A combinação experimental de fármacos dasatinib e quercetina (conhecida abreviadamente como D+Q) é apontada como uma das terapias antienvelhecimento mais promissoras em desenvolvimento.
Ainda não está aprovada para uso em humanos, mas alguns cientistas consideram que poderá vir a ajudar no combate a doenças ao reforçar a capacidade do organismo para eliminar células degradadas.
Um estudo recente, contudo, sugere que pode existir um problema sério associado à D+Q.
O que é a D+Q e porque desperta interesse
O que torna a D+Q particularmente apelativa para os investigadores é o facto de atuar como senolítico - isto é, um tipo de fármaco concebido para eliminar deliberadamente células danificadas ou envelhecidas.
Estas células disfuncionais são conhecidas como células senescentes e tendem a acumular-se com a idade. A sua presença no corpo promove inflamação, algo que poderá estar ligado a várias doenças, incluindo esclerose múltipla e doença de Alzheimer.
Se senolíticos como a D+Q conseguirem reduzir a carga de células senescentes, o impacto potencial nas doenças associadas ao envelhecimento pode ser enorme.
O envelhecimento influencia tantos aspetos da saúde que existe um forte investimento científico em estratégias para o abrandar.
Apesar disso, ainda falta muito trabalho até que essa possibilidade se torne realidade.
O que o estudo encontrou no cérebro de ratos
Uma equipa da Universidade do Connecticut avaliou os efeitos da D+Q no cérebro de ratos e observou danos significativos na mielina - a camada isolante que envolve as fibras nervosas.
Os efeitos da D+Q no sistema nervoso central não tinham sido testados de forma aprofundada até aqui, o que ajudou a motivar esta investigação.
Estas conclusões levantam dúvidas sobre uma utilização clínica alargada.
Em particular, quando a mielina se degrada, os nervos deixam de comunicar com a mesma eficiência. Nos ratos, grande parte das lesões detetadas concentrou-se em torno de uma importante “autoestrada” de informação do cérebro, o corpo caloso.
Os investigadores também identificaram semelhanças entre o tipo de dano cerebral observado e os efeitos tanto da esclerose múltipla como do chamado “cérebro da quimioterapia”, em que tratamentos de quimioterapia se associam a dificuldades na função cognitiva.
A dasatinib, isoladamente, é um medicamento essencial usado no tratamento do cancro, por vezes em conjunto com quimioterapia, o que pode ajudar a explicar a origem desta perda de mielina.
O que aconteceu às células produtoras de mielina
Testes laboratoriais adicionais analisaram a interação entre a D+Q e os oligodendrócitos, células cerebrais que contribuem para o crescimento e a manutenção da mielina.
Os resultados indicaram que o tratamento com a combinação pareceu levar os oligodendrócitos a retraírem-se, passando para um modo de funcionamento mais pequeno e mais “jovem”.
Também foram detetadas alterações no metabolismo destas células, o que impediu a produção de mielina em quantidade suficiente e deixou os nervos mais expostos.
Embora estes dados resultem de um número reduzido de animais - e não de seres humanos - há, ainda assim, motivos claros para preocupação.
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