Fuga e captura na cadeia de Ponta Delgada, nos Açores
Um recluso de 34 anos evadiu-se este sábado à tarde da cadeia de Ponta Delgada, nos Açores, mas foi detido cerca de 40 minutos mais tarde, numa habitação nas proximidades, de acordo com o Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP).
Segundo a mesma fonte, três reclusos, cientes da falta de segurança e do avançado estado de degradação da rede do estabelecimento, aproveitaram o período de recreio no pátio para tentar fugir. Contudo, apenas um conseguiu alcançar a rua; outro ficou ferido e o terceiro desistiu após tiros de um guarda.
Como ocorreu a tentativa de evasão
O recluso que conseguiu ultrapassar a rede degradada - e que cumpre pena por tráfico de droga - acabou por ser capturado por elementos da guarda prisional cerca de 40 minutos depois, numa casa degradada perto do Estabelecimento Prisional, afirmou à Lusa o presidente do SNCGP.
Frederico Morais explicou que, ao ser detectada a evasão por volta das 16 horas, um guarda prisional efectuou vários disparos de aviso para o ar. Na sequência do alvoroço, um dos reclusos recuou por medo e outro, já na zona do arame farpado, sofreu ferimentos (cortes) nos pés e caiu ao chão.
No final, apenas o recluso que já tinha alcançado o topo do muro conseguiu consumar a fuga.
Alertas do SNCGP sobre segurança e falta de meios
Frederico Morais disse à Lusa que o sindicato "está farto de alertar" para a insuficiência de guardas e para a ausência de condições de segurança na cadeia de Ponta Delgada, mas que o tema tem sido desvalorizado pela direcção do estabelecimento. Acrescentou ainda que não foram tomadas medidas para mitigar o problema enquanto a nova cadeia, já prevista, não for construída.
O presidente do sindicato referiu também que, naquela cadeia, foram realizados vários plenários para chamar a atenção para as condições dos reclusos e para a insegurança das instalações - em especial no que toca às redes -, sem que tenha havido intervenção por parte da gestão do estabelecimento ou da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP).
Para o sindicato, a directora do Estabelecimento Prisional de Ponta Delgada e a sua equipa não reúnem condições para se manterem à frente da cadeia, ficando, ainda assim, a situação dependente da apreciação da DGRSP.
Como exemplo do que considera ser falta de controlo, o sindicalista apontou o facto de o adjunto da direcção dar aulas de ioga aos reclusos no pátio sem a presença de qualquer guarda.
Frederico Morais indicou ainda que o estabelecimento dispõe de 64 guardas para assegurar os diferentes turnos e alberga 153 reclusos, contando apenas com um chefe principal e um adjunto para dirigir as operações.
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