As autoridades determinaram o encerramento da instituição financeira e o seu presidente, Daniel Vorcaro, acabou detido.
A trajetória de ascensão rápida - seguida de um colapso devastador - do Banco Master acompanha de perto o percurso do seu proprietário e presidente, Daniel Vorcaro. O empresário converteu-se em banqueiro depois de operações consideradas suspeitas, que se prolongariam já durante a atividade da entidade financeira. O desfecho foi o fecho do banco, a prisão de Vorcaro e o que é apontado como a maior fraude bancária da história do Brasil.
Da imobiliária à compra do Banco Máxima
Com capital acumulado no setor imobiliário, Vorcaro adquiriu o Banco Máxima, cujas operações tinham sido suspensas pelo Banco Central (BC) brasileiro devido a fraudes. A compra e o regresso do Máxima à atividade só avançaram em 2019, após dois anos de escrutínio e análise do BC.
De acordo com o jornal "Valor Económico", que teve acesso e analisou documentação do Banco Central, Vorcaro terá utilizado recursos do próprio Máxima para financiar a aquisição. Em 2021, a instituição mudaria de designação, passando a chamar-se Master.
Banco Master: investimentos fora do padrão e promessas de rentabilidade
O banco ganhou notoriedade por adotar estratégias de investimento consideradas arriscadas e pouco comuns, com apostas em empresas descritas como instáveis. Ao mesmo tempo, oferecia taxas de juro muito acima das praticadas no mercado, apesar de não dispor de liquidez.
Ainda assim, a instituição afirmava que o seu património líquido tinha crescido de 219 milhões de reais (37 milhões de euros), em 2019, para cinco mil milhões (846 milhões), em 2024.
Intervenção do Banco Central e a Operação Compliance Zero
Perante práticas tidas como abusivas, o BC determinou um reforço de capital no montante de dois mil milhões de reais. Vorcaro chegou a um entendimento com o Banco de Brasília, uma entidade estatal sob controlo do Distrito Federal, prevendo a aquisição do Master precisamente pelo valor exigido pelo Banco Central.
Contudo, em setembro de 2025, o Banco Central travou a operação. Dois meses depois, o BC avançou para a liquidação do Master, e Vorcaro foi detido temporariamente pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero, quando tentava viajar para o Dubai.
A investigação - que já conheceu várias fases e permanece em curso - identificou, entre outras práticas, a emissão de carteiras de crédito sem garantias, a ocultação de prejuízos, o branqueamento de capitais, a corrupção, bem como ações de monitorização e ameaças dirigidas a antigos funcionários, autoridades, jornalistas e concorrentes. Vorcaro voltou a ser detido em março e mantém-se sob custódia.
Vida de luxo ao som de Coldplay
Vorcaro ganhou projeção com os negócios imobiliários da família, que mais tarde se alargaram a outros setores. Também não procurava disfarçar um estilo de vida luxuoso: em 2023, promoveu uma festa privada de cinco dias na Sicília, em Itália, com um custo superior a 30 milhões de euros e com atuações dos Coldplay e de Andrea Bocelli.
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