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O novo submarino Hai Kun da Marinha de Taiwan vai iniciar os seus primeiros testes de imersão.

Marinheiros com capacetes junto a equipamento técnico num cais junto a um submarino preto SS-711.

No dia de hoje, 26 de janeiro, o protótipo do novo submarino Hai Kun de fabrico nacional (número de casco SS-711), concebido e construído para a Armada de Taiwan, realizou a sua sexta prova de mar. A saída ocorreu após uma sequência de avaliações à superfície em águas próximas do porto de Kaohsiung.

Esta prova teve como foco a confirmação de componentes considerados determinantes para a futura operação submersa - nomeadamente as funções do sonar, o sistema de propulsão e os registos associados à navegação e operação em ambiente submarino. Apesar das expectativas geradas em torno de uma possível primeira imersão, essa etapa não foi executada nesta ocasião. Ainda assim, vários meios de comunicação locais em Taiwan apontam que a entrega da unidade poderá acontecer no próximo mês de junho.

Preparação para a futura primeira imersão do submarino Hai Kun (SS-711)

Embora a primeira descida controlada não tenha ocorrido, a CSBC detalhou os procedimentos planeados para garantir que o submarino consegue operar com segurança em profundidade durante períodos prolongados no âmbito da campanha de testes. Para esse efeito, é necessário completar, antes de cada imersão, um conjunto de acções prévias organizadas em quatro fases principais:

  • Planeamento da carga
  • Inspecção da carga
  • Verificação de sistemas
  • Simulacros práticos

Planeamento e controlo da carga

A fase de planeamento da carga estabelece as necessidades de capacidade para combustível, pessoal, água potável, alimentação, ar pressurizado, armamento, munições e equipamento de salvamento e controlo de avarias, tendo em conta a distância, a duração e as condições meteorológicas previstas para a missão.

Em seguida, é apurado o peso total e a respectiva distribuição a bordo, de forma a assegurar a estabilidade do navio e a prevenir perda de controlo ou inclinações perigosas.

Inspecção, inventário e confirmação de estabilidade

Na fase de inspecção, todos os itens são embarcados e validados individualmente com base em listas de verificação. Depois, é efectuado um inventário completo para remover qualquer carga temporária, redundante ou excedentária.

Por fim, os dados são actualizados para confirmar a estabilidade global do submarino antes de avançar para as etapas seguintes.

Verificação de sistemas e simulacros de segurança

O estaleiro referiu que a verificação de sistemas é comparável a uma “inspecção pré-voo de uma aeronave”. Nesta etapa, são confirmados, entre outros aspectos:

  • Fecho correcto de portas e compartimentos estanques
  • Funcionamento dos sistemas hidráulicos, eléctricos, de ar e de controlo
  • Operacionalidade dos sistemas de extinção de incêndios
  • Capacidade de detecção de fugas
  • Iluminação de emergência
  • Disponibilidade de balsas salva-vidas
  • Condições e acessibilidade das rotas de evacuação

A CSBC sublinhou que qualquer anomalia enquanto o submarino está submerso pode tornar-se rapidamente crítica, pelo que a segurança ocupa um lugar central em todo o processo. A etapa final passa pela realização de simulacros, nos quais a tripulação treina operações base de navegação, armamento e comunicações, bem como respostas a emergências, incluindo:

  • Avarias de motor
  • Falhas de energia
  • Inundações
  • Incêndios

Durante as viagens de ensaio, além da tripulação normal, segue também pessoal técnico, o que aumenta de forma significativa o número total de pessoas a bordo. A CSBC indicou que, por se tratar do primeiro submarino construído em Taiwan, a empresa não dispunha inicialmente de um contingente suficiente de submarinistas qualificados para formar uma tripulação dedicada aos testes. Como solução excepcional, recorreu-se a militares da 256.ª Flota da Armada.

Enquadramento do programa e evolução das provas

O Hai Kun tinha como plano inicial começar as provas no mar em abril do ano anterior e ser entregue no final de novembro. No entanto, a primeira saída acabou por ser adiada para 17 de junho, acumulando-se atrasos por diferentes factores.

A 28 de novembro, após concluir a sua quinta prova à superfície, a CSBC anunciou a passagem do submarino para a fase de provas submersíveis - embora, até ao momento, essa campanha ainda não tenha registado o marco da primeira imersão.

Também em novembro, o Instituto Nacional Chung-Shan de Ciência e Tecnologia (NCSIST) e fontes da Armada confirmaram que o protótipo realizou novos testes de navegação, calibração de sistemas e avaliações de estabilidade. Essas actividades incluíram manobras de viragem, validação do controlo direccional e verificação do desempenho dos seus motores diesel-eléctricos. Segundo as autoridades citadas pela imprensa local, o protótipo continuava a “seguir o calendário previsto”, apesar dos atrasos acumulados.

O que normalmente é validado antes de uma primeira imersão

Em programas de submarinos, a transição de provas à superfície para testes submersos tende a ser conduzida de forma gradual e conservadora. Para além das verificações descritas, é comum que se privilegie a confirmação repetida de parâmetros como redundâncias de energia, respostas do controlo de profundidade e procedimentos de emergência, uma vez que o ambiente subaquático reduz drasticamente a margem para intervenção externa imediata.

Do ponto de vista industrial e operacional, a campanha de ensaios constitui também um período de aprendizagem acelerada: consolida rotinas entre estaleiro, equipas técnicas e guarnição, e permite transformar observações em ajustes de processo e manutenção. Num primeiro projecto nacional, esta fase é particularmente relevante para sedimentar competências e normalizar procedimentos que serão reutilizados nas unidades seguintes.

Créditos das imagens a quem de direito.

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