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Irão ameaça atacar interesses norte-americanos na região após ataques a petroleiros

Militar observa pelo binóculo navios de guerra e um petroleiro no mar ao pôr do sol.

O Irão advertiu que poderá visar interesses norte-americanos na região se a sua marinha mercante for atacada, numa altura em que Washington continua a aguardar uma resposta de Teerão às mais recentes propostas.

Ataques a petroleiros no Golfo de Omã e bloqueio aos portos iranianos

As ameaças surgem um mês depois do cessar-fogo na guerra entre o Irão e os aliados israelo-americanos, na sequência de ataques dos Estados Unidos contra dois petroleiros iranianos no Golfo de Omã.

O exército norte-americano, que desde 13 de abril mantém um bloqueio aos portos iranianos, comunicou ter "neutralizado" por via aérea os dois navios à entrada do estreito de Ormuz, corredor por onde costuma passar um quinto do petróleo consumido no mundo.

Uma fonte militar iraniana referiu que Teerão tinha retaliado, e a República Islâmica apresentou junto da ONU uma denúncia de "violação flagrante" do cessar-fogo.

Apesar de, de acordo com o exército, os navios não transportarem carga, as imagens divulgadas pelo comando militar norte-americano para a região (Centcom) exibem densas colunas de fumo a sair das cabines de comando.

Guardas da Revolução do Irão ameaçam resposta contra alvos americanos

"Qualquer ataque contra petroleiros e navios comerciais iranianos implicará uma resposta contundente contra um dos centros americanos na região, bem como contra os navios inimigos", avisaram os Guardas da Revolução, o exército ideológico de Teerão.

"Mísseis e drones estão apontados para o inimigo e aguardamos a ordem de disparo", acrescentou o comandante da marinha dos Guardas, o general Majid Mousavi, segundo declarações citadas pela agência de notícias Isna e pela televisão nacional Irib.

Estreito de Ormuz, negociações em impasse e subida do petróleo

Desde o arranque da ofensiva israelo-americana, a 28 de fevereiro, o Irão mantém o estreito de Ormuz bloqueado, causando fortes perturbações na economia mundial e alimentando uma crise energética que continua sem um desfecho à vista.

Entretanto, os confrontos navais entre Washington e Teerão têm-se multiplicado desde o início do mês, ao mesmo tempo que as negociações parecem bloqueadas, à espera de uma resposta iraniana às propostas norte-americanas.

Também este domingo, o Irão colocou em causa a seriedade da diplomacia dos Estados Unidos nas conversações destinadas a encontrar uma saída para o conflito no Médio Oriente, que provocou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano.

Os choques mais recentes entre Teerão e Washington contribuíram para a escalada dos preços do petróleo: o barril de Brent do Mar do Norte voltou a fechar a semana acima dos 100 dólares.

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