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USAF e Boeing avaliam o regresso da linha do C-17 Globemaster III
Perante a necessidade de reforçar a sua frota de transporte estratégico de longo alcance, a Força Aérea dos EUA (USAF) iniciou contactos com a Boeing para analisar a possibilidade de retomar a produção do C-17 Globemaster III, mais de uma década depois da entrega do último exemplar deste tipo. A hipótese já tinha sido apontada como potencial em meados do ano passado, mas, mais recentemente, juntou-se um optimismo crescente da Boeing quanto à execução do programa e um pedido formal do Congresso para que sejam realizados estudos de viabilidade, tendo em conta que as aeronaves actualmente em serviço poderão não conseguir manter-se operacionais até às datas previstas.
De acordo com o meio especializado The Warzone, o tema já foi discutido no Comité de Serviços Armados da Câmara dos Representantes, que solicitou uma sessão informativa sobre as opções para reiniciar a produção dos C-17 Globemaster III. Com base em excertos do relatório desse comité: “O comité reconhece que a frota actual de C-17 continua a suportar exigências operacionais significativas para responder às necessidades dos comandantes de combate, às missões de assistência humanitária e às operações de mobilidade global. O comité está preocupado com o facto de futuras exigências operacionais poderem exercer pressão adicional sobre a frota actual de C-17.“
O que o Congresso quer saber: prazos, custos e parceiros internacionais
Nesta linha, o Congresso pretende que a Força Aérea dos EUA e a Boeing esclareçam questões como quando as aeronaves poderiam ficar disponíveis, quais os custos associados e qual a avaliação de potenciais parceiros internacionais interessados na aquisição, entre outros pontos - tudo isto desde que a retoma da produção seja viável do ponto de vista industrial.
Do lado da empresa, também foi manifestada disponibilidade para se sentar à mesa com a USAF e com outros potenciais clientes internacionais, com o objectivo de perceber directamente quais seriam os requisitos, desenhando assim um cenário inicial de optimismo.
Frota actual, exportações e o interesse de aliados
Importa sublinhar que a Boeing conseguiu firmar o C-17 Globemaster III como peça central na Força Aérea dos EUA, com uma frota que hoje reúne mais de 200 aeronaves, além de ter exportado o modelo para outros países: Reino Unido, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Índia, Kuwait, Austrália e Canadá. A isto soma-se o facto de a plataforma integrar a chamada Strategic Airlift Capability, um acordo através do qual os EUA e vários aliados na Europa podem utilizar três aeronaves deste modelo.
A esta lista juntaram-se, igualmente, relatos que apontavam para um interesse declarado do Japão, país que, desde 2025, procura alternativas para os seus problemáticos C-130R actualmente em serviço, que constituem o principal meio de transporte para abastecer as ilhas mais remotas sob controlo de Tóquio. Tendo este contexto em mente, o então primeiro-ministro japonês Shigeru Ishiba chegou mesmo a expressar interesse na compra de aeronaves C-17 para esse fim, alimentando especulações sobre uma eventual retoma da produção ou, em alternativa, a venda de unidades em segunda mão.
Obstáculos industriais e o peso de retomar a produção em 2015
Mesmo existindo potenciais compradores, o programa teria desafios relevantes para avançar com rapidez, sobretudo porque a Boeing deixou de produzir o C-17 Globemaster III em 2015. Além disso, analistas norte-americanos assinalam que a empresa vendeu instalações na Califórnia que, no passado, funcionavam como centro de produção da plataforma. Isto significa que uma decisão de reactivar a produção implicaria investimento adicional para expandir a capacidade industrial. Ainda não é claro quais seriam os custos associados, mas não há dúvidas de que seriam elevados.
Mercado e alternativas: A-400M, KC-390 e o programa NGAL
Ainda assim, mesmo considerando estes entraves e a possível necessidade de modernizar os desenhos, a Força Aérea dos EUA e outras forças potencialmente interessadas não teriam, no curto prazo, uma alternativa que iguale o C-17 Globemaster III. No mercado ocidental, o modelo que mais se aproxima das suas características é o A-400 da Airbus, enquanto a brasileira Embraer conseguiu posicionar os seus KC-390 Milennium entre as aeronaves de transporte mais vendidas.
Por fim, embora a capacidade de carga útil e a operação em ambientes austeros tornem o C-17 um modelo singular nos EUA, especialistas têm vindo a referir que poderá ser um desenho pouco preparado para ter sucesso em combate moderno. O próprio artigo do The Warzone menciona o desenvolvimento do programa Next Generation Air Lift (NGAL), que procurava uma aeronave com características furtivas e melhores sistemas de auto-defesa; no entanto, ainda não existe um candidato claro que permita antecipar a sua produção dentro dos prazos considerados urgentes pelo Congresso.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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