estes valores e a bateria de 82 kWh, percebe-se que é viável superar os 500 km entre carregamentos.

Quando chega a hora de carregar, há duas fasquias máximas a ter em conta: - 11 kW em corrente alternada (AC) - 135 kW em corrente contínua (DC)

Preço competitivo (e difícil de ignorar)

O Skoda Enyaq continua a destacar-se como um dos SUV 100% elétricos com melhor relação preço/equipamento, não apenas dentro do Grupo Volkswagen, mas no mercado em geral. E, olhando para o que entrega no mundo real, essa vantagem torna-se ainda mais evidente.

Na versão de entrada (60), o SUV checo começa nos 41 457 €. Comparando com os rivais já referidos, é: - 743 € mais barato do que o Volkswagen ID.4 - 4 364 € abaixo do Ford Explorer - 7 999 € mais acessível do que o Audi Q4 e-tron

Já a unidade ensaiada corresponde ao nível Sportline 85, com preço a partir de 50 959 €. A este valor somam-se: - Tejadilho panorâmico (opcional): 1 120 € - Pack Ultra: 3 405 € - Pintura Preto Magic: 660 €

Com estes extras, o preço final fica nos (ainda aceitáveis) 56 144 €.

Mesmo assim, é difícil apontar-lhe falhas quando se olha para o conjunto: o equipamento de série é muito completo, o conforto e a forma como rola em estrada destacam-se, o espaço é abundante e a eficiência está num patamar muito sólido.

No fim de contas, parece-me complicado encontrar um SUV elétrico que ofereça tanto pelo mesmo valor. Para quem está pronto para avançar para a eletrificação, tenho poucas dúvidas de que o Enyaq é um dos melhores Skoda à venda, atualmente.

Especificações técnicas

Item Skoda Enyaq (dados referidos)
Plataforma MEB (Grupo Volkswagen)
Comprimento 4,66 m
Largura 1,88 m
Altura 1,62 m
Bagageira 585 L
Versão ensaiada Sportline 85
Motor elétrico AP550
Potência 210 kW (286 cv)
Binário 545 Nm
Bateria 82 kWh
Consumo anunciado 15,1 kWh/100 km
Consumo registado (utilização mista) 14,1 kWh/100 km
Carregamento máximo (AC) 11 kW
Carregamento máximo (DC) 135 kW
Modos de condução Eco, Normal, Sport, Individual
Suspensão adaptativa DCC com 15 níveis de regulação
Preço Enyaq 60 (desde) 41 457 €
Preço Sportline 85 (desde) 50 959 €
Extras desta unidade Tejadilho panorâmico (1 120 €), Pack Ultra (3 405 €), Preto Magic (660 €)
Preço final desta unidade 56 144 €

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