O dia em que Jeremy Clarkson foi “provocado” pela Rainha do Ring
Tudo ganhou forma num daqueles momentos televisivos que ficaram gravados na cultura automóvel. Num episódio já mítico do Top Gear, Jeremy Clarkson celebrou finalmente uma volta ao Nürburgring abaixo dos 10 minutos ao volante de um Jaguar S-Type. Foi então que Sabine Schmitz (1969–2021), a inesquecível «Rainha do Ring», se riu e atirou a frase que ficou para a história: “Eu consigo ser mais rápida… numa Ford Transit” - uma tirada que merece ser repetida vezes sem conta.
A partir daí, a ideia colou-se para sempre ao circuito, à própria Transit e ao imaginário de quem acompanha o “inferno verde”. E, quase duas décadas depois, a brincadeira está mais próxima da realidade do que alguma vez se imaginou.
Ford Transit no “inferno verde”: a SuperVan 4.2 e Romain Dumas entram em cena
Para regressar ao Nürburgring com impacto, a Ford levou ao limite o nome Transit com a versão mais radical de sempre: a Ford Transit SuperVan 4.2. Trata-se de uma proposta elétrica, com 2000 cv, e com Romain Dumas ao volante - uma combinação desenhada para fazer história, não para passar despercebida.
O Nürburgring, por si só, dispensa apresentações: é um traçado exigente, onde a rapidez não se mede apenas em potência, mas em estabilidade, travagem, eficiência aerodinâmica e coragem. É precisamente por isso que qualquer tempo de referência ali ganha um peso especial, independentemente do formato do veículo.
6min48,393s: um tempo de topo entre os mais rápidos de sempre
O resultado falou mais alto do que qualquer provocação televisiva: 6min48,393s. Um registo que chega para colocar a Ford Transit SuperVan entre os 10 veículos mais rápidos de sempre no Nürburgring.
Pelo caminho, ficou à frente de nomes sonantes. Superou modelos da Porsche como o 911 GT3 RS e ultrapassou também o “fresco” Corvette ZR1X, que recentemente tinha arrebatado ao Mustang GTD o estatuto de carro americano mais rápido no circuito.
De Pikes Peak e Bathurst ao Nürburgring: o capítulo que faltava
A Ford SuperVan já tinha dado provas em palcos de enorme prestígio, como Pikes Peak e Bathurst, mas havia uma ausência que fazia falta numa narrativa deste calibre: o lendário Nürburgring. Agora, esse ponto ficou resolvido - missão cumprida.
É verdade que o feito foi alcançado com pneus lisos e aerodinâmica de competição. Mas há histórias que ficam melhores quando não se tenta reduzir tudo a notas de rodapé técnicas - e esta é uma delas.
Há também um lado simbólico difícil de ignorar: mais do que uma demonstração de desempenho elétrico e engenharia extrema, esta volta fecha um círculo cultural que começou com uma frase dita a sorrir. No fim, acima de tudo, o momento funciona como uma homenagem sentida a Sabine Schmitz, cuja presença continua a pairar sobre o “inferno verde”.
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