Desportivos e supercarros, como os da Ferrari, costumam ter uma distância ao solo muito reduzida. Por isso, os elementos aerodinâmicos montados na zona inferior do para-choques - como o deflector dianteiro (o chamado “lábio” inferior) - ficam especialmente vulneráveis a toques e fissuras, mesmo nas mãos de um condutor experiente.
Basta encontrar uma lomba mais pronunciada ou um passeio ligeiramente mais alto para o problema aparecer. E o prejuízo pode ser significativo, porque muitas destas peças são em fibra de carbono, com custos de substituição e mão de obra que rapidamente escalam.
Patente da Ferrari: sensores para medir obstáculos e evitar danos no deflector dianteiro
A marca de Maranello registou uma patente para um sistema que utiliza sensores capazes de avaliar a altura dos obstáculos à frente do veículo. Se o sistema determinar que o obstáculo é demasiado elevado para ser ultrapassado sem danificar o deflector dianteiro, é emitido um alerta sonoro.
Perante esse aviso, existem duas opções: o condutor pode reduzir a velocidade e escolher um caminho alternativo, ou o próprio automóvel intervém. Nesse segundo cenário, o sistema recorre ao sistema de travagem para imobilizar o veículo, numa lógica semelhante aos dispositivos já usados para prevenir colisões.
Soluções já existentes: elevação hidráulica do eixo dianteiro (e o compromisso do peso)
Há alternativas que já são comuns no segmento. Muitos supercarros incluem sistemas hidráulicos que elevam o eixo dianteiro para transpor obstáculos mais altos com menor risco de contacto. No entanto, nem todos os clientes escolhem essa opção, frequentemente para poupar peso e manter a configuração o mais leve possível.
É precisamente nesses casos que esta proposta da Ferrari poderá evitar milhares de euros em reparações. Ainda assim, por agora, trata-se apenas de uma patente, sem confirmação de aplicação imediata em modelos de produção.
Condução e contexto urbano: onde estes danos acontecem com mais frequência
No dia a dia, o risco tende a aumentar em ambientes urbanos e em acessos a garagens, onde a geometria das rampas e a altura das lombas nem sempre são compatíveis com a distância ao solo típica de supercarros. Mesmo a baixa velocidade, um ângulo de aproximação desfavorável pode ser suficiente para provocar contacto na parte inferior.
Além disso, como muitos destes veículos privilegiam a eficiência aerodinâmica e a rigidez estrutural, pequenas pancadas podem deixar marcas que vão além do aspecto estético, exigindo inspeções adicionais para garantir que não há danos em fixações, suportes ou nas próprias peças em fibra de carbono.
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