No dia 13 de maio, o edifício Francisco Pinto Balsemão, no Grupo Impresa, recebe um encontro dedicado ao cancro ginecológico. Médicos e associações juntam-se para debater o Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, refletir sobre como encurtar o tempo entre o diagnóstico e o tratamento - com impacto direto na sobrevivência - e discutir caminhos para melhorar os cuidados de oncologia ginecológica em Portugal. Neste contexto, será também apresentado o projeto “OncoGyn PT – Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico” e um conjunto de recomendações que poderão sustentar decisões de política de saúde, com o objetivo de aumentar a sobrevivência e elevar a qualidade dos cuidados prestados.
Cancro ginecológico em Portugal: desafios que persistem
Quando o tema é cancro ginecológico - e, em particular, cancro do ovário - continuam a existir obstáculos relevantes. Ana Luísa Matias, médica e membro do Grupo de Estudos de Saúde da Mulher (GESM) da APMGF, identifica vários pontos críticos: “os sintomas inespecíficos associados ao cancro do ovário limitam o diagnóstico precoce; os profissionais de saúde nem sempre estão atentos ou sensibilizados para esta tipologia; a baixa literacia em saúde leva a que as mulheres nem sempre procurem o seu médico de família ou ginecologista; não existem centros especializados no tratamento destes cancros ou, consoante a área geográfica, as doentes têm diferentes tempos de resposta ao nível hospitalar.”
3 mil
é o número de cancros ginecológicos que se estima serem diagnosticados, anualmente, em Portugal
OncoGyn PT: Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico
É precisamente para responder a este conjunto de desafios que nasce o projeto “OncoGyn PT – Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico”, coordenado pela investigadora Mariana Zagalo, da NOVA Medical School Scientific Services. Como descreve a responsável, “Através de uma abordagem multifásica – incluindo revisão da literatura, grupos focais multidisciplinares e desenvolvimento de um documento de consenso com recomendações – o objetivo foi claro: apoiar a tomada de decisão baseada na evidência, propondo medidas concretas orientadas para reduzir atrasos no diagnóstico, otimizar o acesso à inovação terapêutica e promover a equidade no acesso aos cuidados de saúde em Portugal”.
A investigadora sublinha ainda a utilidade deste tipo de iniciativa para retratar o cenário nacional com método e para recentrar o sistema na pessoa com doença oncológica: “Projetos como o OncoGyn PT são particularmente relevantes porque permitem caracterizar esta realidade de forma estruturada e reforçar a centralidade da pessoa com doença oncológica no sistema de saúde, reconhecendo que cada diagnóstico corresponde a uma trajetória clínica individualizada e dinâmica”. Mariana Zagalo acrescenta que os atrasos entre a confirmação do diagnóstico e o arranque do tratamento são “estruturais”, que as diferenças no acesso são “sistémica”, que a inovação não chega a todos de igual modo e que o peso socioeconómico é “substancial”.
“Acompanhamos as pessoas e apoiamos com informação útil”, diz Tamara Milagre sobre a associação Evita
Evita: apoio no cancro hereditário antes, durante e depois do teste genético
Além de Ana Luísa Matias e Mariana Zagalo, Tamara Milagre, presidente da associação Evita, também vai estar no evento. A responsável enquadra o percurso da associação: “A Evita foi fundada em 2011 e, na altura, ao nível global, foi a primeira associação a apoiar portadores de qualquer uma das síndromes de cancro hereditário”, como o da mama, ovário, próstata ou outros.
Sobre o trabalho desenvolvido, Tamara Milagre detalha: “A nossa missão é apoiar as pessoas antes, durante e depois do teste genético, ou seja, todo o percurso do portador antes de ser identificado até ser encaminhado para rastreios personalizados. Acompanhamos as pessoas e apoiamos com informação útil, por isso, temos também bastantes materiais informativos para dar às pessoas. E fazemos este acompanhamento para que o percurso seja o mais agradável e com os melhores resultados possíveis.”
Conferência “Doenças Esquecidas, Pessoas Únicas”: o essencial
O que é?
O ponto de partida desta conferência é o projeto “OncoGyn PT – Diagnóstico, Tratamento e Acesso no Cancro Ginecológico”. A sessão pretende reunir especialistas para debater respostas possíveis aos principais desafios enfrentados por doentes com cancro ginecológico, bem como formas de evoluir os cuidados especializados e melhorar a resposta do serviço de saúde.
Quando, onde e a que horas?
O evento realiza-se a 13 de maio, entre as 15h00 e as 19h00, no edifício Francisco Pinto Balsemão, no Grupo Impresa.
Quem são os oradores?
- Lúcia Domingues, professora e coordenadora da NOVA Medical School Scientific Services / NOVA CRU
- Isabel Fernandes, médica oncologista e diretora do Plano Nacional para as Doenças Oncológicas da DGS
- Mariana Zagalo, investigadora da NOVA Medical School Scientific Services
- Presidente da Associação MOG
- Ana Luísa Matias, especialista em Medicina Geral e Familiar e membro do Grupo de Estudos de Saúde da Mulher (GESM) da APMGF
- Fátima Vaz, médica especialista em oncologia
- Hugo Gaspar, especialista em ginecologia e membro da direção da SPGO
- Miguel Abreu, professor e especialista em oncologia
- Tamara Milagre, presidente da Evita
- Hugo Soares, Science Manager da AICIB e co-coordenador do projeto ECHoS
- Nuno Bonito, especialista em oncologia e presidente da SPO
- Xavier Barreto, presidente da APAH
- Jeroen van der Lans, diretor-geral da GSK
Porque é que este tema é central?
Com cerca de três mil diagnósticos anuais estimados em Portugal, torna-se prioritário analisar a incidência e a prevalência dos cancros ginecológicos no país, para identificar o que pode ser ajustado e, assim, melhorar os resultados clínicos.
Este projeto é apoiado por patrocinadores, sendo todo o conteúdo criado, editado e produzido pelo Expresso (ver Código de Conduta), sem interferência externa.
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