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Protesto de motoristas TVDE em Lisboa passa por Uber e Bolt

Grupo de pessoas numa manifestação pacífica numa rua urbana com carros estacionados e placas em branco.

Cerca de uma centena de motoristas e operadores TVDE manifestam-se esta quarta-feira, em Lisboa, para exigir que plataformas e Governo olhem com mais atenção para o setor, numa fase em que a legislação da atividade está a ser revista.

Reivindicações e revisão da legislação do TVDE

Em modo de manifesto, os participantes apontam como exigências principais o "aumento urgente das tarifas", a "rejeição da entrada do setor do táxi" no regime TVDE e o "apoio ao aumento do preço dos combustíveis".

Ivo Fernandes, da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD), e Victor Soares, da Associação Nacional Movimento - TVDE (ANM-TVDE), indicaram à Lusa que o protesto acontece num momento em que motoristas e operadores "se alinharam num conjunto de reivindicações, embora ainda haja algumas divergências".

Marcha em Lisboa até Bolt, Uber e Assembleia da República

Com t-shirts pretas e, nalguns casos, balões negros nas mãos, motoristas e operadores saíram pelas 10h45 numa marcha a pé, seguindo em direção às sedes da Bolt (Avenida da Liberdade) e da Uber (Avenida Barbosa du Bocage), estando prevista a chegada à Assembleia da República por volta das 13h.

Durante o percurso, um dos motoristas, com um megafone, incentivou os colegas a fazerem barulho, lembrando que não estão num velório e que precisam de ser ouvidos, o que levou a um coro de assobios, apitos e palmas.

O mesmo motorista apelou ainda a que os colegas ligassem as aplicações móveis, mas não aceitassem serviços.

Segundo a APTAD, a ação é dinamizada por motoristas e operadores TVDE e conta também com a participação de criadores de conteúdo nas redes sociais, incluindo Bruno Benedito, Tiago Sousa "TVDE do tuga", Rui TVDE e Américo Matos.

Tensão junto à sede da Uber durante o protesto TVDE

À chegada à sede da Uber, os manifestantes salientaram que a empresa gosta de lhes "levar 40, 50, 65 por cento de comissão" e entoaram "é, é, é, respeitem os TVDE".

Os ânimos subiram de tom quando os representantes do protesto, que foram entregar o caderno reivindicativo, regressaram do interior do edifício e afirmaram não ter sido recebidos por Francisco Vilaça, diretor-geral da Uber em Portugal.

Tiago Sousa, da organização do protesto, afirmou à Lusa que, nos últimos cinco anos, "houve uma inflação de 20% em todos os produtos, houve o aumento das tarifas da Bolt em 10%, da Uber em 5%" e, entretanto, realizam-se viagens "a menos de 40% do que há cinco anos atrás, o que está a tornar a atividade inviável".

Ainda de acordo com Tiago Sousa, do canal TVDE do Tuga, qualquer motorista TVDE está a fazer "médias superiores a 12, 13 horas por dia para conseguir levar menos do que um ordenado mínimo para casa".

Paralisação anunciada por estafetas e motoristas das plataformas

Num comunicado enviado à Lusa, um grupo que assina como "pessoas que trabalham como estafetas e motoristas das plataformas Glovo, Uber Eats e TVDE em todo o país" divulgou que irá avançar com uma paralisação de 24 horas.

Dados oficiais sobre motoristas e operadores TVDE

Segundo os dados oficiais disponíveis na plataforma criada pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes, em colaboração com a UBER e a Bolt, para acompanhar a atividade TVDE, no mês de março estavam registados 39.615 motoristas certificados ativos e o total de operadores ativos era de 14.649.

Uber garante operação normal durante protesto de motoristas TVDE em Lisboa

A Uber garantiu que a operação se mantém a funcionar normalmente, apesar do protesto. Em resposta enviada à Lusa sobre a manifestação e as respetivas razões, a Uber Portugal afirmou respeitar "o direito à manifestação de todos os que utilizam a nossa plataforma, desde que exercido com respeito pela segurança e pela ordem pública", acrescentando que "a operação está a funcionar dentro da normalidade, como é habitual nestas situações".

Na mesma nota, a empresa referiu que tem mantido um diálogo regular e construtivo com motoristas e parceiros de frota.

"Foi precisamente por acreditarmos que é através do diálogo social que se deve procurar melhorar as condições de trabalho de quem usa plataformas que celebrámos recentemente um acordo pioneiro com o SINDEL, afiliado da UGT, que introduz uma garantia de rendimento, um seguro para todos os motoristas e um modelo de representação adaptado à realidade do trabalho em plataformas digitais", sublinha a Uber.

Sobre preços, a Uber esclarece que subir preços, por si só, não significa automaticamente rendimentos mais altos, sobretudo num cenário de aumento generalizado de preços para os consumidores.

Para a empresa, neste contexto, "o foco deve estar sobretudo na redução de custos operacionais, por exemplo, através da eletrificação da frota, o que pode reduzir o custo por km do combustível (ou energia) em mais de 60%".

"Os preços precisam de ser a todo o momento simultaneamente acessíveis para consumidores e recompensadores para motoristas e operadores. É este equilíbrio dinâmico que permite gerar mais oportunidades de rendimento de forma consistente", é referido na nota.

A plataforma recorda ainda que a informação relativa a cada viagem "é apresentada de forma transparente aos motoristas, antes da viagem, e estes podem decidir livremente aceitá-la ou não, sem qualquer penalização".

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