Declarações de Pedro Duarte em Anadia
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, afirmou este domingo que o chumbo da proposta do Governo para rever as leis laborais levou o Chega a “erguer o punho socialista”, deixando a CGTP-IN comovida e o PS sem rumo.
As declarações foram feitas por Pedro Duarte - agora indicado para vice-presidente do PSD - à chegada à sessão de encerramento do congresso social-democrata, em Anadia, no distrito de Aveiro.
Chumbo das leis laborais e governabilidade do executivo PSD/CDS
Questionado sobre se o executivo PSD/CDS mantém condições de governabilidade depois de a Assembleia da República ter chumbado, na sexta-feira, a proposta de revisão das leis laborais, o antigo ministro dos Assuntos Parlamentares considerou que a situação política “é exatamente a mesma”.
Acrescentou, ainda assim, que o episódio pode ter trazido maior nitidez ao quadro atual: "Talvez se verifique agora uma maior clarificação, porque foi um bom retrato daquilo que é hoje a situação política nacional. Basicamente, viu-se a CGTP-IN comover-se com o voto do Chega, o Chega a erguer o punho socialista virado para os comunistas e o PS desorientado, a aplaudir de pé. Mas, em relação ao PS, não se sabe muito bem se aplaudia o Chega, se aplaudia a CGTP-IN", declarou.
Chega, CGTP-IN e PS: leitura política
Confrontado com a questão de saber se Chega e PS podem ser vistos como parceiros fiáveis para o PSD, Pedro Duarte respondeu que o seu partido tem de aceitar o resultado expresso pelos eleitores nas últimas legislativas.
"Temos a obrigação - diria mesmo o dever democrático - de respeitar esse mesmo sentido de voto. Mas considerou que aquilo que aconteceu na sexta-feira foi o retrato claro da situação política atual. Portanto, os portugueses podem agora de maneira ainda mais evidente perceber o que está a acontecer", acentuou.
No mesmo enquadramento, defendeu que o mapa político atual já não se organiza como no passado, sustentando que a vida política do século XX “não se divide entre esquerda e direita, tal como acontecia no século XX”.
"Hoje divide-se entre aqueles que querem puxar o país para cima e os que querem puxar o país para baixo. As oposições têm-se juntado a puxar o país para baixo. Isso não é uma opção do governo, é uma opção das oposições", sustentou.
Vice-presidência do PSD e sucessão de Luís Montenegro
Interrogado sobre se a indicação para vice-presidente do PSD o coloca na linha de sucessão do líder do partido, Luís Montenegro, o presidente da Câmara do Porto rejeitou essa leitura.
"Para mim é absolutamente claro que não tenho qualquer ambição nem validade de exercer qualquer outra função política depois de ser presidente da Câmara do Porto. Não tenho qualquer validade dessa natureza. Estou muito feliz como presidente da Câmara do Porto, é assim que quero continuar e depois disso fazer outras coisas que não na vida política", reiterou.
Aguiar-Branco no Congresso Nacional do PSD
Também à entrada para o Congresso Nacional do PSD, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, recusou prestar declarações de natureza partidária.
"Sou militante desde 1974, não faço declarações políticas, venho ouvir os militantes, os congressistas. Não confundo a função de presidente da Assembleia da República com a de militante. Sabem que é assim desde que sou presidente da Assembleia da República", frisou José Pedro Aguiar-Branco.
O presidente do Parlamento acrescentou que a sua presença no Congresso Nacional do PSD tem como objetivo "observar e ouvir os congressistas - e nada mais".
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