Além das novas gerações que chegam aos concessionários e da estreia de modelos (alguns deles inéditos) nas gamas das marcas, 2020 será também um ano forte em revisões dos automóveis que já estão à venda. Vai haver muitos modelos de “cara lavada”: atualizações de meio de ciclo, reestilizações e, como tem acontecido cada vez mais, reforços tecnológicos.
O ritmo atual do setor automóvel é tal que esperar por uma geração totalmente nova para integrar soluções recentes - seja na eletrificação, na conectividade ou nos assistentes à condução - pode simplesmente significar ficar demasiado tempo para trás.
Otimizar e reforçar
As primeiras atualizações anunciadas para 2020 (muitas delas ainda em 2019) mostram bem a tendência: a prioridade tem sido adicionar tecnologia, sobretudo em segurança e ligação digital. Em casos específicos, como em alguns elétricos, a grande “novidade” passa por uma atualização de… programa, quase como se estivéssemos a falar do sistema do nosso computador ou telemóvel.
Entre estes, o Audi e-tron - com a chegada da nova variante Sportback - trouxe várias otimizações (ao nível do suporte físico e do suporte lógico) para o resto da gama, o que se traduziu em mais 25 km de autonomia. O Jaguar I-Pace recebeu um tratamento semelhante, com uma atualização do suporte lógico da gestão das baterias, que lhe permitiu somar 20 km. E, como seria de esperar, o “mestre das atualizações”, o Tesla Model 3, também acumulou várias melhorias, com ganhos de potência/desempenho e novas funções no seu sistema de infoentretenimento.
No Honda Civic, 2020 traz mudanças práticas: voltam a existir… botões - “sim, botões…” - para ajudar a controlar o sistema de infoentretenimento. Há ainda mais escolhas em equipamentos de conforto, como bancos com regulação elétrica. No exterior, contem com pequenos ajustes na frente - entradas de ar com desenho revisto - e com os faróis LED a passarem a ser equipamento de série.
Já o (ainda) topo de gama da marca alemã, o Opel Insignia, recebe uma revisão frontal muito discreta, mas soma uma nova câmara traseira e, com ela, um reforço dos assistentes à condução.
Por último, “O” monovolume Renault Espace também foi alvo de um novo pacote tecnológico e passa a contar com óticas LED Matrix Vision, uma estreia na marca francesa. Por dentro, surge uma consola central redesenhada, que integra igualmente o mais recente sistema de infoentretenimento da Renault, o Easy Connect.
De cara lavada
Para lá dos reforços tecnológicos, 2020 vai mesmo trazer modelos com reestilização visível. Um dos primeiros é o Mitsubishi Space Star, com uma frente completamente nova - já revelado e… já testado -, com chegada a Portugal em março.
Também o Citroën C3 vai atualizar a dianteira, numa tentativa de se manter competitivo face à forte concorrência interna, em especial o Clio e o 208, que prometem dominar o segmento em 2020.
Além disso, por continuar a usar a plataforma PF1 - ao contrário do novo 208, que recorre à mais recente CMP -, a eletrificação não deverá ser uma opção para o C3, obrigando-o a apostar noutros argumentos. Assim, é provável um foco maior no conforto: a introdução das suspensões com batentes hidráulicos progressivos tem sido uma das hipóteses mais faladas, o que poderá diferenciá-lo dos rivais.
Subindo de segmento, é o Hyundai i30 que se prepara para uma reestilização que, ao que tudo indica, será mais evidente do que o habitual. A principal novidade será a chegada de uma versão híbrida recarregável, acompanhada pelos sistemas mais recentes de infoentretenimento e de assistência à condução.
Uma proposta híbrida recarregável é, igualmente, o destaque no renovado Renault Mégane. Se no exterior não se antecipam alterações profundas, no interior - tal como no Espace - deverá passar a incluir o novo sistema de infoentretenimento estreado no Clio.
Mudando para a tipologia dos utilitários desportivos, e começando pelo Peugeot 3008, a “galinha dos ovos de ouro” do construtor de Sochaux vai receber retoques nas extremidades, aproximando-se do estilo dos mais recentes 508 e 208. As versões híbridas recarregáveis Hybrid e Hybrid4 são recentes, pelo que não se esperam grandes mudanças na parte mecânica. O 5008 deverá seguir o mesmo caminho, embora tudo aponte para que não conte com a mesma oferta de motorizações híbridas.
No universo Volkswagen, o SEAT Ateca é o que deverá mudar mais, ao adotar uma frente inspirada no Tarraco. Já o Skoda Kodiaq e o Volkswagen Tiguan também terão dianteiras revistas, mas o principal trunfo será a introdução de uma versão híbrida recarregável em ambos, usando a mesma solução já aplicada (também) no Tarraco. Ainda no Tiguan, a versão R - inicialmente apontada para 2018 - deverá finalmente surgir com a reestilização.
Ainda dentro do mesmo grupo, o Volkswagen Arteon deverá ser atualizado de forma semelhante ao que vimos no Volkswagen Passat, já apresentado - e também conduzido -. Com maior ênfase na tecnologia, a surpresa pode estar na adição de uma variante carrinha. Entre as berlinas médias, destaque também para a reestilização do Renault Talisman, que receberá as mesmas atualizações já vistas no Espace.
De cara lavada, edição de luxo
As marcas de luxo seguem a mesma lógica e também vão apresentar vários modelos reestilizados em 2020. Entre os primeiros, os rivais BMW Série 5 e Mercedes-Benz Classe E serão atualizados.
