Em sintonia com a tendência observada na região - onde vários países sul-americanos têm vindo a modernizar as suas frotas de combate - o Peru estará, finalmente, a aproximar-se da escolha do seu futuro caça multifunções para reequipar a Força Aérea do Peru (FAP). De acordo com a imprensa peruana, a selecção do novo avião de combate deverá recair no F-16 Block 70, proposta apresentada pela Lockheed Martin com apoio do governo dos Estados Unidos, superando assim as alternativas Gripen E (Suécia) e Rafale (França).
F-16 Block 70 para a FAP: porquê a urgência na substituição dos actuais caças
A decisão era aguardada para meados do ano passado, altura em que a FAP e o governo deveriam validar a proposta vencedora do programa de aquisição do novo caça multifunções. No entanto, essa confirmação não chegou a acontecer. O atraso não é irrelevante: a força aérea necessita com urgência de incorporar uma nova plataforma para substituir os Mikoyan MiG-29, actualmente praticamente inoperacionais, e a frota Mirage 2000P, que estará a entrar no seu derradeiro ano de serviço, com níveis de disponibilidade em queda contínua.
Perante este cenário, a FAP e o Ministério da Defesa do Peru aprofundaram a avaliação de diversas soluções para cumprir o objectivo de renovação. Dessa análise resultou uma “shortlist” composta por três candidatos: F-16 Block 70, Gripen E e Rafale, apresentados, respectivamente, pela Lockheed Martin, Saab e Dassault Aviation.
Um elemento comum às três propostas é o forte suporte governamental dos países de origem, com vista a viabilizar e formalizar um contrato potencialmente avaliado em milhares de milhões de dólares.
A proposta dos EUA com o F-16 Block 70 ganha vantagem, segundo fontes locais
Neste contexto, e com base em notícias locais que citam fontes ministeriais, o governo peruano - com aconselhamento da Força Aérea do Peru (FAP) - terá definido a preferência pela proposta norte-americana centrada no F-16 Block 70, que recebeu autorização do State Department em Setembro passado.
Segundo um comunicado da Defense Security Cooperation Agency (DSCA), a oferta, com um valor de US$ 3,42 mil milhões, contempla a venda de doze (12) caças F-16 Block 70: dez (10) unidades monolugar F-16C e duas (2) versões bilugar F-16D.
O pacote não se limita às aeronaves, aos serviços e ao apoio logístico associado. Inclui também o fornecimento de armamento, com destaque para os mísseis ar-ar de longo alcance AIM-120C-8 - a versão mais avançada disponível para clientes de exportação - complementados por doze (12) mísseis AIM-9X Block II Sidewinder de curto alcance, além de canhões M61A1 e lançadores guiados LAU-129.
Impacto operacional e desafios de integração de uma nova frota F-16 Block 70
A concretizar-se, a entrada ao serviço do F-16 Block 70 implicará mais do que a simples recepção de aeronaves: será necessário assegurar um processo completo de transição operacional, incluindo formação e conversão de pilotos, qualificação de equipas de manutenção, actualização de infra-estruturas de base e adaptação de procedimentos de apoio em linha. Em programas deste tipo, a disponibilidade sustentada depende tanto da plataforma como da robustez do modelo de suporte e da cadeia logística.
Outro aspecto relevante prende-se com o equilíbrio entre capacidade imediata e sustentabilidade a longo prazo. A definição de reservas de peças, a calendarização de manutenção programada e a preparação de uma estrutura de treino contínuo são factores que, quando bem dimensionados, reduzem períodos de indisponibilidade e aumentam a prontidão operacional da frota, sobretudo num contexto em que os sistemas substituídos (MiG-29 e Mirage 2000P) enfrentam limitações crescentes.
Sem confirmação oficial, mas com expectativa de anúncio nos próximos meses
Importa sublinhar que, até ao momento, nem o governo nem a Força Aérea do Peru emitiram comunicados oficiais sobre o tema. Esta ausência de confirmação sugere que a decisão final poderá ser formalizada nos próximos meses, encerrando a incerteza e permitindo avançar com a aquisição dos novos F-16 Block 70.
Caso se confirme, o Peru passará a operar a frota Viper mais avançada da região, onde já existem operadores históricos como o Chile e a Venezuela, e, mais recentemente, a Argentina.
Fotografias utilizadas para fins ilustrativos.
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