A Força Terrestre de Autodefesa do Japão anunciou, através de uma breve nota nas redes sociais, que atribuiu novas designações aos seus sistemas de mísseis mais modernos - uma decisão tomada enquanto Tóquio se prepara para os incorporar num contexto de segurança que descreve como “cada vez mais tenso”. A mudança abrange, por um lado, os sistemas antinavio anteriormente conhecidos como Tipo 12, destinados a sustentar a defesa costeira japonesa, e, por outro, os Hyper Velocity Gliding Projectile (HVGP), associados ao esforço nipónico em armamento hipersónico.
Novas designações: do Tipo 12 ao Míssil guiado terra‑mar Tipo 25 (25SSM)
Segundo a comunicação da instituição, os sistemas antinavio Tipo 12 passam agora a ser designados oficialmente como “Míssil guiado terra‑mar Tipo 25 (25SSM)”. Em paralelo, os mísseis hipersónicos HVGP passam a ser referidos como “Projectil planador de hipervelocidade Tipo 25 (25HGP)”, sem que tenha sido esclarecida a razão concreta para a escolha destas novas nomenclaturas.
Em ambos os casos, trata-se de sistemas concebidos e produzidos no território japonês, com o objectivo de reforçar as capacidades defensivas do país e, em simultâneo, consolidar a sua base industrial. Ainda assim, o desenvolvimento beneficiou de apoio dos Estados Unidos, nomeadamente em domínios técnicos e de ensaio.
Mensagem da Força Terrestre de Autodefesa do Japão sobre dissuasão e resposta
Referindo-se aos dois sistemas, a mensagem publicada nas redes sociais sublinha a aposta em capacidades de alcance alargado e o papel destes equipamentos na postura de defesa do país:
“Em resposta ao ambiente de segurança cada vez mais tenso que rodeia o Japão, a Força Terrestre de Autodefesa dedica-se ao desenvolvimento de capacidades de defesa à distância (…) Estes equipamentos são importantes para melhorar as capacidades de dissuasão e resposta do Japão. A Força Terrestre de Autodefesa estará sempre ao lado do povo japonês e continuará a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para proteger a sua segurança e bem‑estar.”
Desdobramento do 25SSM e preocupações locais em Kumamoto
O Japão encontra-se já em processo de desdobramento do 25SSM em vários pontos estratégicos, procurando assegurar a protecção das águas adjacentes perante o aumento da actividade naval chinesa na região. Um exemplo elucidativo foi noticiado a 11 de Março, quando se indicou que Tóquio tinha iniciado a transferência destes mísseis antinavio e dos respectivos lançadores para o Campo Kengun, situado na província de Kumamoto (sudoeste do país).
Esta localização fica a cerca de 1.000 km da China, o que levou a população local a expressar receios de que a região passe a ser encarada como um potencial alvo de ataques lançados por Pequim, caso a situação de segurança se degrade.
25HGP (HVGP): impulso com apoio norte‑americano e novas provas
No caso do sistema hipersónico 25HGP (HVGP), o programa ganhou recentemente novo fôlego com a aprovação de um pacote de apoio norte‑americano que poderá atingir 340 milhões de dólares, permitindo avançar para novas campanhas de ensaio. Conforme indicado a 26 de Março, Washington disponibilizará um dos seus campos de tiro para estes testes, definirá o desenho das provas, conduzirá estudos ambientais e prestará apoio técnico para que o sistema demonstre capacidades operacionais fora do Japão.
Porque é que estas designações e programas são relevantes
A adopção de mísseis como o 25SSM e o 25HGP (HVGP) insere-se numa lógica de defesa que privilegia a capacidade de actuar a maior distância, reforçando a dissuasão e a resposta em torno dos principais acessos marítimos e das cadeias de ilhas estratégicas do arquipélago. Além do impacto operacional, estes programas também funcionam como motores de desenvolvimento tecnológico interno, contribuindo para a autonomia industrial e para a sustentabilidade de longo prazo das capacidades de defesa.
Créditos das imagens: @Japan_GSDF na X
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