Faltam poucas horas para um dos lançamentos mais aguardados dos últimos anos - e até quem não vive o mundo dos automóveis percebe rapidamente o motivo: a ideia de um Ferrari elétrico parece, à primeira vista, quase um contrassenso.
A casa italiana que construiu a sua fama com desportivos de motor V12 e V8 acaba por abraçar, por fim, a eletrificação. E fá-lo depois de ver a Lamborghini, rival histórica, travar o desenvolvimento do modelo elétrico equivalente que tinha em mente.
O Ferrari Luce é apresentado esta noite, em Roma, em território italiano, onde nascem todos os Cavallinos Rampantes. No entanto, o nome e o habitáculo já tinham sido mostrados num evento em São Francisco, nos EUA, porque este elétrico também quer afirmar-se como uma declaração de estilo e tecnologia.
Uma colaboração improvável
No Luce, o interior representa uma rutura clara com aquilo a que a Ferrari habituou os seus clientes. Esse salto resulta do trabalho conjunto entre a Ferrari e a LoveForm, empresa criada por Marc Newson e Sir Jony Ive - o designer que, durante anos, definiu a forma de praticamente todos os produtos da Apple.
Esta cooperação prolonga-se há cinco anos e estende-se a todos os domínios da conceção do Luce: da ergonomia à seleção e ao peso dos materiais, passando pela experiência de utilização e pela forma como condutor e automóvel interagem.
Daí também a decisão de reduzir a dependência de ecrãs táteis (embora exista um, ao centro, com 12,5”) e de recuperar vários controlos físicos (botões, manípulos, interruptores…) e instrumentos com inspiração nos mostradores analógicos de outros tempos.
A escolha dos materiais acompanha a proposta que a Ferrari pretende oferecer com este modelo: uma experiência de condução singular. Por isso, a LoveForm e o Centro Stile Ferrari recorreram de forma intensiva ao alumínio, maquinado a partir de blocos maciços e finalizado através de um processo avançado de anodização.
Crossover de luxo
Se o interior já foi revelado, o aspeto exterior continua guardado a sete chaves. A Ferrari fez um esforço evidente para manter curiosos à distância, como demonstra a camuflagem usada pelos protótipos de testes nos últimos meses.
Ainda assim, nem tudo ficou restrito aos corredores de Maranello. Sabe-se, por exemplo, que o Luce terá uma carroçaria mais elevada, com proporções próximas de um SUV, na linha do que se conhece do Ferrari Purosange.
Além disso, fala-se em quatro lugares no habitáculo e numa bagageira generosa, beneficiando do facto de assentar numa plataforma desenvolvida especificamente para o modelo. Essa base integra uma bateria com 122 kWh de capacidade, anunciada para uma autonomia até 530 quilómetros.
Mais de 1000 cv
Um conjunto de quatro motores elétricos dará ao Luce tração integral e deverá colocá-lo acima dos 1000 cv de potência, permitindo acelerar dos 0 aos 100 km/h em apenas dois segundos. A velocidade máxima indicada é de 310 km/h.
Como cada motor pode ser gerido de forma independente, abrem-se possibilidades praticamente ilimitadas ao nível do comportamento dinâmico. Isto mesmo com um peso anunciado a rondar os 2300 kg, o que torna o Luce no Ferrari mais pesado de sempre.
A diferença não é enorme, é verdade, já que o Purosangue ultrapassa os 2200 kg com todos os fluídos necessários ao seu funcionamento. Ainda assim, terá sido um dos maiores desafios para os engenheiros da marca italiana, que tem um talento raro para transformar engenharia em desejo.
Diz-se frequentemente que a Ferrari não vende automóveis: vende sonhos. E é exatamente isso que terá de conseguir com o Luce, que já tem um preço estimado: mais de 500 mil euros.
A revelação do Ferrari Luce acontece hoje, às 21h10 (a emissão começa alguns minutos antes), e pode ser acompanhada em direto no canal oficial de YouTube da marca.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário