Os trabalhadores da Long Island Rail Road (LIRR), em Nova Iorque, avançaram para greve, travando o funcionamento do sistema ferroviário suburbano mais movimentado da América do Norte, segundo comunicaram responsáveis sindicais.
Greve na Long Island Rail Road (LIRR) em Nova Iorque
A paralisação foi anunciada pelos sindicatos que representam cerca de metade dos trabalhadores do serviço, depois de as conversações com a Autoridade Metropolitana de Transportes (MTA) terem terminado, na sexta-feira, sem que fosse alcançado um novo contrato, noticiou a Associated Press.
No total, são cinco os sindicatos envolvidos, abrangendo aproximadamente metade dos sete mil trabalhadores do sistema - entre eles maquinistas, operadores de locomotivas e sinalizadores - e só puderam, por lei, iniciar a greve a partir das 00:01 de hoje.
O vice-presidente nacional da Brotherhood of Locomotive Engineers and Trainmen, Kevin Sexton, indicou que não há, para já, novas reuniões de negociação marcadas.
"Estamos muito distantes neste momento. Lamentamos sinceramente que estejamos nesta situação", afirmou.
Negociações e pontos de divergência
Do lado da MTA, o presidente Janno Lieber sustentou que era claro que os sindicatos pretendiam desde o início avançar para a greve, alegando que a empresa "concedeu ao sindicato tudo o que este pediu em termos salariais".
Ambas as partes referiram que o desacordo se concentra nos aumentos salariais e nos prémios associados aos planos de saúde.
Não foram tornados públicos, na noite de sexta-feira, pormenores sobre as posições exatas de cada lado. Ainda assim, o sindicato entrou na ronda negocial a exigir um aumento total de 16 % ao longo de quatro anos, defendendo que tal seria necessário para que os trabalhadores acompanhassem a inflação.
A MTA argumentou que as exigências iniciais do sindicato acabariam por pressionar um aumento das tarifas. Apesar de a empresa ter aceitado as reivindicações salariais, propôs que os novos contratados do LIRR suportassem prémios de saúde mais elevados, como forma de compensar parte dos custos. O sindicato recusou essa solução.
Consequências para passageiros e circulação rodoviária
Com a greve, as cerca de 250 mil pessoas que usam diariamente o sistema em dias úteis terão de procurar alternativas para chegar a Nova Iorque a partir dos subúrbios de Long Island, ou optar por trabalhar a partir de casa.
Na prática, a paragem deverá significar mais viaturas nas autoestradas já congestionadas e deslocações mais demoradas para quem se desloca para o trabalho.
"Vai ser um verdadeiro pesadelo tentar chegar lá", disse Rob Udle, eletricista que utiliza o LIRR pelo menos cinco dias por semana para ir para Manhattan.
Impacto em eventos e respostas das autoridades
A paralisação pode também complicar os planos de alguns adeptos que queiram ir a Manhattan assistir à fase final dos New York Knicks, na NBA, ou ver, este fim de semana, o duelo de basebol entre os rivais New York Yankees e Mets, do outro lado da cidade.
Susanne Alberto, treinadora pessoal de Long Island, contou que já articulou com os seus clientes de Manhattan a realização de sessões virtuais caso a paralisação se concretizasse.
A governadora Kathy Hochul apelou aos utilizadores do LIRR para trabalharem a partir de casa durante a greve, apesar de a empresa de transportes prever a disponibilização de autocarros de ligação gratuitos, mas em número limitado.
"Os passageiros estão a enfrentar perturbações desnecessárias e milhares de trabalhadores sindicalizados do LIRR estão a ser forçados a ficar sem salário devido a decisões tomadas por um pequeno grupo de líderes sindicais", afirmou Hochul.
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