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Uma imagem térmica recentemente captada, alegadamente nas imediações da Área 51, no deserto do Nevada, voltou a pôr a comunidade aeronáutica e de defesa em alvoroço. O registo mostra uma aeronave de aparência próxima geração, ainda não identificada, com asas em configuração cranked-kite e canards, cuja silhueta não encaixa em qualquer plataforma conhecida em serviço ou em desenvolvimento público.
Divulgada nas redes sociais a 4 de junho, a imagem - obtida por um sistema óptico de visão térmica - chamou de imediato a atenção de especialistas e relançou o debate sobre a sua possível origem.
Área 51, Groom Lake e o contexto do avistamento
Há um elemento que pesa na discussão: o local. Groom Lake, mais conhecida como Área 51, tem sido historicamente o palco de ensaios dos programas de aeronaves experimentais mais avançados dos Estados Unidos, desde o U-2 e o SR-71 até ao F-117.
Assim, ver surgir uma silhueta desconhecida nas suas proximidades não é, por si só, algo extraordinário. Ainda assim, a imagem térmica que circula - cuja autenticidade não foi confirmada de forma independente - apresenta uma geometria suficientemente invulgar para alimentar as especulações.
F-47 ou X-36? O que poderia ser
As especulações seguem vários caminhos. Parte da comunidade liga a silhueta observada na Área 51 ao futuro caça de sexta geração F-47 da Força Aérea dos EUA, adjudicado à Boeing no âmbito do programa NGAD (Next Generation Air Dominance) da Força Aérea dos Estados Unidos. A existência do programa foi confirmada pelo presidente norte-americano Donald Trump em março de 2025, mas os detalhes do projecto continuam classificados.
Sobre este ponto, as informações mais recentes referiam, em fevereiro deste ano, que os primeiros testes de voo estariam mais próximos do que se pensava, sublinhando que já existia uma data confirmada. Porém, desde então, não surgiram novas actualizações.
Quanto às capacidades atribuídas ao futuro caça, é indicado que o F-47 poderá atingir velocidades superiores a Mach 2 e alcances na ordem dos 1.800 quilómetros, com a Força Aérea dos EUA interessada em integrar uma frota de 185 exemplares.
Outros analistas, por sua vez, apontam semelhanças com o X-36, um demonstrador tecnológico sem cauda desenvolvido pela Boeing e pela NASA na década de 1990, concebido precisamente para explorar configurações de elevada manobrabilidade sem superfícies de cauda convencionais. Nenhuma destas hipóteses dispõe de confirmação oficial.
O que ela é
A silhueta sugere uma asa em configuração cranked-kite, e isso dificilmente será por acaso. Trata-se de um desenho de dupla flecha, em que o bordo de ataque apresenta uma quebra angular marcada, permitindo uma distribuição mais eficiente da sustentação ao longo da envergadura e uma redução significativa da secção transversal radar (RCS) da aeronave.
Ao contrário de uma asa delta convencional, a solução cranked-kite procura optimizar ao mesmo tempo a furtividade, a estabilidade a alta velocidade e a manobrabilidade sem superfícies de cauda verticais - elementos que, nos caças tradicionais, estão entre as principais fontes de assinatura radar. Em termos práticos, é uma opção aerodinâmica pensada tanto para a sobrevivência em ambientes de elevada ameaça como para o desempenho em combate aéreo de longo alcance.
Como a configuração cranked-kite e os canards podem ajudar na furtividade
Num conceito deste tipo, a combinação entre a geometria cranked-kite e a integração de canards pode contribuir para gerir a estabilidade e a manobrabilidade, mantendo em simultâneo uma assinatura radar mais controlada, sobretudo quando comparada com configurações com caudas verticais pronunciadas.
Imagem de capa: créditos a quem de direito.
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