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Vista Alegre e Netflix transformam "Bridgerton" numa coleção de porcelana

Mulher vestida vintage a servir chá numa sala luminosa com mesa posta e flores em jarro.

A Vista Alegre juntou-se à Netflix para transportar o imaginário de "Bridgerton" para uma coleção de porcelana marcada pela estética da série. A parceria reforça a projeção internacional da marca portuguesa e aposta no chamado "efeito Netflix" enquanto fenómeno cultural e de consumo.

Da fábrica de Ílhavo para a mesa de "Bridgerton"

Numa visita exclusiva à unidade industrial da Vista Alegre, em Ílhavo, o JN acompanhou de perto como nasce a nova linha de louça inspirada em "Bridgerton". O projeto cruza o design contemporâneo com o saber-fazer artesanal português, numa colaboração assinada com a Netflix.

Ao longo do percurso, foi possível observar a precisão e a componente manual presentes em cada peça - um trabalho que continua a valorizar técnicas tradicionais num setor cada vez mais automatizado. Entre diferentes etapas de fabrico, percebe-se como a coleção se constrói a partir de motivos florais ligados à linguagem visual da série.

Nesta colaboração, a Vista Alegre e a Netflix colocam o design e a tradição portuguesa sob os holofotes internacionais, procurando transformar o êxito global de "Bridgerton" numa experiência tangível para além do ecrã.

O "efeito Netflix" e o fenómeno Regencycore

Com várias temporadas entre as produções em língua inglesa mais vistas de sempre, "Bridgerton" mantém uma presença regular no top 10 em mais de 90 países. Em Portugal, ficou durante semanas entre os conteúdos mais populares, um sinal do chamado "efeito Netflix": a capacidade de converter entretenimento em tendências culturais, sociais e económicas.

Ao JN, Filippo Zuffada, diretor sénior global de Produtos de Grande Consumo da Netflix, sublinha que "os fãs de hoje não se limitam a ver uma história. Quando um universo lhes ressoa, querem vivê-lo e trazer elementos desse mundo para o seu quotidiano". No caso de "Bridgerton", acrescenta, trata-se de um universo "com uma estética distinta: romance, intriga, celebração e rituais sociais", pelo que a passagem desse imaginário para a mesa surge de forma quase inevitável.

"O chá, a conversa e os momentos sociais cuidadosamente curados são elementos centrais deste mundo", refere, defendendo que a porcelana é um meio privilegiado para recriar essa atmosfera fora do ecrã.

A iniciativa acompanha uma tendência global: transformar universos ficcionais em experiências reais. Em "Bridgerton", esse impacto já tem designação - Regencycore - e vê-se na popularidade do chá, da decoração de matriz clássica ou da moda com inspiração histórica. Para a Netflix, esta extensão é deliberada. "Os produtos de consumo são uma das formas mais poderosas de um fã continuar a viver uma história depois dos créditos", refere o diretor da plataforma de streaming.

Da ficção ao quotidiano

"Uma série às vezes parece uma coisa muito distante, mas esta ligação com o produto real é uma forma de trazer a própria série para a vida das pessoas", sublinha ainda Nuno Barra, vice-presidente da Vista Alegre, acrescentando que, "de repente, em casa, podemos replicar um momento de chá, super exclusivo."

"Foi uma conversa que surgiu"

Esta coleção assinala a primeira parceria entre a Vista Alegre e a Netflix. "Nós temos já alguns contactos com a Netflix, com alguma frequência, já há algum tempo. E surgiu em conversa. Foi uma conversa que surgiu. "Olha, e por que não? Olha, vamos tentar"", explica Nuno Barra, com um papel central na estratégia de internacionalização e no desenvolvimento da marca.

O ponto de partida foram referências visuais do próprio universo da série. "A Netflix enviou-nos algumas referências da série, ou do papel de parede, ou de algumas peças que apareciam, ou de têxtil", detalha. "Depois nós pegámos nessas referências e trabalhámo-las segundo a nossa interpretação Vista Alegre."

Filippo Zuffada reforça que o resultado depende do trabalho conjunto entre equipas criativas. "As colaborações funcionam melhor quando ambos os parceiros trazem toda a sua experiência para a mesa", afirma. "A Vista Alegre é especialista no seu ofício, enquanto nós somos especialistas no universo de Bridgerton." O foco, acrescenta, é a autenticidade. "A colaboração tem de parecer uma extensão natural do universo da série e não apenas dois logótipos colocados lado a lado."

Reforçar notoriedade global

A comercialização está prevista para vários mercados internacionais, com níveis de produção ajustados à procura. "Varia muito em função da reação do mercado", afirma o responsável da Vista Alegre. "Se o mercado reagir bem, produz-se mais. Se reagir menos, produz-se menos."

Apesar da ligação direta à série, a coleção não faz, por agora, parte do próprio universo visual da produção. "Esta produção não entra na série. Pelo menos não tem entrado até agora", admite Nuno Barra, deixando a hipótese em aberto. "Pode entrar na próxima temporada? Só depende da Netflix e do produtor."

Para a histórica empresa de Ílhavo, a sinergia funciona também como instrumento de posicionamento externo. "A Vista Alegre tem um trabalho permanente de construção de notoriedade. Precisa muito de reforçar a notoriedade internacional", diz Nuno Barra.

Associar-se a um fenómeno global é, por isso, encarado como um passo natural. "No caso de "Bridgerton", que é uma série com sucesso internacional, sucesso global, para nós é ótimo estar neste projeto."

Do lado da Netflix, Filippo Zuffada assinala ainda a capacidade desta coleção para aproximar públicos diferentes - os fãs da série e os consumidores de design e de marcas com herança - alargando o alcance da iniciativa.

O "efeito Netflix" mostra, afinal, que o público já não se limita a ver conteúdos: quer vivê-los. Da música à moda, passando pelo turismo e pelos objetos para a casa, o consumo tornou-se uma extensão emocional das histórias.

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