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Air Invictus reúne 350 mil pessoas nas margens do rio Douro

Criança com balão azul no colo de adulto observa avião sobre rio, enquanto multidão regista o momento.

Air Invictus enche o Douro com centenas de milhares de pessoas

Quase 300 quilómetros separavam a família de José Valério do local onde decidiu celebrar os 69 anos, este sábado. Ainda assim, a viagem não os demoveu: instalaram-se no Cais de Gaia, sentados no chão, com uma tenda de campismo montada e uma manta estendida, a alternar a atenção entre o céu e o aniversariante. A comemoração fez-se ali mesmo, a acompanhar o primeiro dia do Air Invictus.

À semelhança dos Valério, cerca de 350 mil pessoas reuniram-se nas duas margens do rio Douro para ver os pequenos aviões a desenharem manobras e a rodopiarem no alto.

Uma festa de aniversário em família no Cais de Gaia

O grupo veio de vários pontos do país: uns de Ourém, outros de Torres Novas e alguns da Marinha Grande. Há cerca de um mês, coordenaram-se para preparar uma celebração diferente para José Valério. “Viemos numa edição do Red Bull Air Race, em 2017, e gostámos. Quando vimos publicitar o Air Invictus, decidimos vir também e fizemos uma mini festa de anos cá, no Porto, para o nosso pai”, explica Paula Valério.

Para garantir lugar e conforto, chegaram cedo e trouxeram tudo o que consideraram necessário para um dia longo ao ar livre, incluindo para os momentos menos animados. “Trouxemos a tenda para os miúdos, por causa da sombra e para se entreterem e nos deixarem ver o espetáculo. Eles gostam de ver um bocadinho, mas cansam-se depressa e, assim, aguentam a tarde toda. Trouxemos, também, algumas bebidas frescas e comida”.

Mesmo longe de casa, José manteve por perto o essencial: a esposa, as filhas, os genros e os netos. Sentado num banco, “como se de um trono de tratasse”, acompanhou a vista sobre o Douro com ar de quem está no centro da festa. “Era a festa que estava à espera e estou muito feliz por este evento. O espetáculo está muito acima daquilo que eu esperava”, garante.

Vista da Ribeira

Do lado do Porto, a margem apresentou-se igualmente cheia. Entre olhares fixos no céu, as aeronaves atravessavam o cenário a grande velocidade.

Uma surpresa vinda de Lisboa para o pequeno Marco

Alexandre Haliabarda e a esposa souberam do evento pelas redes sociais e seguiram de Lisboa para norte com um objetivo: surpreender o filho Marco, de seis anos. “Viemos os três, mas sem ele saber para onde. Dissemos-lhe só que vínhamos passear”, conta o imigrante ucraniano, a viver em Portugal há uma década.

A reação do menino não deixou dúvidas. “Quando chegámos cá e ele começou a ver os aviões, ficou mesmo chocado e muito feliz, até gritava. Ele gosta mesmo disto. Todos os fins de semana, nós vamos com ele ao aeroporto de Lisboa, porque ele quer ver aviões”, acrescenta Alexandre.

Corridas retomadas ao fim da tarde

Já perto do final do dia, no jardim junto à Alfândega do Porto, ainda havia muitos visitantes à espera de mais passagens. Depois de uma pausa preenchida com demonstrações de aeronaves militares, as corridas voltaram a decorrer por volta das 18.30 horas. Assim que o primeiro veículo começou a notar-se ao longe, no céu de Gaia, ouviam-se tentativas entusiasmadas de adivinhar o modelo.

Nem todos tinham planeado assistir ao festival. Lara, Andrea e Deanna, três amigas canadianas de férias no Porto, foram apanhadas de surpresa. “Achávamos que vínhamos fazer um passeio à beira-rio, mas, depois, vimos esta linda multidão e este ambiente”, partilha uma delas. “Ver este espetáculo aéreo é uma sensação maravilhosa. É quase tão emocionante como ver o Mundial” de futebol, dizem.

A última vez que o Douro recebeu um espetáculo de aviões foi em 2017, durante a Red Bull Air Race. António Monteiro sublinha o impacto do regresso: “Tínhamos saudades desta multidão. É muito bom para o turismo e para as pessoas da cidade”. A mesma ideia é defendida por Manuela Cunha, responsável pela sede do Grupo Desportivo Infante Dom Henrique: “E venham mais eventos, estamos aqui para os fazer”. Hoje, voltam a existir mais voos sobre o rio.

Espetáculo de drones bate recorde do Guinness

Na sexta-feira à noite, o arranque do Air Invictus levou milhares de pessoas até Matosinhos para um espetáculo de drones. No total, 3097 aeronaves não tripuladas alcançaram um novo recorde europeu de voo sincronizado, ultrapassando o anterior máximo de 3050 drones.

O recorde, validado no local pelo Livro Mundial dos Recordes da Guinness, foi obtido num espetáculo comparticipado pela organização do Air Invictus, pela Câmara Municipal de Matosinhos e pela Flock Drone Arte. A presidente da autarquia, Luísa Salgueiro, e o fundador da empresa que organiza o festival, Luís Castro, receberam o galardão que certifica a nova marca europeia.

De acordo com números da organização, o primeiro dia do Air Invictus levou cerca de 50 mil pessoas à praia do Titan, em Matosinhos, e terminou com música no areal. Êxitos dos anos 90 e 2000 fecharam uma jornada que começou a ganhar altitude durante a tarde, no Aeródromo de Vilar de Luz, na Maia, com acrobacias aéreas que abriram o apetite para o que se viu ontem no Porto e para o que ainda poderá ser visto hoje, a partir das 12 horas.

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