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43.º Congresso Nacional do PSD: Montenegro confirma Comissão Política Nacional; Bugalho, Moedas e Pedro Duarte entram; Conselho Nacional perde força

Homem a discursar num púlpito com várias pessoas sentadas e a aplaudir, bandeiras de Portugal visíveis.

O 43.º Congresso Nacional do PSD, que decorreu no Velódromo de Sangalhos, em Anadia, ficou concluído este domingo com a votação dos órgãos nacionais do partido. Apesar de a nova Comissão Política Nacional apresentada por Luís Montenegro ter sido aprovada com ampla margem, os resultados do Conselho Nacional - o principal órgão entre congressos - evidenciam uma diminuição do apoio à atual direção quando comparado com 2024. Sebastião Bugalho, Carlos Moedas e Pedro Duarte passam a integrar a liderança partidária.

A lista do primeiro-ministro para a Comissão Política Nacional, responsável pela condução política permanente do PSD, reuniu 573 votos favoráveis, o que corresponde a 88% dos votos expressos, num total de 673 delegados votantes. Registaram-se ainda 21 votos nulos e 60 votos em branco. Este desempenho fica aquém do obtido nos dois congressos anteriores: em Braga, em 2024, a equipa de Montenegro tinha alcançado 92,3% dos votos e, em 2022, no Porto, 91,6%.

Na nova direção surgem três entradas de destaque: o eurodeputado Sebastião Bugalho, que acumula agora a função de porta-voz do partido, e os presidentes das câmaras municipais de Lisboa e do Porto, Carlos Moedas e Pedro Duarte, respetivamente, que foram eleitos vice-presidentes. Leonor Beleza permanece como primeira vice-presidente, enquanto Alexandre Poço, antigo presidente da Juventude Social Democrata, e Inês Palma Ramalho continuam em funções equivalentes. Hugo Soares mantém-se no cargo de secretário-geral.

Deixam o elenco dirigente Carlos Coelho, que passa a assumir a presidência do Instituto Sá Carneiro, e Lucinda Dâmaso, presidente da UGT, ao passo que Rui Rocha passa a vogal. Entre os vogais, continuam vários ministros do Governo - Paulo Rangel, Miguel Pinto Luz, Margarida Balseiro Lopes, António Leitão Amaro e Joaquim Miranda Sarmento - além de Fermelinda Carvalho, Helena Teodósio, Germana Rocha e Filomena Sintra. O ex-ministro Pedro Reis sai da Comissão Política Nacional, mas integra a lista da direção ao Conselho Nacional.

Quanto à Comissão Nacional de Auditoria Financeira, a lista indicada pela direção, liderada pela ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi aprovada com 603 votos a favor.

Conselho Nacional do PSD: maioria absoluta, mas com menos força do que em 2024

Na eleição para o Conselho Nacional - órgão com competências alargadas entre congressos e que inclui, por inerência, os presidentes das distritais -, a lista da direção, encabeçada pela ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, assegurou a maioria absoluta, embora com sinais nítidos de desgaste.

De acordo com os resultados oficiais divulgados pela Mesa do Congresso, a lista A garantiu 41 dos 70 conselheiros, correspondendo a 58,5% dos lugares. Trata-se de uma descida em relação a 2024, quando a direção tinha obtido 46 lugares (65% do total) num congresso em que, tal como agora, se apresentaram quatro listas.

A lista B, liderada por João Gomes da Silva - que já se tinha apresentado há dois anos -, foi a segunda mais votada e elegeu 18 conselheiros. A lista C, apresentada sob a designação de "consciência crítica" e agregando personalidades habitualmente associadas a candidaturas autónomas, conquistou nove lugares. Já a lista D elegeu apenas o seu subscritor, Rogério Gomes.

No Conselho de Jurisdição Nacional (CJN), a lista apoiada pela direção - encabeçada pelo ministro Adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias - foi a mais votada e garantiu seis dos nove lugares. A lista B, liderada por José Miguel Bettencourt, elegeu os outros três membros, repetindo o resultado do congresso anterior.

Bolieiro eleito presidente da Mesa do Congresso do PSD

José Manuel Bolieiro, líder do PSD/Açores e presidente do Governo Regional dos Açores, foi escolhido para presidente da Mesa do Congresso do PSD com 92,7% dos votos. Bolieiro sucede a Miguel Albuquerque, líder do PSD/Madeira, que desempenhava essas funções desde 2022 e que, no sábado, comunicou que não voltaria a candidatar-se, sublinhando tratar-se de uma decisão pessoal e sem ligação a atritos com a direção nacional.

Ainda assim, a saída ocorre após semanas marcadas por tensão entre Albuquerque e a liderança do partido, relacionada com dossiês pendentes entre a Madeira e o Governo da República. Para vice-presidentes da Mesa foram eleitos Rubina Leal e João Manuel Esteves, e para secretários Júlia Fernandes, Fernando Queiroga, Hernâni Dinis e Sónia Ferreira.

O pano de fundo: reeleição sem oposição no PSD

A escolha agora feita para os órgãos nacionais surge na sequência da recondução de Luís Montenegro, a 30 de maio, para um novo mandato de dois anos na presidência do PSD, com 94,8% dos votos em eleições diretas às quais concorreu sem oposição interna. A participação terá rondado 27% dos militantes inscritos.

No sábado, primeiro dia do congresso, a moção de estratégia global apresentada por Montenegro, "Trabalhar - Fazer Portugal Maior", foi aprovada por unanimidade numa votação por braço no ar. As eleições para os órgãos nacionais realizaram-se na manhã de domingo, antes da sessão de encerramento do congresso, que ficou marcada por um discurso do presidente do partido.

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