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Citroën AX TURBO GTI podia ser o pesadelo do G40 e UNO Turbo i.e.

Carro desportivo Citroën AX Turbo GTI branco num salão de automóveis moderno.

A história do Citroën AX Turbo é daquelas que nos fazem pensar no clássico “e se…”. Se tivesse passado do protótipo à linha de montagem, tinha potencial para baralhar por completo o segmento dos hot-hatch compactos nos anos 90, passando por cima de rivais como o Volkswagen Polo G40, o Fiat Uno Turbo i.e e outros do mesmo calibre. O problema é que, do lado francês, faltou a ousadia final para o pôr nas ruas.

Como nasceu o Citroën AX Turbo (Danielson Engineering + PSA)

O ponto de partida deste projeto esteve na Danielson Engineering, um preparador francês tão ligado ao universo PSA que chegou a ganhar a alcunha de “AMG francesa”. Não era um exercício de marketing: tratava-se de engenharia a sério, com ambição de competir e com um nível de proximidade ao fabricante pouco comum para a época.

Sob a liderança de Joseph Le Bris, o Citroën AX GTI foi transformado com uma receita tão simples quanto explosiva: um Garrett T025, intercooler ar-ar e vários acertos técnicos que, em conjunto, fizeram do pequeno AX um autêntico demónio de bolso. Contamos a história completa neste vídeo:

Números que envergonhavam carros maiores: 173 cv e 800 kg no Citroën AX Turbo

Os dados falam por si e não deixam margem para dúvidas: 173 cv para apenas 800 kg. Nos primeiros 1000 metros, era mais rápido do que um BMW M3 E30 e chegava a incomodar máquinas como o Lancia Delta Integrale, algo impensável para um utilitário desta escala.

Nos ensaios e medições feitos na altura, o Citroën AX Turbo conseguiu o que poucos conseguem: deixar jornalistas e entusiastas boquiabertos, não só pelo andamento, mas pela forma como entregava a performance - direta, agressiva e sem filtros.

Um turbo “domesticado” por botão: 0,55 bar ou 1 bar, consoante a coragem

A própria Danielson percebeu cedo que aquele conjunto, tal como estava, era demasiado “selvagem” para o quotidiano. A resposta foi tão prática quanto engenhosa: no lugar do rádio, surgiu um botão capaz de ajustar a pressão do turbo.

  • Com 0,55 bar, o carro ficava mais civilizado, a debitar 137 cv
  • Com 1 bar, libertava o inferno: os tais 173 cv

Na prática, era como ter duas personalidades no mesmo carro - uma utilizável no dia a dia e outra feita para assustar tudo o que aparecesse pela frente.

Grupo N e a travagem do projeto: as 2500 unidades que a Citroën não quis arriscar

No papel, o pacote era perfeito para o Grupo N: leve, competitivo e relativamente acessível. Só que havia um obstáculo decisivo - o regulamento exigia a produção de 2500 unidades para homologação.

A Citroën acabou por recuar, considerando o investimento demasiado arriscado para a marca naquele momento. A consequência foi cruel para a história do modelo: foram construídas apenas duas unidades, e o AX Turbo ficou preso ao estatuto de unicórnio automóvel - tão raro que há quem, ainda hoje, duvide que exista mesmo.

O que podia ter mudado nos hot-hatch franceses

Este é um daqueles casos em que é legítimo imaginar um efeito dominó no mercado. Um hot-hatch tão leve e tão potente, com um turbo ajustável e pedigree de preparador “oficial”, podia ter pressionado os concorrentes a responder mais cedo - e, por arrasto, acelerar a escalada de potência e soluções técnicas nos compactos desportivos europeus.

Também é importante lembrar o contexto: num tempo em que a segurança, a eletrónica e os controlos de tração ainda não ditavam o comportamento como hoje, um carro de 800 kg com 173 cv não era apenas rápido - era exigente, físico e, para muitos, intimidador. Isso explica tanto o fascínio como o receio que este projeto terá gerado dentro da própria marca.

Um “e se…” que continua a doer

O Citroën AX Turbo tinha tudo para humilhar rivais e reescrever um capítulo dos hot-hatch franceses, mas acabou travado por falta de ousadia da Citroën. Em 2026, quero conduzir um. Vamos ver se conseguimos…

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