Há quase três décadas que o Mercedes-Benz Classe V se afirma como uma referência entre os monovolumes de grandes dimensões orientados para o transporte de passageiros. Ao longo deste tempo, o Vito manteve-se mais ligado às tarefas de trabalho e ao transporte de carga, enquanto o Classe V foi assumindo um posicionamento mais requintado, juntando conforto e um ambiente de “sala” com capacidade até oito lugares.
Esse mesmo formato prepara-se agora para entrar numa nova fase com o futuro Mercedes-Benz VLE (Elétrico de Luxo): um monovolume 100% elétrico que foi antecipado pelo protótipo Vision V e que promete elevar o nível de luxo e sofisticação neste tipo de veículo. A apresentação mundial está marcada para o primeiro semestre de 2026, mas já foi possível ver os primeiros protótipos em testes do novo modelo da marca da estrela.
Mercedes-Benz VLE: uma presença que impõe respeito
Do lado de fora, a aproximação ao que foi mostrado no Vision V é evidente. A dianteira mantém uma grelha de grandes dimensões - apesar de estar totalmente coberta nos protótipos -, mas o seu desenho denuncia-se pela linha de contorno visível através da camuflagem, acompanhada por entradas de ar laterais.
Outro pormenor que chama a atenção são os novos grupos óticos, onde surgem duas estrelas em cada farol, numa referência direta ao emblema do construtor alemão. Mesmo sem ser possível confirmar no protótipo, e tendo o Vision V como base, é plausível que exista uma barra luminosa a unir os faróis, à semelhança do que já acontece em modelos recentes da Mercedes-Benz.
Visto de perfil, o destaque maior vai para as dimensões. Como termo de comparação, o protótipo que serve de inspiração anunciava 3,53 m de distância entre eixos e 5,48 m de comprimento - números de que a versão de produção não deverá afastar-se muito.
Essa escala parece ainda mais credível pela presença de um eixo traseiro direcional. No protótipo observado, o ângulo de viragem aparenta ser generoso, uma solução que pode fazer grande diferença ao manobrar em locais apertados, reduzindo o esforço em estacionamento e mudanças de direção em espaços urbanos.
Na traseira, as proporções e algumas formas aproximam-se do Classe V atual. Já a assinatura luminosa evolui: o Mercedes-Benz VLE recorre a novos farolins, acompanhados por uma barra horizontal superior mais ampla, reforçando a leitura visual em largura.
Quanto ao interior, não foi possível observá-lo. Ainda assim, ao nível tecnológico, é razoável esperar uma filosofia semelhante à apresentada no novo CLA e no recém-apresentado GLC, com soluções como o MBUX Superscreen ou, eventualmente, um MBUX Hyperscreen de maiores dimensões.
Até 500 km de autonomia? (WLTP)
Os detalhes técnicos continuam limitados, mas já se sabe que o VLE vai utilizar a nova plataforma V.EA, apoiada por uma arquitetura elétrica de 800 V. Está prevista tração às quatro rodas e uma autonomia anunciada de até 500 km (WLTP), embora a capacidade da bateria ainda não tenha sido divulgada.
Há, no entanto, um dado prático relevante: numa viagem com mais de 1100 km entre Estugarda (Alemanha) e Roma (Itália), o novo monovolume 100% elétrico da Mercedes precisou apenas de duas paragens de 15 minutos para carregamento. Este registo aponta para uma combinação de boa eficiência do sistema e capacidade de carregamento rápido alinhada com a arquitetura de 800 V.
A adoção de 800 V é particularmente importante neste tipo de veículo: além de reduzir tempos de carregamento quando existe infraestrutura compatível, também pode contribuir para uma gestão térmica mais eficiente e para uma utilização mais consistente em viagens longas - um cenário típico para um monovolume pensado para levar passageiros com conforto.
Quando chega e onde será produzido?
A estreia do Mercedes-Benz VLE está prevista para o primeiro semestre de 2026, mas o lançamento não deverá ficar por aqui. A marca admite ainda a possibilidade de apresentar uma variante VLS (Espaço de Luxo) que, como o nome indica, se deverá diferenciar por oferecer ainda mais espaço e luxo. Esta alternativa tende a fazer mais sentido em mercados como a América do Norte e, naturalmente, a China.
Num comunicado, a Mercedes-Benz de Estugarda confirmou que este modelo será produzido na fábrica de Vitória (Espanha), lado a lado com outros veículos como o Classe V, o Vito e o eVito (a versão 100% elétrica do Vito).
Para além do uso familiar, um monovolume elétrico com este posicionamento poderá ganhar relevância em serviços profissionais de transporte de passageiros - como hotéis, transfers executivos e frotas premium - onde o silêncio de funcionamento, a suavidade de marcha e o custo por quilómetro podem pesar tanto quanto o conforto e a imagem.
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