O surto de hantavírus que vitimou três passageiros a bordo do cruzeiro MV Hondius “é uma espécie de alerta” para a comunidade científica. A ideia é de Vaithi Arumugaswami, investigador de doenças infecciosas da Universidade da Califórnia, em declarações ao jornal The New York Times, a propósito de uma ameaça que tem ficado fora da agenda das prioridades da saúde pública global e que continua sem um tratamento dirigido e sem vacinas amplamente acessíveis.
O The New York Times sublinha que, “Apesar de existirem pesquisas promissoras para vacinas e tratamentos, os cientistas alertam que a falta de financiamento e de interesse comercial tem dificultado o avanço das intervenções médicas”. Trata-se de uma doença normalmente associada a roedores e que só em circunstâncias raras chega a afetar seres humanos.
Foi também por esse motivo que, quando os passageiros começaram a adoecer em pleno Oceano Atlântico, médicos e responsáveis de saúde pública se depararam com poucas opções terapêuticas - mesmo havendo equipas a trabalhar há décadas na procura de soluções contra o hantavírus. “Não se trata de uma ameaça viral altamente contagiosa transmitida pelo ar, por isso não tem sido uma prioridade para os grupos que tentam prevenir pandemias”, explica Jay Hooper, virologista do Instituto de Pesquisa Médica de Doenças Infecciosas do Exército dos Estados Unidos, ao The New York Times.
Ainda assim, especialistas defendem que existem vias promissoras - quer em vacinas, quer em tratamentos - que “poderiam ser acelerados” se o enfrentamento do hantavírus passasse a estar no topo das prioridades. “Acredito que há soluções prontas que poderiam ser desenvolvidas rapidamente”, afirma Ronald Nahass, presidente da Sociedade de Doenças Infecciosas da América.
Em termos gerais, há dois tipos principais de hantavírus: os do Velho Mundo, com circulação sobretudo na Ásia e na Europa, e os do Novo Mundo - onde se inclui o vírus dos Andes, endémico da América do Sul e identificado como origem do surto no MV Hondius.
O que está feito
No campo das vacinas, já existem algumas para vírus do Velho Mundo na Ásia, mas, segundo os especialistas, a sua eficácia é limitada. Para os vírus do Novo Mundo, por outro lado, não existe vacinação disponível, embora haja trabalho em curso.
Um exemplo é uma vacina de ADN desenvolvida pela equipa de Jay Hooper para o vírus Andes, que apresentou resultados promissores num pequeno ensaio clínico. Em determinadas dosagens, verificou-se que mais de 80% dos participantes produziram anticorpos capazes de neutralizar o vírus. “É realmente incrível
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