Acusações russas sobre drones nos Estados Bálticos
O embaixador da Rússia junto das Nações Unidas afirmou esta terça-feira que Moscovo dispõe de informações segundo as quais Kiev estará a preparar o lançamento de drones militares a partir da Letónia e de outros países bálticos, deixando o aviso de que a adesão à NATO não será um escudo contra eventuais represálias.
No Conselho de Segurança da ONU, numa sessão dedicada à situação na Ucrânia, Vasily Nebenzya aludiu a planos ucranianos para operar drones a partir do território dos Estados Bálticos e declarou que forças ucranianas de drones já teriam sido destacadas para a Letónia.
Falando através de uma intérprete, Nebenzya sublinhou que os serviços de informações do seu país têm "as coordenadas dos centros de decisão na Letónia bem conhecidas" e assegurou que a pertença à Aliança Atlântica "não os protegerá de represálias".
O episódio de crispação ocorreu poucas horas depois de um caça da NATO ter abatido um drone que entrou no espaço aéreo da Estónia.
Respostas da Letónia e dos Estados Unidos no Conselho
Em reação às declarações, a embaixadora da Letónia, Sanita Pavluta-Deslandes, considerou que "as mentiras, a desinformação agressiva e as ameaças são sinais de desespero e fraqueza".
Evocando "mentiras semelhantes" que, segundo disse, já tinham sido dirigidas a outros membros do Conselho em sessões anteriores, acrescentou: "Sinto-me muito honrada por o meu país estar a ser reconhecido hoje".
Também a diplomata norte-americana Tammy Bruce interveio para salientar: "Não há lugar para ameaças contra um membro do Conselho".
Acrescentou ainda que o seu país "cumpre todos os seus compromissos com a NATO".
Cessar-fogo, prisioneiros e sanções: posições opostas
Na mesma reunião, o representante da Ucrânia na ONU, Andrii Melnyk, instou o Conselho de Segurança a avançar com uma resolução de cessar-fogo "imediato e incondicional", com o objetivo de travar a guerra iniciada em 2022, depois de Nebenzya ter reiterado que a saída passa pela rendição de Kiev.
"Apelamos aos Estados-membros do Conselho de Segurança para que apresentem, sem demora, uma resolução sobre um cessar-fogo imediato e incondicional, a troca de prisioneiros de guerra na proporção de um para um e o retorno de todas as crianças ucranianas deportadas e de todos os civis detidos ilegalmente", declarou Melnyk.
A sessão foi realizada na sequência de um pedido de Kiev, formalizado por carta a 13 de maio, no qual as autoridades ucranianas alertaram para uma intensificação, nas últimas semanas, dos ataques russos com drones e mísseis contra civis e infraestruturas críticas.
"Mais uma vez, apelamos a todos os membros da ONU para que cumpram as sanções, especialmente aquelas que visam o acesso à tecnologia e à indústria militar", insistiu o representante ucraniano.
Do lado russo, Nebenzya tinha defendido pouco antes que caberia ao Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, "ordenar um cessar-fogo e retirar as Forças Armadas ucranianas das regiões russas, incluindo Donbass (território ucraniano que a Rússia deseja anexar)", para assim "avançar nas negociações sobre parâmetros concretos com vistas a uma paz abrangente, justa e sustentável".
Melnyk classificou as declarações russas como "vergonhosas" e rejeitou qualquer recuo, respondendo: "A nossa resposta à Rússia é muito simples: podem esperar sentados".
Ainda durante o encontro, os representantes dos dois países em guerra trocaram acusações de violação do cessar-fogo acordado entre a Ucrânia e a Rússia entre 9 e 11 de maio, por ocasião do Dia da Vitória.
Tammy Bruce, por seu turno, apelou aos Estados-membros para que intensifiquem as sanções contra a Federação Russa e travem o fornecimento de componentes destinados à máquina de guerra de Moscovo.
ONU alerta para agravamento das vítimas civis
No mesmo fórum, a ONU advertiu que o conflito na Ucrânia está a tornar-se mais mortífero com o passar dos dias.
De acordo com a organização, só em abril passado registaram-se pelo menos 238 civis mortos e 1404 feridos em território ucraniano.
"Este é o maior número mensal de vítimas civis registado desde julho de 2025", frisou Kayoko Gotoh, representante dos Departamentos de Assuntos Políticos e de Consolidação da Paz e de Operações de Paz da ONU, acrescentando: "Isto também reflete um padrão contínuo de crescente violência contra civis".
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