Morte e reações
A escritora e jornalista Slavenka Drakulić, uma das autoras croatas com mais traduções em todo o mundo e uma voz destacada contra o patriarcado e o nacionalismo, morreu no sábado, aos 76 anos.
A notícia foi avançada pelo diário croata "Jutarnji List", publicação para a qual Drakulić escrevia, que indicou que a autora "Deixou-nos repentinamente".
Numa mensagem publicada na sua página de Facebook, a filha, Rujana Jeger, também escritora, agradeceu as manifestações de pesar e partilhou uma fotografia de infância ao lado da mãe, acrescentando: "Recordá-la-ei assim, sorrindo."
Percurso de Slavenka Drakulić e primeiros livros
Nascida em 1949, em Rijeka - cidade portuária no norte da Croácia - Slavenka Drakulić formou-se em literatura comparada e sociologia na Universidade de Zagreb, antes de iniciar o seu percurso literário no final da década de 1970.
Em 1984, lançou o primeiro ensaio, "Os pecados mortais do feminismo"; três anos depois, em 1987, publicaria o primeiro romance, "Hologramas do medo".
Foi, além disso, uma das primeiras figuras a colocar a luta feminista no centro do debate público na antiga Jugoslávia.
Feminismo, nacionalismo e as guerras nos Balcãs
No início dos anos 1990, Drakulić foi alvo, com outras quatro autoras - Jelena Lovrić, Rada Iveković, Vesna Kesić e Dubravka Ugrešić - de um ataque de teor misógino e nacionalista. As cinco foram tratadas como traidoras num texto com o título "Bruxas do rio", publicado no semanário "Globus", de Zagreb.
Com uma obra vasta, Drakulić - traduzida para mais de vinte línguas - escreveu sobre o comunismo e o fim do comunismo, sobre a subida do nacionalismo e sobre as guerras nos Balcãs que se seguiram à dissolução da Jugoslávia.
A opressão das mulheres atravessa a sua escrita: entre 1992 e 1994, deslocou-se a campos de refugiados na fronteira entre a Bósnia e a Croácia para recolher relatos de mulheres que tinham sido vítimas de violação em contexto de guerra.
Ao evocar, já recentemente, a controvérsia suscitada pelo ensaio "Os pecados mortais do feminismo", de 1984, Drakulić criticou a lentidão com que os direitos das mulheres têm avançado na Croácia.
"Os temas são os mesmos, os problemas são os mesmos, a luta é a mesma. A violência contra as mulheres não diminui e os direitos reprodutivos voltam a estar ameaçados (...). O patriarcado é muito tenaz", alertou a autora, que romantizou a vida de grandes mulheres, como a artista mexicana Frida Kahlo ou a matemática sérvia Milena Einstein.
Vida entre Estocolmo e a Croácia e trabalho na imprensa
A escritora dividia a vida entre a Suécia, em Estocolmo, e a Croácia, o país onde nasceu e onde morreu. Tinha, entretanto, acabado de publicar um novo livro, "Porque eu nunca aprendi a cozinhar", que cruza gastronomia e feminismo.
Para lá de colaborar com vários órgãos de comunicação social croatas, Drakulić escreveu também para a imprensa internacional, incluindo "The New York Times", "El Mundo", "The Nation" e "The Guardian".
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