A Fisker apanhou praticamente toda a gente de surpresa ao revelar quatro novidades no seu primeiro Dia de Visão do Produto. Ainda assim, houve um que se destacou claramente: o Fisker PEAR.
Durante o evento, o fabricante californiano apresentou a sua estratégia até 2026, desenhada para ampliar de forma expressiva uma gama que, por agora, se resume a um único automóvel: o SUV Ocean.
Para os próximos anos, a Fisker confirmou o Force E, um pacote que acrescenta novas capacidades fora de estrada ao Ocean, o Ronin, um GT descapotável de quatro portas, e a Alaska, uma carrinha de caixa aberta.
Apesar disso, o PEAR (sigla de Personal Electric Automotive Revolution) é apontado como o projecto mais arrojado e aquele que poderá colocar, de vez, a Fisker no radar global da indústria automóvel.
A chegada ao mercado está prevista para meados de 2025, com preços a partir de 29 900 dólares nos Estados Unidos da América (EUA) - cerca de 27 300 euros. A questão que fica é se esse valor se manterá na Europa.
Caso se confirme, será um posicionamento sem equivalente para um SUV eléctrico compacto, com rivais prováveis como o novo Ford Explorer, o Kia Niro EV ou, mais à frente, os futuros Peugeot e-3008 e Renault Scénic.
Como é que a Fisker vai conseguir este preço?
Henrik Fisker, fundador e director executivo, sublinhou na apresentação que, por querer que o PEAR seja um modelo “muito acessível”, isso obrigou “a uma abordagem de design distinta”.
Para explicar a lógica, recorreu ao exemplo do apoio de braço das portas: “neste veículo só temos um modelo de apoio de braço”, disse. Segundo Fisker, por ter um desenho simétrico, foi possível desenvolver uma única peça para as quatro portas, em vez de um componente específico para cada uma.
“Se alguém precisar de arranjar um apoio de braço só precisamos de mandar um, não precisamos de perguntar para que porta é”, acrescentou.
De acordo com o responsável máximo da marca, esta simplificação foi aplicada, sempre que possível, a outras áreas do PEAR, precisamente para manter os custos de produção sob controlo.
Com essa filosofia e com a utilização de uma nova plataforma dedicada, a SLV-1, o PEAR recorre a menos 35% de componentes do que teria se assentasse numa base convencional. O resultado é um fabrico mais simples e, por inerência, mais económico.
Preço «canhão» para conquistar o mundo
A Fisker não disfarça e assume que o PEAR nasce com um objectivo claro: gerar volume. A fasquia é elevada: Henrik Fisker quer estar a vender um milhão de PEAR por ano já em 2027.
Trata-se de um patamar muito expressivo e que faria do PEAR um dos automóveis - senão o automóvel - mais vendido do planeta. O Tesla Model Y persegue a mesma meta e pode alcançá-la já este ano.
Se o conseguir, poderá mesmo retirar ao Toyota Corolla o estatuto de carro mais vendido do mundo.
Resta saber se a Fisker conseguirá colocar o PEAR entre os campeões de vendas globais. Só o tempo o dirá, mas o argumento central está lançado: um preço-canhão (para o tipo de veículo em causa) abaixo dos 30 mil euros.
Lugar para seis pessoas
Ambição não falta à Fisker, que desenhou o PEAR como uma proposta fora do comum - algo que se percebe de imediato no exterior. Este SUV compacto aposta num desenho que dificilmente passa despercebido.
É na traseira que surge uma das soluções mais invulgares. A tampa da bagageira não abre para cima (em compasso) nem lateralmente: desce e «desaparece» por detrás do para-choques, numa solução que faz lembrar as portas do BMW Z1 e que facilita o acesso à mala em locais com pouco espaço ou com altura limitada.
Não surpreende, por isso, que a Fisker lhe chame Bagageira Houdini, numa alusão a Harry Houdini, um dos maiores ilusionistas de sempre.
Já no habitáculo, apesar das dimensões exteriores relativamente compactas (cerca de 4,5 m de comprimento), a marca promete versatilidade, modularidade e… seis lugares.
Sim, leu bem. À semelhança do que acontecia com o Fiat Multipla, o PEAR terá duas filas de bancos capazes de levar até três ocupantes em cada uma.
A diferença face ao Multipla está na primeira fila: o lugar do condutor é individual, enquanto o banco do passageiro é corrido e com dois lugares. No Multipla, todos os assentos eram individuais.
Ainda na zona dianteira, importa referir que o banco do lado do passageiro pode avançar e rebater totalmente, criando uma espécie de zona de estar para os passageiros traseiros (cujos bancos também rebatem por completo), formando uma base plana.
“Se quiserem podem inclusive dormir dentro deste carro”, afirmou Fisker durante a apresentação do interior do PEAR. Podem ver a apresentação completa aqui:
Ecrã rotativo só para a versão de cinco lugares
Embora a configuração de seis lugares tenha sido a escolhida para dar a conhecer o PEAR, o modelo também poderá ser encomendado numa opção mais tradicional, de cinco lugares.
Nesse caso, a consola central e o painel de instrumentos serão ligeiramente diferentes (já que não é necessário acomodar um ocupante ao centro na frente), abrindo espaço para a instalação do mesmo ecrã rotativo de 17,1” - em orientação vertical ou horizontal - que existe no Fisker Ocean.
E qual será a autonomia?
Deixámos as motorizações e as baterias para o fim por uma razão simples: nesta área, há muito pouco que seja oficial. A Fisker continua sem revelar detalhes e, por agora, o que existe são essencialmente rumores.
Ainda assim, segundo a britânica Autocar, o PEAR deverá ser proposto com duas baterias. Uma de menor capacidade, pensada para utilização sobretudo urbana, com autonomia até cerca de 240 km (150 milhas); e outra maior, capaz de ultrapassar os 484 km (300 milhas) de autonomia.
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