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Trump e Xi Jinping na China: um encontro transacional

Dois líderes políticos apertam as mãos sentados à mesa com bandeiras dos EUA e China ao fundo.

Bom dia.

Trump é, por natureza, um político transacional. Por isso, uma boa deslocação à China terá, inevitavelmente, de acabar num “bom acordo” - ou, se se preferir, num bom negócio.

É evidente que para a opinião pública só sairá aquilo que Donald Trump e o seu homólogo chinês, Xi Jinping, quiserem dar a conhecer, seja para consumo interno - dos respetivos eleitorados e bases de apoio -, seja para impressionar a audiência mediática à escala mundial.

Ainda assim, é difícil não antecipar um menu de trocas: semicondutores por terras raras, ou aviões e soja por um maior distanciamento dos EUA em relação a Taiwan - para onde está preparado um pacote de armamento da ordem dos 40 mil milhões de dólares, com o objetivo de reforçar a chamada “Cúpula de Taiwan”. Em suma: tudo se joga na lógica transacional.

O dado seguro é que, nesta visita - a primeira de um Presidente dos EUA à China desde que o próprio Trump lá esteve, em novembro de 2017 -, ambos os líderes terão motivos para se declararem vencedores.

Na realidade, um encontro entre os dirigentes máximos das duas maiores potências do planeta não acontece para falhar. Há semanas que batalhões diplomáticos trabalham longe dos holofotes, afinando cada detalhe para que o desfecho seja apresentado como um êxito retumbante.

Se ainda restassem dúvidas sobre o caráter eminentemente económico desta reunião entre Trump e Xi Jinping, basta olhar para quem integra a delegação norte-americana: Elon Musk (Tesla e SpaceX), Jensen Huang (Nvidia), Tim Cook (Apple), entre muitos outros nomes vindos das finanças, da tecnologia, da indústria e também do universo da inteligência artificial.

Trump quer impressionar Xi Jinping com a musculatura tecnológica e financeira dos EUA. E o líder chinês fará questão de receber bem, consciente de que o seu país funciona hoje como grande catalisador económico mundial: tem um Produto Interno Bruto (em Paridade de Poder de Compra) acima do dos EUA, embora permaneça atrás quando se olha para o PIB nominal.

Também é um facto que a China domina, por exemplo, o setor dos carros elétricos - deixando marcas europeias e norte-americanas bem mais atrás - e que lidera áreas críticas como as terras raras ou as baterias usadas em carros elétricos, tablets, telemóveis e outros equipamentos eletrónicos.

A China, que é uma ditadura, joga com o tempo a seu favor, com lideranças que se prolongam no poder; já os EUA, uma das democracias mais avançadas do mundo, não podem perder tempo. Trump tem os olhos postos nas eleições intercalares de 3 de novembro e quer mostrar ao seu núcleo mais fiel que sabe fechar negócios ao mais alto nível, em nome de uma América Grande Outra Vez.

O conflito com o Irão e o bloqueio no estreito de Ormuz, ou a tensão permanente em torno de Taiwan, podem surgir nas entrelinhas dos discursos de ambos. Mas a nota dominante deste encontro entre Trump e Xi Jinping será, sobretudo, económica. Disso não há grande dúvida.

A novela do pacote

Depois de nove meses e de quase 60 reuniões passadas entre discussões e negociações sobre o pacote laboral proposto pelo Governo, prepare-se: aí vem mais uma maratona de encontros e conversações, desta vez em contexto parlamentar.

A proposta governamental de alterações ao Código do Trabalho deverá ser aprovada esta quinta-feira em Conselho de Ministros. Entretanto, o primeiro-ministro Luís Montenegro voltou a lamentar que a UGT tenha sido “inflexível” e intransigente na reta final do processo, o que teria inviabilizado um entendimento na Concertação Social.

Já a antecipar a próxima maratona, Montenegro recebeu esta quarta-feira, em São Bento, o líder do Chega.

