A Amnistia Internacional acusa a União Europeia de Radiodifusão (EBU) de estar a aplicar "um flagrante duplo padrão" ao manter Israel no Festival Eurovisão da Canção 2026. A organização fala em "cobardia" e sustenta que o concurso está a contrariar os princípios que diz defender.
Amnistia Internacional acusa EBU de "duplo padrão" na Eurovisão 2026
A presença de Israel na Eurovisão 2026 tem motivado uma onda de críticas a nível internacional. A secretária-geral da Amnistia Internacional, Agnès Callamard, aponta à EBU a decisão de não suspender Israel, sublinhando que a entidade tomou uma medida diferente no caso da Rússia.
Num comunicado divulgado esta segunda-feira, na véspera das meias-finais da Eurovisão, Agnès Callamard afirmou que "a recusa da União Europeia de Radiodifusão em suspender Israel do Festival Eurovisão, tal como fez com a Rússia, é um ato de cobardia".
A responsável considera também que a EBU está a "trair os valores do Festival Eurovisão da Canção", referindo que os ideais de liberdade e tolerância, bem como a rejeição do discurso de ódio e da discriminação, não são compatíveis com a permanência de Israel na competição.
A Amnistia Internacional acusa ainda Israel de usar a participação no evento para "desviar a atenção e normalizar o genocídio em curso na Faixa de Gaza ocupada", bem como "o sistema de apartheid contra os palestinianos".
Críticas à EBU intensificam-se antes da final
Na mesma declaração, Agnès Callamard lembra que a decisão da EBU foi contestada por várias emissoras públicas europeias. Espanha, Irlanda, Países Baixos, Eslovénia e Islândia anunciaram, em dezembro de 2025, que não participariam na edição deste ano da Eurovisão como protesto contra a presença de Israel.
"Não se pode permitir que canções e lantejoulas abafem ou desviem a atenção das atrocidades de Israel ou do sofrimento palestiniano. Não deve haver palco para Israel na Eurovisão enquanto houver um genocídio em curso", declarou.
Eurovisão 2026 em Viena: datas e referência ao conflito em Gaza
A edição de 2026 do Festival Eurovisão da Canção realiza-se em Viena, na Áustria. As meias-finais estão agendadas para 12 e 14 de maio, e a final terá lugar a 16 de maio.
De acordo com a Amnistia Internacional, a investigação em curso da organização conclui que, apesar do cessar-fogo anunciado em outubro de 2025, "o genocídio de Israel contra os palestinianos em Gaza continua". No mesmo comunicado, são igualmente mencionados ataques aéreos que terão causado a morte de mais de 760 palestinianos desde essa data.
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