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Primeiro passaporte de bateria a nível celular já está em testes e é da Kia

Carro elétrico branco Kia EV3 estacionado num espaço moderno com estações de carregamento.

A Kia adiantou-se às exigências da regulamentação europeia e deu início ao seu primeiro ensaio público de um passaporte de bateria a nível celular.

Em vez dos métodos de monitorização mais comuns - que estimam apenas o estado de saúde (SoH) da bateria no seu conjunto ou, no máximo, ao nível de um módulo - a solução do fabricante sul-coreano recolhe informação célula a célula, com leituras precisas e em tempo real. Na prática, isto permite uma análise muito mais fina do comportamento e do desempenho de cada unidade, de acordo com a comunicação da marca.

Segundo Mar Hedrich, presidente e diretor-executivo da Kia Europe, o objetivo passa por “estabelecer um novo padrão” no que toca à transparência e ao desempenho das baterias junto dos clientes.

Passaporte de bateria a nível celular da Kia: confiança, manutenção e custos

Com este passaporte de bateria a nível celular, a Kia procura reforçar a confiança no momento de comprar ou vender veículos elétricos usados, ao mesmo tempo que facilita a deteção precoce e a resolução antecipada de potenciais necessidades de manutenção. Um dos pontos-chave é a possibilidade de substituir apenas a célula que esteja a apresentar problemas, evitando a troca de módulos completos - o que contribui para poupança de recursos e redução de custos.

Há ainda um efeito positivo na reutilização e reciclagem: ao existir um registo detalhado do histórico e do estado de cada célula, torna-se mais simples manter baterias em utilização durante mais tempo e encaminhá-las de forma mais eficiente para aplicações de “segunda vida” ou para o fim de ciclo.

Num contexto de mercado, este tipo de rastreabilidade pode também ajudar a uniformizar critérios de avaliação no segmento de usados, tornando as informações sobre a bateria mais claras para compradores, oficinas e entidades reguladoras - e reduzindo a incerteza sobre a degradação real do sistema ao longo do tempo.

Por outro lado, a digitalização deste historial levanta naturalmente a necessidade de boas práticas de governação de dados: quem pode aceder, com que permissões e em que condições. Uma implementação robusta do passaporte digital da bateria beneficia de mecanismos que assegurem integridade, atualizações fiáveis e controlo de acessos, especialmente quando a informação é relevante para reparações, conformidade e valor residual do veículo.

Ensaio com o Kia EV3

O modelo escolhido para esta fase de testes foi o Kia EV3, equipado com um sistema de monitorização de células da Dukosi. Esta tecnologia recolhe e transmite, em tempo real, os dados de cada célula e encaminha essa informação para o passaporte digital da bateria.

A consulta dos dados pode ser feita por mecânicos, reguladores e outros utilizadores através do sistema de infoentretenimento do automóvel. Sempre que ocorre uma intervenção, o registo é atualizado automaticamente, assegurando rastreabilidade e precisão ao longo de todo o ciclo de vida da bateria.

O sistema destaca-se ainda pela sua flexibilidade: pode ser ajustado a outros modelos, aplicado noutras marcas ou mesmo utilizado fora do setor automóvel, em cenários onde a monitorização detalhada de células e a gestão de ativos energéticos sejam determinantes.

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