Na leitura do primeiro-ministro, o essencial é “conversar, dialogar e negociar”. Não esclareceu se existe já um acordo de princípio com André Ventura e limitou-se a dizer que, por agora, tem a disponibilidade de um dos maiores partidos da oposição para trocar ideias sobre o tema.

Starmer contra Starmer

A crise política no Reino Unido torna-se mais grave de minuto a minuto. O primeiro-ministro britânico e o partido que o sustenta sofreram uma derrota pesada nas eleições locais e regionais da última quinta-feira. Para o Partido Trabalhista, foi mesmo a pior derrota de que há registo.

Depois desse descalabro eleitoral, o Governo de Keir Starmer já perdeu quatro membros e uma centena de deputados pede a demissão do próprio primeiro-ministro. Starmer parece estar em corrida contra si próprio: sem rumo claro e sem coerência estratégica.

Neste artigo de Pedro Cordeiro, fica exposto que as conspirações para derrubar o primeiro-ministro continuam e que, apesar de tudo, ele mantém a intenção de resistir.

Esta quarta-feira, o Governo apresentou dezenas de medidas na abertura solene do ano parlamentar, pela voz do rei Carlos III. Falta saber quem estará, no fim, em condições de as executar.

Outras notícias

Que Giro. Não é algo sem precedentes, mas há um português na liderança da Volta a Itália em bicicleta, mais conhecida como Giro d’Italia. Depois de uma etapa marcada por chuva, mau tempo, vento, dureza e algumas quedas, Afonso Eulálio subiu ao primeiro lugar da geral (foi segundo na etapa) e envergou a camisola rosa. É o terceiro português a liderar o Giro, depois de Acácio da Silva e João Almeida.

O saber não ocupa espaço. É um livro pequeno e delicado - e, na verdade, minúsculo: mede 13 milímetros de largura por 18 de comprimento. Pesa menos de um grama, mas inclui 32 páginas. Para a maioria de nós, lê-lo sem ajuda é impossível: é preciso uma lupa. Está aí o mais pequeno livro infantil português do mundo. Nasceu nos Açores.

Lufthansa. A companhia aérea alemã candidata à privatização da TAP assinalou 45 anos da sua operação no Porto. Na cerimónia que marcou esse momento da sua presença em Portugal, os responsáveis da empresa garantiram que a recente compra de 90% da companhia italiana ITA “em nada invalida” o interesse na TAP nem enfraquece o centro de ligações de Lisboa.

Tortura. O ministro da Administração Interna, Luís Neves, afirma que o que aconteceu na esquadra do Rato nunca devia ter acontecido e, neste artigo da Rita Costa, lamenta que o caso tenha permanecido “demasiado tempo numa esfera de impunidade”. Ainda assim, assegura que “a quase totalidade dos polícias está do lado da lei” e promete trabalhar para que “factos desta natureza” não voltem a repetir-se.

Frases

“Foi absolutamente magnífico. Meteu aquele arruaceiro no sítio”

Rod Stewart, sobre o rei Carlos III, a propósito da recente visita oficial deste aos Estados Unidos, onde se encontrou com Donald Trump

“Trump é um maníaco psicótico mas vai desaparecer, é velho”

Laurie Anderson, artista, música e compositora norte-americana, em entrevista ao Expresso

"Os Estados Unidos e a China entraram numa nova era de estratégia industrial e de concorrência geopolítica - exacerbada pelas guerras tarifárias e pelas batalhas em torno dos elementos raros - e tudo isto no meio da pior crise energética jamais registada"

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu

“Não basta passar por este lugar, é preciso deixar que este lugar passe pela nossa vida toda”

Rui Valério, patriarca de Lisboa, nas celebrações do 13 de maio, em Fátima

"Portugal cumpre as regras orçamentais, não está em risco de ter um PDE [procedimento por défice excessivo]”

Joaquim Miranda Sarmento, ministro das Finanças, na Assembleia da República, numa audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública

Caro leitor, por hoje fico por aqui nas sugestões. Ainda assim, pode continuar a acompanhar-nos no Expresso, na Tribuna e na Blitz - e ouvir-nos aqui - sempre que lhe apetecer.

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