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Boeing conclui os primeiros testes em solo do drone de reabastecimento aéreo MQ-25 Stingray para a U.S. Navy

Dois técnicos com coletes refletivos trabalham num avião não tripulado cinzento numa pista de aeroporto militar.

A Boeing divulgou, através de um curto vídeo publicado nos seus canais oficiais nas redes sociais, que já concluiu os primeiros testes em solo do novo drone de reabastecimento aéreo MQ-25 Stingray, destinado a equipar a U.S. Navy. O marco representa um avanço relevante num programa que tem acumulado vários atrasos. Segundo a descrição que acompanha as imagens, o ensaio consistiu em manobras autónomas a baixa velocidade ao longo da pista, servindo como validação inicial das capacidades da plataforma antes do que se antevê como um primeiro voo num futuro próximo.

Em declarações citadas pelo meio especializado The Warzone, a empresa enquadrou o progresso nestes termos: “O primeiro MQ-25A Stingray da U.S. Navy está na fase final de testes em solo e concluiu ontem o seu primeiro teste de rolamento (táxi). A Boeing e a Marinha irão agora realizar testes adicionais de rolamento e, depois, concluir os testes ao nível de sistema, bem como rever e aprovar os artefactos finais de aeronavegabilidade necessários para autorizar o voo. Assim que isso estiver concluído e existir uma janela meteorológica adequada, o avião pode voar.

Testes no Aeroporto de MidAmerica e participação da NAVAIR (VX-23 e UX-24)

De acordo com os detalhes divulgados, as actividades decorreram durante o mês de janeiro nas instalações da Boeing no Aeroporto de MidAmerica, no estado do Missouri. A NAVAIR assinalou ainda que a execução contou com a presença de pessoal dos Esquadrões de Teste e Avaliação Aérea 23 (VX-23) e 24 (UX-24), sendo este último especializado na experimentação e validação de sistemas aéreos não tripulados.

MQ-25 Stingray: entradas de ar, exaustão do motor e sensores (possível ISR)

As novas imagens tornadas públicas pela Boeing também permitiram observar, com maior detalhe, a nova entrada de ar integrada no desenho e a exaustão do motor - dois pontos de especial interesse para analistas que procuram estimar o nível de furtividade que a plataforma poderá atingir. O vídeo mostrou igualmente uma cúpula retráctil na zona inferior do nariz, que aparenta albergar sensores avançados; este elemento pode sugerir a integração de componentes como câmaras electro-ópticas, designadores laser e outros sistemas do mesmo tipo. A confirmar-se, o MQ-25 poderá ter utilidade para além da função de tanker, funcionando também como nó de uma rede de vigilância e apoio a missões ISR (informações, vigilância e reconhecimento).

Um aspecto frequentemente sublinhado nestes programas é que a integração de sensores e de autonomia em ambiente naval exige, além do desempenho aerodinâmico, procedimentos robustos de segurança e de coordenação. Em operações a partir de porta-aviões, a gestão do espaço no convés, as comunicações e a desconflicção com aeronaves tripuladas tornam-se tão determinantes quanto o alcance ou a capacidade de combustível transferível.

Atrasos no programa e metas de capacidade operacional

Quanto aos atrasos referidos, importa recordar que a U.S. Navy pretendia realizar estes testes em solo (bem como os primeiros voos) ao longo de 2025. Em janeiro do ano passado, o vice-almirante Daniel Cheever afirmou: “Vamos fazer essa plataforma voar em 2025, colocá-la num porta-aviões em 2026 e começar a integrá-la.” Até ao momento, é evidente que tal ainda não se concretizou, apesar de se tratar de uma sequência de passos indispensável para alcançar a Capacidade Operacional Inicial planeada para 2027 - data que já representa um adiamento face ao objectivo originalmente definido (2024).

Também é relevante notar que a etapa de certificação e aprovação de aeronavegabilidade, referida pela Boeing, costuma ser um dos pontos críticos em sistemas não tripulados. A validação ao nível de sistemas, a documentação técnica e a autorização formal para voar são determinantes para reduzir riscos antes de avançar para campanhas de ensaio mais exigentes.

Objectivo de aquisição e impacto no reabastecimento aéreo da ala embarcada

Por fim, a Marinha procura adquirir cerca de 76 drones deste tipo, com a finalidade de reforçar a sua capacidade de reabastecimento aéreo. Actualmente, parte destas missões é assegurada por caças F/A-18 Super Hornet equipados com depósitos adicionais, o que implica empregar aeronaves de combate em tarefas para as quais não foram desenhadas de origem, com o consequente impacto no desgaste estrutural. Com a entrada do MQ-25, a U.S. Navy pretende igualmente abrir caminho a um papel mais abrangente para plataformas não tripuladas, alinhado com planos que apontam para uma composição de até 60% de drones nas suas alas aéreas embarcadas.

Créditos da imagem: Boeing

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