O Ferrari F80 tornou-se o mais recente fenómeno da marca de Maranello e continua a gerar conversa por todo o lado. Apesar de concentrar um nível de tecnologia e performance que poucos Ferrari alguma vez reuniram, esse argumento acabou por perder protagonismo no debate público.
Ferrari F80 em Goodwood e no Festival of Speed: o foco passou para o som
A razão é simples: a assinatura sonora do 3.0 V6 biturbo que equipa o F80 está longe de ser consensual. Para muitos entusiastas, a forma como este supercarro se faz ouvir faz com que um autêntico “monstro” de desempenho pareça, no registo auditivo, mais próximo de… um gatinho.
E nem os números deixam margem para dúvidas quanto ao potencial: estamos a falar de uma densidade de potência de 300 cv/l, o que se traduz em 900 cv no total - valores que, por si só, colocam o F80 num patamar de referência.
Foi precisamente por isso que, na estreia do modelo na lendária rampa de Goodwood, durante mais uma edição do Festival of Speed, o tema do som voltou a ser o centro das atenções. Mais uma vez, não faltaram comentários - muitos deles pouco simpáticos - sobre aquilo que se espera ouvir quando um Ferrari sobe o famoso traçado inglês.
Vendas esgotadas: 799 unidades a 3,6 milhões de euros
Independentemente das críticas, há um dado que fala mais alto: as 799 unidades previstas, com um preço de 3,6 milhões de euros cada (antes de impostos), já estão todas vendidas. Este facto, por si só, diz muito sobre a força do nome Ferrari e sobre a procura que os modelos mais exclusivos continuam a gerar, mesmo quando nem tudo agrada de forma unânime aos puristas.
Porque é que o som do V6 biturbo gera tantas reacções?
A discussão em torno do V6 biturbo não acontece por acaso. Num segmento em que a emoção ao volante também se mede pelo que se ouve, muitos fãs associam a identidade da Ferrari a motores com outra “musicalidade”, sobretudo em regimes elevados e com respostas mais lineares. Um V6 sobrealimentado tende a apresentar um carácter diferente: mais foco na eficácia, no binário e na entrega imediata, e nem sempre com o timbre que o público liga à tradição da marca.
Também é inevitável que, em 2026, as expectativas sejam influenciadas por uma década de mudanças no mundo dos superdesportivos - entre exigências de eficiência, novas soluções técnicas e prioridades de performance -, o que torna o debate entre “emoção” e “resultado” ainda mais intenso.
Comparação: a mesma rampa com o GMA T.50 e o V12 atmosférico
Para fechar, fica um apontamento meramente comparativo - sem maldade… -: a subida da mesma rampa por parte do GMA T.50, frequentemente apontado como uma das derradeiras máquinas verdadeiramente analógicas. Neste caso, o destaque vai para o seu V12 atmosférico, capaz de rodar até às 12 100 rpm, um número que ajuda a explicar porque é que, para muitos, este tipo de mecânica continua a ser uma referência quando o assunto é emoção sonora.
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