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Al-Jazeera denuncia "assassínio deliberado" após bombardeamento israelita que matou Ahmed Wishah em Gaza

Equipamento de jornalista: colete, câmara, tripé e capacete num cenário urbano destruído e poeirento.

Al-Jazeera classifica morte de Ahmed Wishah como um "assassínio deliberado"

A televisão Al-Jazeera descreveu como um "assassínio deliberado" o bombardeamento israelita que matou Ahmed Wishah, quando o operador de câmara se encontrava em casa, no campo de refugiados de Bureij, no centro de Gaza.

Num comunicado, a Al-Jazeera voltou a apelar à comunidade internacional e às instituições jurídicas para que sejam tomadas "medidas urgentes e concretas que exijam a responsabilização dos funcionários israelitas envolvidos nestes crimes atrozes".

Vítimas em Gaza apesar do cessar-fogo

As equipas de resgate da Defesa Civil indicaram que, no ataque em que Wishah morreu, outros dois habitantes de Gaza também perderam a vida. Segundo dados do Ministério da Saúde, estas mortes somam-se a outras seis registadas em ataques por toda a Faixa de Gaza, apesar do cessar-fogo.

Histórico de mortes na Al-Jazeera e o caso Mubasher

De acordo com o canal, a morte de Wishah, correspondente do serviço em árabe Mubasher, junta-se à de outros 11 profissionais da Al-Jazeera assassinados por Israel em Gaza desde o início da ofensiva militar, em outubro de 2023, na sequência dos ataques do Hamas.

Entre esses casos está o do irmão de Ahmed, Mohamed Wishah, que, há meses, foi também assassinado por Israel, num ataque com um drone ao seu veículo na Cidade de Gaza. Nesse ataque morreu ainda um segundo passageiro, segundo confirmaram, a 8 de abril, a Defesa Civil local e o próprio canal.

Posição do Exército israelita e rejeição do canal

O Exército israelita afirmou, num comunicado publicado no X, que Ahmed Washah desempenhava, para além de jornalista, o papel de "atirador furtivo do Hamas", uma acusação semelhante à que tinha feito contra o seu irmão em abril passado.

As forças israelitas sustentaram ainda que Ahmed foi morto num "ataque preciso", juntamente com dois combatentes do Hamas, e que teria atuado como "atirador de elite" no movimento islamista palestiniano.

A emissora, com sede no Catar, já rejeitou as acusações israelitas, ao mesmo tempo que a família e os colegas lamentam a morte de Ahmed no território palestiniano.

A Al-Jazeera acusa Israel de conduzir uma "campanha" de divulgação de "alegações falsas e acusações infundadas contra os funcionários" da estação, numa "tentativa óbvia e vã de justificar o ataque deliberado a jornalistas e operadores de câmara".

Segundo um balanço da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) no final de 2025, mais de 220 jornalistas foram mortos por Israel em Gaza desde o início da guerra, em outubro de 2023, incluindo pelo menos 70 que estariam a trabalhar no exercício das suas funções.

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