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Lula da Silva defende exploração de petróleo da Petrobras na Margem Equatorial

Homem idoso aponta para plataforma petrolífera enquanto grupo com placa protesta ao fundo.

O presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou na segunda-feira que a Petrobras deve avançar com a exploração de petróleo na Margem Equatorial, defendendo que o país tem de aproveitar essa região antes de uma eventual iniciativa dos Estados Unidos para nela se afirmarem.

Lula da Silva e a Petrobras na Margem Equatorial

"Agora nós vamos ao Amapá tirar o nosso pré-sal da Margem Equatorial. E quando alguém fala: "não não pode mexer, porque ah, a Amazónia". Não! Ninguém! Ninguém tem mais cuidado com a Amazónia do que nós", declarou Lula da Silva.

Ao reiterar que a petrolífera estatal deve ocupar e explorar a faixa do litoral brasileiro "com a maior responsabilidade do mundo", Lula referiu, como exemplo, as declarações do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre a Gronelândia.

"Não podemos deixar uma riqueza que está a quase 500 metros de distância da nossa margem. Daqui a pouco o Trump vem, acha que é dele e vai lá", declarou o político de esquerda.

"Ele achou que o Canadá era dele, que a Gronelândia era dele, que o Golfo do México era dele, o Canal do Panamá. Quem é que vai dizer que a Margem Equatorial é dele também?", indagou.

"Então nós vamos ocupar. Vamos ocupar, explorar petróleo com a maior responsabilidade e fazer com que esse dinheiro possa ser revertido para garantir o futuro desse país", completou Lula da Silva.

Investimentos anunciados pela Petrobras em São Paulo

As declarações foram feitas durante um evento em São Paulo, no qual a Petrobras anunciou investimentos de cerca de 6,28 mil milhões de euros até 2030.

Área de "extrema sensibilidade"

A Margem Equatorial abrange uma extensa zona marítima desde o estado do Amapá, no Norte, até ao Rio Grande do Norte, no Nordeste, e inclui cinco bacias petrolíferas: Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar.

Para a Petrobras, a exploração na Bacia da Foz do Amazonas é vista como estratégica para aumentar as suas reservas, mas tem suscitado críticas de organismos ambientais e de entidades da sociedade brasileira.

Organizações ecologistas opõem-se à actividade petrolífera na área, que descrevem como de "extrema sensibilidade" por acolher reservas ambientais, terras indígenas, mangais e recifes de coral, além de uma biodiversidade marinha que inclui espécies ameaçadas de extinção.

Licenciamento ambiental e contestação do MPF

Na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) do Brasil solicitou à justiça que fosse "suspender imediatamente" a licença ambiental que autoriza a Petrobras a perfurar um poço em águas profundas, na sequência de uma fuga registada no início deste ano.

Segundo o MPF, o Estudo de Impacto Ambiental apresentado no processo de licenciamento do projecto da Petrobras contém falhas técnicas, inconsistências e omissões.

A exploração de petróleo na Foz do Amazonas tornou-se igualmente um tema delicado neste terceiro mandato de Lula da Silva e abriu uma fissura entre o Ministério de Minas e Energia e o Ministério do Ambiente e das Mudanças Climáticas.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, chegou a afirmar que, enquanto o Brasil se depara com impasses no licenciamento ambiental, a Guiana está a extrair petróleo em campos vizinhos que pertencem à mesma bacia geológica.

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