Em Pequim, o presidente chinês, Xi Jinping, transmitiu a diretores executivos (CEOs) norte-americanos que acompanharam o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a China “vai abrir-se cada vez mais” aos negócios, segundo a agência noticiosa estatal. As declarações surgiram num momento em que as duas maiores economias do mundo se encontram na capital chinesa para conversações.
Reunião em Pequim: Xi Jinping, Donald Trump e 17 líderes empresariais
Para estes encontros, Donald Trump fez-se acompanhar por 17 líderes do mundo empresarial - entre eles Elon Musk, o homem mais rico do mundo e responsável pela Tesla e pela SpaceX; Jensen Huang, presidente da fabricante de semicondutores Nvidia; e Tim Cook, CEO da Apple.
“A China acolhe com agrado uma cooperação mais forte e mutuamente benéfica com os Estados Unidos e acredita que as empresas americanas terão perspetivas ainda mais amplas na China”, afirmou o líder chinês. Do lado norte-americano, os executivos disseram atribuir “grande importância” ao mercado chinês e indicaram que querem aprofundar as operações que já mantêm no país.
Antes deste encontro, Trump já tinha apontado como prioridade pedir a Xi Jinping que abrisse o país às empresas norte-americanas. Frente ao seu homólogo chinês, referiu que tinha “os melhores empresários do mundo” e que os tinha levado consigo para “prestar homenagem” ao presidente chinês e à China.
Cooperação e segurança: comércio, saúde e um possível acordo nuclear
Durante a reunião, Xi defendeu ainda que ambos os países ampliem a cooperação nos domínios da economia e do comércio, da saúde, da agricultura, do turismo e da aplicação da lei.
Os dois líderes terão também analisado a hipótese de um acordo tripartido de armas nucleares entre Estados Unidos, China e Rússia.
Um contexto de tensão entre as duas maiores economias
Este diálogo acontece numa fase de fricção entre Pequim e Washington, seja por via das taxas comerciais (uma ‘guerra’ que já vem de trás), seja por causa da guerra no Irão (com a China a apoiar os iranianos) e, ainda, pelos controlos cada vez mais apertados que limitam o acesso chinês à tecnologia norte-americana.
Além disso, os Estados Unidos têm contestado a atuação da China em matérias como a assertividade militar em torno de Taiwan, o apoio estatal de Pequim à indústria e a forma como são tratadas as empresas norte-americanas que tentam concorrer no mercado chinês.
Taiwan: um tema que divide as duas economias
No mesmo encontro, Xi avisou Trump para os efeitos de uma má condução do dossier Taiwan, que Pequim considera o ponto mais sensível da relação bilateral. “Se for bem gerida, as relações entre os dois países poderão manter-se globalmente estáveis. Se for mal gerida, os dois países irão confrontar-se, podendo mesmo entrar em conflito”, declarou o Presidente chinês, recorrendo a um termo em mandarim que, segundo a televisão estatal chinesa, não implica necessariamente conflito militar.
O tema de Taiwan ganhou maior destaque após Washington ter aprovado um pacote de armas de 11 mil milhões de dólares para a ilha, decisão que provocou forte desagrado em Pequim. A China insiste que a questão “não pode ser evitada” e procura sinais de redução do apoio norte-americano a Taipé.
Antes da visita, o Governo chinês já tinha sublinhado que a oposição à independência de Taiwan é “tão firme como uma rocha” e afirmou que a capacidade da China para travar qualquer tentativa de secessão é “inabalável”. Depois da reunião, Taiwan afirmou que irá manter uma comunicação estreita com os Estados Unidos e que o encontro de Donald Trump com Xi Jinping não teve surpresas.
Irão em ‘cima da mesa’
Após as conversações, uma fonte oficial da Casa Branca, citada pelo “The Guardian”, indicou que ambos os líderes concordaram que o Estreito de Ormuz - encerrado desde que os EUA e Israel começaram a bombardear o Irão - deve manter-se aberto. “Os dois líderes também concordaram que o Irão jamais poderá possuir armas nucleares.”
Já era expectável que o Irão estivesse entre os temas desta deslocação. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, tinha deixado um apelo à China: “Vamos ver se intensificam a diplomacia e conseguem que os iranianos abram o estreito [de Ormuz]”. Pequim mantém uma parceria estratégica alargada com o país do Médio Oriente desde 2016; em 2025 cerca de 13,4% das importações marítimas chinesas de petróleo provieram do Irão.
Ainda antes da visita, Marco Rubio, Secretário de estado dos EUA, disse que as autoridades norte-americanas tentariam convencer a China a assumir um papel mais "ativo" na resolução do conflito no Irão.
Importa notar que os Estados Unidos têm feito pressão económica sobre a China pelas suas ligações ao Irão, através de sanções a empresas chinesas, mas a segunda maior economia do mundo tem resistido. Já na segunda-feira, a administração Trump anunciou novas sanções, dirigidas a três pessoas e nove empresas, incluindo quatro com sede em Hong Kong e quatro nos Emirados Árabes Unidos, por ajudarem o Irão a enviar petróleo para a China, segundo a agência noticiosa “Reuters”.
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