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Greystones adia telemóveis até aos 13 anos com "It takes a village" para travar redes sociais

Grupo de crianças e adultos sentados em círculo na relva junto ao mar com bola de futebol e desenhos coloridos.

Não se trata de uma interdição oficial, mas de um pacto assumido por vontade própria entre famílias e escolas. A iniciativa, lançada há três anos, chama-se "It takes a village" e decorre em Greystones, uma localidade costeira irlandesa perto de Dublin. O propósito é resguardar as crianças dos impactos nocivos das redes sociais, atrasando o acesso a telemóveis e outros dispositivos móveis com Internet até aos 13 anos. A participação das famílias ronda os 70 por cento.

O provérbio que inspirou o compromisso em Greystones

"É preciso uma aldeia inteira para educar uma criança" é um provérbio africano de origem incerta, muitas vezes usado para lembrar que a comunidade tem um papel decisivo no desenvolvimento dos mais novos. Em Greystones, essa ideia transformou-se num esforço conjunto para travar a exposição precoce das crianças ao mundo digital - sobretudo às redes sociais -, tornando-se, assim, num exemplo apontado como referência. O jornal "The Sunday Telegraph" publicou recentemente uma reportagem sobre o assunto, que esta semana é reproduzida no "Courrier International".

"It takes a village" em Greystones: como começou

Segundo a jornalista Judith Woods, a iniciativa nasceu a partir de Rachel Harper, diretora de uma escola da zona. No período posterior à pandemia de covid-19, Harper começou a notar sinais inquietantes nos alunos: chegavam mais exaustos, mais ansiosos e com maior dificuldade em manter a atenção. Ao falar com vários encarregados de educação, concluiu que, durante os confinamentos, muitas crianças tinham passado a ter consumos digitais intensos.

Ao perceber que a questão não se resolvia com medidas isoladas, Harper juntou-se a mais sete responsáveis de outras escolas. Em conjunto, lançaram um inquérito às famílias para avaliar melhor a dimensão do problema e, depois disso, organizaram uma reunião pública com pais, docentes, representantes de associações desportivas e médicos. O espaço escolhido revelou-se pequeno demais para acolher todos os interessados.

Um acordo comunitário para adiar telemóveis e reforçar actividades

Pouco tempo depois, esse grupo de professores apresentou aos pais a proposta de um compromisso colectivo: não oferecer telemóveis aos filhos antes da entrada no Ensino Secundário. Daí até à formalização do projecto foi um passo. A resposta da comunidade foi expressiva e, em paralelo, passaram a surgir mais actividades pensadas para preencher o tempo livre das crianças.

"Ninguém deixa o seu filho pequeno com um grupo de desconhecidos numa sala e vai embora. Mas é isso que fazemos quando lhe entregamos um telemóvel". Este é um dos vários testemunhos que Judith Woods recolheu junto de uma mãe. Em vez de transformar a tecnologia num inimigo, a comunidade procurou, de forma articulada, ajustar os ritmos do dia-a-dia das crianças e defender um contacto gradual e supervisionado com o digital. Em Greystones, há consciência de que a simples proibição de telemóveis na escola não chega quando, ao regressarem a casa, as crianças se colam às redes sociais.

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