No caso do BMW Série 5, não se prevê uma transformação exterior tão marcante como a que aconteceu no Série 7 no início de 2019. Ainda assim, deverá estrear novas óticas e uma grelha mais evidente, além das habituais melhorias tecnológicas. Sem confirmação total, fala-se numa nova variante híbrida recarregável acima do atual 530e. Naturalmente, o M5 também será revisto - “há a possibilidade de também receber um novo motor…”
Para o Mercedes-Benz Classe E, o tipo de intervenção deverá ser equivalente. As diferenças deverão concentrar-se na dianteira, com um conjunto grelha-óticas revisto, e a gama deverá passar a integrar o sistema MBUX. Tal como no Série 5, é provável um reforço da oferta híbrida - já existem duas propostas, a gasolina e gasóleo -, como vimos no GLE que, graças a uma bateria com muito maior capacidade, anuncia 99 km de autonomia 100% elétrica.
No mesmo segmento, os suecos Volvo S90 e V90 também serão atualizados. Por fora, as alterações deverão ser mais contidas do que nos alemães (aparentemente limitadas às óticas), mas no interior sobressai a introdução de um novo sistema de infoentretenimento baseado em Android, que inclui o Google Assistant - solução que já vimos ao vivo no Polestar 2. Não são esperadas novidades mecânicas, com exceção da chegada de sistemas híbridos ligeiros. Ahh… e a partir de 2020, todos os Volvo deverão ficar limitados eletronicamente a 180 km/h.
Ainda no campo das berlinas, mas num patamar acima, é o Porsche Panamera que será atualizado. A marca de Estugarda não costuma mexer muito no visual nestas revisões a meio ciclo, mas a surpresa pode estar na introdução de uma nova versão híbrida de topo, acima dos 680 cv do Turbo S E-Hybrid - o denominado projeto “Lion”. Os rumores apontam para… 800 cv.
Uma arma ideal para medir forças com o já confirmado Mercedes-AMG GT 73 de 4 portas, que também deverá apresentar um valor de potência próximo desse, ao combinar hidrocarbonetos com eletrões.
Saltando para os utilitários desportivos, o Audi Q5 recebe uma “lavagem de cara” em 2020, juntando-se ao já revelado Audi A5. No SUV alemão, a intervenção deverá seguir a linha do que aconteceu com o A4 - talvez com alterações estéticas mais moderadas -, com o foco num sistema de infoentretenimento reforçado e na introdução de motorizações híbridas ligeiras.
Objetivo 2020: renovar tudo
Há ainda marcas em que a atualização não se limita a um ou dois modelos: em alguns casos, quase toda a gama (ou a sua maioria) deverá receber mudanças estéticas, mecânicas e tecnológicas.
A Jaguar é um desses exemplos e, depois do XE já em comercialização, foi recentemente apresentado o F-Type reestilizado - nova frente, painel de instrumentos digital e gama de motores reorganizada, com a Europa a perder o V6, mas a ganhar um V8 -, ao qual se seguirá, em 2020, o resto da oferta.
O F-Pace deverá ser o primeiro a aparecer, com retoques visuais, e os rumores apontam para a chegada do novo Ingenium de seis cilindros em linha a gasolina, bem como para a introdução de uma variante híbrida recarregável, à semelhança dos Range Rover P400e. O E-Pace também já foi visto em testes na estrada, tal como o XF, seja na berlina ou na carrinha. Este último deverá mudar de forma mais profunda, por dentro e por fora, em linha com o que foi feito no XE.
Mais a sul, em Itália, a FCA - que esteve recentemente nas notícias pela confirmação da fusão com a PSA - encara 2020 como um ano de viragem. Após demasiado tempo com poucas novidades na Europa, o próximo ano deverá ser particularmente preenchido, entre estreias absolutas e várias atualizações a modelos já conhecidos.
Os Alfa Romeo Giulia e Stelvio - previstos para uma atualização mais profunda em 2021 - chegam a 2020 com melhorias sobretudo tecnológicas. Do sistema de infoentretenimento - nova versão e ecrã agora tátil - aos assistentes à condução (passam a ser nível 2 na escala da condução autónoma). Com o fim anunciado do 4C e o fim esperado do Giulietta em 2020, a Alfa Romeo fica reduzida a dois modelos.
Os Fiat Panda, Fiat 500 e Fiat Tipo preparam-se para receber novas motorizações híbridas ligeiras (12 V) em 2020 - é urgente reduzir emissões - e também um sistema de infoentretenimento atualizado.
No Panda e no 500, será introduzida uma versão atmosférica do 1.0 Firefly - o mesmo usado nos Jeep Renegade e Fiat 500X. No Panda, segundo os rumores, a revisão estética deverá ser mais profunda, tanto no interior como no exterior. No Tipo, a atualização deverá traduzir-se na adoção do 1.0 Firefly Turbo e, possivelmente, do 1.3 Firefly Turbo, sempre com híbrido ligeiro (12 V). Esta solução eletrificada poderá ainda ser alargada ao Fiat 500X.
Por fim, a Maserati terá um 2020 fora do comum, com muita atividade. Para lá do superdesportivo híbrido, toda a restante gama - Ghibli, Levante e Quattroporte - será renovada. Do pouco que se conhece, o reforço dos assistentes à condução é um dos pontos-chave (nível 2 melhorado de condução autónoma), mas será a versão híbrida recarregável do Ghibli a concentrar as atenções.
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