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Martim Sousa Tavares apresenta "Ponto de fuga" na Casa da Música, no Porto

Homem de cabelo encaracolado a ler livro e a discursar num palco com fundo em madeira.

Martim Sousa Tavares volta a transformar memórias, referências e experiências pessoais numa narrativa dita ao vivo: o espetáculo "Ponto de fuga" chega esta terça-feira à Casa da Música, no Porto.

Martim Sousa Tavares em "Ponto de fuga": um recital ao vivo

Entre o riso e a criação artística, entre a vida quotidiana e aquilo que nos vai moldando, o maestro propõe "Ponto de fuga", um formato sem guião rígido que cruza a espontaneidade do stand-up com uma viagem íntima pelo mundo das artes.

Concebido e interpretado por Martim Sousa Tavares, com participação musical de João Barradas, o recital acontece esta terça-feira, às 21 horas, na Casa da Música, no Porto. Pelo caminho, o público é conduzido por canções e histórias, mas também por cinema, poesia e pintura, num percurso com dimensão autobiográfica em que a atenção recai sobre a natureza humana.

Mais do que um monólogo, "Ponto de fuga" junta humor e pensamento: aproxima-se do registo da comédia sem abandonar o território da arte e da reflexão. "Era o formato que me faltava fazer, honestamente", confessa ao JN Martim Sousa Tavares. Habituado aos palcos de concerto, quase sempre "de costas para o público", o maestro conta que andou anos à procura da forma certa de estar sozinho em cena.

"Não sou um artista de stand-up, não sou ator, nem sequer um narrador, por isso demorei algum tempo a encontrar a narrativa certa, sem sair do meu papel", explica. Do processo resultou, garante, "uma coisa muito orgânica", feita em contacto direto com quem está na plateia.

Improviso, energia da sala e um guião aberto

A inexistência de um guião fechado é, precisamente, um dos pilares do espetáculo. "Vou conduzindo e reagindo de acordo com a energia da sala", diz. Há um fio condutor - temas, músicas e projeções de imagens, poemas ou excertos de filmes -, mas cada sessão acaba por ter um desenho próprio.

"Falo de muitas obras de arte, muitas pessoas"

Essa liberdade tem sido determinante também na resposta do público. Desde a estreia em Braga, no final do ano passado, têm sido várias as pessoas que voltam para ver novamente o espetáculo. "Há quem tenha visto várias vezes e ainda não viu o mesmo espetáculo", afirma o artista, reconhecendo que este é um dos comentários que mais se repete - e um dos que mais o deixa satisfeito.

Martim Sousa Tavares atribui essa sensação à quantidade de referências que leva para o palco. "Falo de muitos nomes, muitas obras de arte, muitas pessoas, porque isto é sobre pessoas". A ideia-chave nasce, de resto, da metáfora do "ponto de fuga": "O nosso ponto de fuga na vida, o que nos dá perspetiva e profundidade, são as pessoas. São elas que nos constroem".

Ao longo da narrativa, surgem também homenagens a figuras como Bernardo Sassetti, Carlos Paredes e ao avô do maestro. Por isso, a noite na Casa da Música tem um peso particular. "Costumo fazer concertos na Casa da Música, mas abrirem as portas da Sala Suggia, para um espetáculo que, tendo música, não é musical, é um grande orgulho para mim", sublinha.

Maestro lança livro "Amanhã à mesma hora"

Depois do Porto, "Ponto de fuga" continua viagem até Lagos, no Algarve (dia 23), ao mesmo tempo que o autor prepara a chegada do novo livro, "Amanhã à mesma hora".

No livro, o conceito de orquestra serve de metáfora para pensar liderança e trabalho em equipa. "Analisa-se porque umas orquestras falham e outras têm sucesso, sempre como metáfora para outros grupos de trabalho e para as relações interpessoais", adianta Martim Sousa Tavares. A obra já poderá ser comprada durante o espetáculo na Casa da Música.

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