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Aconteceu. CUPRA ultrapassa pela primeira vez a SEAT

Cupra Rise cinzento metálico com jantes desportivas cor bronze em exibição numa sala moderna.

A SEAT S.A. atravessa uma fase de clara divergência interna, com SEAT e CUPRA a evoluírem em sentidos opostos. No primeiro semestre de 2025, a SEAT registou uma descida de 21,4% nas vendas, enquanto a CUPRA avançou 33,4% face ao mesmo intervalo de 2024.

Resultados da SEAT S.A. no primeiro semestre de 2025

No conjunto das suas operações, a SEAT S.A. entregou 302 600 viaturas entre janeiro e junho, o que representa um crescimento de 1,7% em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, as receitas recuaram ligeiramente para 7,6 mil milhões de euros (-0,2%).

A quebra mais expressiva verificou-se no lucro operacional, que caiu para 38 milhões de euros, uma descida de 90,6%. Apesar da queda acentuada, o valor traduz uma melhoria em relação ao primeiro trimestre do ano, quando o lucro se tinha ficado por cinco milhões de euros.

SEAT e CUPRA: trajetórias opostas e o domínio do Formentor

Entre janeiro e junho, a SEAT matriculou 135 mil automóveis. Já a CUPRA alcançou 167 600 unidades, ultrapassando pela primeira vez a marca que esteve na sua origem.

Dentro do portefólio do grupo, o Formentor manteve-se como o modelo mais procurado, com 54 700 unidades vendidas no semestre.

CUPRA e a entrada no mercado norte-americano: lançamento adiado nos EUA

Apesar do desempenho comercial positivo, a CUPRA optou por adiar a sua chegada ao mercado norte-americano. Segundo Sven Schuwirth, vice-presidente executivo para vendas, marketing e pós-venda da SEAT S.A., a decisão não representa um abandono do plano:

“Não estamos a desistir, apenas a adiar o nosso lançamento nos EUA. Vamos continuar a acompanhar a evolução do mercado nos próximos anos para determinar o melhor momento e abordagem, alinhados com a visão de longo prazo da marca.”

Concorrência e tarifas: o impacto no desempenho e o caso do CUPRA Tavascan

De acordo com Markus Haupt, diretor executivo interino da SEAT S.A., os resultados foram condicionados por “um aumento da concorrência no mercado” e, em particular, pelas tarifas de importação aplicadas pela União Europeia ao CUPRA Tavascan.

Importa recordar que os veículos elétricos importados da China passaram a estar sujeitos a taxas que podem chegar a 45,3% (incluindo a tarifa de 10% já existente), sendo a CUPRA uma das marcas mais afetadas por este agravamento.

Mudança na liderança e período de instabilidade

A SEAT S.A. tem vivido meses de alguma turbulência. No início de 2025, Wayne Griffiths, até então diretor-executivo, comunicou a sua saída com efeitos imediatos. Conforme foi divulgado na altura, a decisão terá sido tomada pelo próprio, justificando a intenção de procurar novos desafios profissionais após mais de quatro anos a liderar as marcas espanholas do Grupo Volkswagen.

Perspetivas: confiança na gama CUPRA e foco na disciplina financeira

Apesar do contexto, Markus Haupt sublinhou a confiança da empresa na capacidade de resposta aos desafios:

“Estamos confiantes na nossa capacidade para enfrentar os desafios que se avizinham. Com um portefólio de produtos forte e diversificado, incluindo uma gama completa de sete modelos CUPRA, temos uma base sólida para continuar a crescer”.

Para a segunda metade de 2025, Patrik Andreas Mayer, vice-presidente executivo de finanças e TI, reforçou que a SEAT S.A. mantém o foco em “assegurar margens de qualidade, aplicar um controlo rigoroso de custos e maximizar o potencial da gama alargada de modelos”.

“Os resultados melhorados do segundo trimestre mostram que estamos no caminho certo e confiantes na nossa capacidade de manter esta trajetória positiva”, concluiu.

Nota de contexto: mercado europeu e execução comercial

Num cenário em que o mercado automóvel europeu se mantém altamente competitivo, a execução comercial torna-se determinante: ajustar a oferta à procura, proteger a rentabilidade e reagir rapidamente a alterações regulatórias e tarifárias pode ter um impacto direto nos resultados trimestrais.

Ao mesmo tempo, a coexistência de SEAT e CUPRA com posicionamentos distintos aumenta a necessidade de uma gestão fina de produto e de prioridades, sobretudo quando fatores externos - como tarifas e pressão concorrencial - influenciam custos, prazos e decisões de expansão internacional.

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