Nos últimos dias, começaram a circular nas redes sociais várias imagens que alegadamente mostram caças Chengdu J-10CE em fase de ensaios. As publicações sugerem que poderá estar a ser preparado um novo lote para futuras entregas a clientes estrangeiros. Até ao momento, porém, não existe confirmação oficial sobre o destinatário final destas aeronaves, e a origem de qualquer eventual contrato continua por esclarecer.
O J-10CE é a variante de exportação do caça multifunções monomotor desenvolvido pela indústria aeroespacial chinesa e constitui um dos produtos de defesa mais relevantes de Pequim no mercado internacional. Actualmente, o Paquistão permanece como o único operador estrangeiro confirmado desta versão, integrada na sua Força Aérea no âmbito de um programa de modernização da frota de combate.
Contexto operacional do J-10CE e o binómio J-10CE/PL-15
O interesse internacional no J-10CE também tem sido influenciado pelo desempenho que lhe é atribuído em cenários reais. Durante os recentes confrontos entre o Paquistão e a Índia, os J-10CE da Força Aérea Paquistanesa, em conjunto com os mísseis ar-ar de longo alcance PL-15 (ambos de origem chinesa), terão tido um papel de relevo em combates aéreos.
Apesar de persistir a chamada “névoa da guerra” e de existir uma campanha informativa intensa de ambos os lados, várias fontes indicaram que a Força Aérea Indiana terá sofrido pelo menos cinco perdas, algumas delas atribuídas ao emprego de J-10CE armados com PL-15. Entre as alegações mais repetidas encontra-se a eventual derrubada de até três Rafale de fabrico francês, embora não exista confirmação oficial quanto às causas exactas dessas perdas.
A participação do conjunto J-10CE/PL-15 foi inicialmente sustentada pela identificação de destroços de mísseis de fabrico chinês em diferentes locais do território indiano. Segundo os relatos disponíveis, as forças aéreas de ambos os países terão operado exclusivamente dentro dos respectivos espaços aéreos, o que reduz a visibilidade pública sobre os acontecimentos e faz com que os registos sejam incompletos, fragmentários e sujeitos a censura.
Bangladesh como potencial cliente do J-10CE
Neste enquadramento, diversos relatos apontam para a possibilidade de a China estar a concluir os detalhes de uma venda de 20 caças J-10CE à Força Aérea de Bangladesh, o que faria do país o segundo cliente internacional desta variante. A operação implicaria um investimento estimado em 2,2 mil milhões de dólares (US$ 2,2 mil milhões) e enquadrar-se-ia no programa de modernização em curso para a força aérea.
A Força Aérea de Bangladesh dispõe actualmente de cerca de 44 aeronaves de combate, das quais 36 são caças J-7, um modelo de fabrico chinês que Pequim está a converter em veículos aéreos não tripulados (VANTs). Se o acordo avançar, fontes locais indicam que as entregas poderão decorrer entre os anos fiscais de 2026 e 2027, abrangendo não só o fornecimento das aeronaves, como também formação de pessoal e apoio de manutenção.
Para já, não é claro se o eventual contrato seria montado como compra directa ou através de um acordo entre governos. Ainda assim, tem sido mencionada a hipótese de fasear os pagamentos ao longo de dez anos fiscais, com o objectivo de aliviar o impacto no orçamento de defesa de Bangladesh.
Há, contudo, factores adicionais que tendem a pesar neste tipo de decisão e que vão além do preço de aquisição: a disponibilidade de sobressalentes, a capacidade de manutenção local, a integração com a doutrina e infra-estruturas existentes e a continuidade do apoio do fabricante ao longo do ciclo de vida. No caso específico do Bangladesh, a familiaridade histórica com material de origem chinesa poderá simplificar parte da logística e da formação, embora a introdução de um caça mais moderno implique sempre investimentos relevantes em treino, simuladores e cadeias de manutenção.
Outro elemento frequentemente considerado em programas desta dimensão é o equilíbrio regional e a interoperabilidade. A escolha entre um caça como o J-10CE e alternativas ocidentais pode ter implicações na forma como o país gere relações diplomáticas, acesso a armamento e evolução futura de capacidades, sobretudo quando se pondera a incorporação de mísseis e sensores associados a um ecossistema específico.
Concorrência com o Eurofighter Typhoon
Em paralelo, o esforço de modernização da Força Aérea de Bangladesh também abriu espaço a concorrentes ocidentais. Neste contexto, foi recentemente assinada uma Carta de Intenções (LOI) que colocou o Eurofighter Typhoon como principal candidato numa potencial aquisição de caças multifunções, o que, a confirmar-se, teria empurrado o J-10CE para segundo plano no processo de selecção.
A assinatura teve lugar no quartel-general da Força Aérea de Bangladesh e contou com a presença do embaixador italiano, Antonio Alessandro, e do Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, Marechal do Ar Hasan Mahmood Khan, entre outras entidades. A participação diplomática italiana é explicada pelo papel da Leonardo, empresa que lidera as negociações em nome do consórcio Eurofighter e que detém 21% do programa.
Importa ainda notar que delegações da Força Aérea de Bangladesh visitaram, no início deste ano, as instalações da Leonardo em Turim, onde analisaram as capacidades industriais e operacionais do caça europeu. Este antecedente sugere que, caso esta via seja escolhida, a montagem da aeronave poderá vir a ocorrer em Itália.
Conclusão: um lote em testes e o Sul da Ásia no centro da expansão
Apesar do fluxo contínuo de novas imagens e relatos, o destino do lote de J-10CE actualmente em ensaios continua por determinar. Num momento em que o Sul da Ásia se afirma como uma das regiões mais relevantes para a expansão internacional deste caça chinês, a confirmação - ou não - de um novo cliente poderá tornar-se um sinal importante da estratégia de exportação de Pequim e da evolução das necessidades de modernização aérea na região.
Imagem de capa obtida de @Mohsin_o2.
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