JD Vance e a presença militar norte-americana na Europa
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, rejeitou esta terça-feira a hipótese de uma retirada completa do contingente militar norte-americano estacionado na Europa, admitindo antes um reajuste da distribuição de forças em função das prioridades de segurança de Washington e apelando a maior envolvimento europeu.
"Não estamos a falar de retirar todas as tropas norte-americanas da Europa. Estamos a falar de redistribuir alguns recursos para maximizar a segurança norte-americana. Não creio que isso seja mau para a Europa; pelo contrário, incentiva a assumir mais responsabilidade", disse Vance.
Em declarações aos jornalistas na Casa Branca, o vice-presidente voltou a sublinhar que o seu país "não pode ser o polícia do mundo" e que procura ser "um bom aliado".
Referindo-se à decisão de Donald Trump de ordenar a saída de 5000 militares da Alemanha, Vance afirmou que "O Presidente (Donald Trump) não disse - embora pudesse ter dito - que vai retirar todas as tropas da Europa; no entanto, a Europa precisa de se sustentar a si própria".
Críticas de Trump, Alemanha e sinais de novas reduções
O anúncio relativo à Alemanha foi lido como resposta às críticas do chanceler alemão, Friedrich Merz, à alegada ausência de uma estratégia norte-americana no conflito com o Irão e ao desfecho descrito como "humilhante" para Washington.
Trump indicou que a diminuição poderá vir a ser mais ampla e, no início deste mês, revelou estar a equacionar também uma retirada de forças de Itália, depois de a primeira-ministra Giorgia Meloni ter saído em defesa do Papa Leão XIV na sequência de ataques feitos pelo líder norte-americano.
Elementos da administração Trump têm ainda mencionado a possibilidade de encerrar bases em Espanha, país que, no enquadramento da guerra contra o Irão, proibiu a utilização das instalações norte-americanas no seu território.
Confrontado com questões sobre a movimentação de tropas na Polónia, Vance garantiu que não ocorreu uma diminuição do efetivo no país, explicando que o envio foi "adiado" e que tal "não constitui uma redução, mas simplesmente um atraso de rotina na rotação" de forças.
Trump tem dirigido críticas severas aos aliados da NATO, acusando-os de não apoiarem Washington na guerra contra o Irão, desencadeada pelos Estados Unidos e por Israel sem consulta prévia aos parceiros.
NATO diz que saída de 5000 militares não fragiliza dissuasão
A NATO afirmou hoje que a retirada planeada de cerca de 5000 militares norte-americanos destacados na Europa não põe em causa as capacidades de dissuasão e defesa da Aliança.
"Gostaria de realçar que esta decisão não afeta a viabilidade dos nossos planos regionais", declarou o Comandante Supremo Aliado na Europa (SACEUR), o general norte-americano Alexus G. Grynkewich, no final de uma reunião do Comité Militar da NATO, em Bruxelas.
De acordo com Grynkewich, a redistribuição das forças dos EUA faz parte da nova Estratégia de Defesa Nacional norte-americana e integra o conceito informalmente conhecido como "NATO 3.0".
"À medida que o pilar europeu da aliança se fortalece, isso permite aos EUA reduzir a sua presença na Europa e limitar-se a fornecer apenas as capacidades críticas que os aliados ainda não podem oferecer", explicou Grynkewich.
O responsável considerou que será "expectável" que esta redistribuição decorra de forma progressiva "ao longo do tempo", acompanhando o reforço das capacidades militares europeias e o cumprimento dos compromissos de investimento assumidos na cimeira da NATO realizada em Haia no ano passado.
Alemanha: efetivos atuais e unidades abrangidas
Neste momento, os Estados Unidos mantêm mais de 36.000 militares na Alemanha, repartidos por várias infraestruturas consideradas estratégicas, entre as quais a base aérea de Ramstein, o quartel-general em Wiesbaden e os centros de treino de Grafenwohr e Hohenfels, na Baviera.
Grynkewich precisou que os 5.000 militares abrangidos pela retirada pertencem sobretudo a uma brigada blindada colocada na Europa desde 2022, além de um batalhão de artilharia de longo alcance cuja deslocação chegou a ser anunciada, mas que acabou por não se concretizar.
O general defendeu que, desde então, o quadro estratégico da NATO se alterou de forma relevante, assinalando o aumento das capacidades militares dos países bálticos, da Polónia e de outros aliados europeus, e apontando como exemplos a brigada multinacional da NATO na Letónia, liderada pelo Canadá, e o reforço militar alemão na Lituânia.
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