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Pentágono divulga 161 documentos secretos sobre Ovnis com relatos das missões Apollo

Astronauta em fato espacial na superfície da Lua com módulo lunar e Terra ao fundo.

“Observei o que parecia ser uma fonte de luz bastante brilhante, que atribuímos provisoriamente a um possível laser”, conta Buzz Aldrian, o segundo homem a pisar a lua, na missão Apollo 11, num dos relatos de avistamento constantes dos ficheiros secretos sobre Ovnis – Objetos Voadores Não Identificados agora tornados públicos pelo Pentágono.

Ao todo, são 161 documentos inéditos que mencionam objetos voadores, luzes e outros avistamentos reportados ao longo de décadas por astronautas que estiveram na vizinhança da lua, mas também por militares e civis em terra, segundo a BBC, a propósito dos ficheiros desclassificados na última sexta-feira por ordem do presidente norte-americano, Donald Trump, invocando o “enorme interesse demonstrado sobre o assunto”.

Os relatos podem ser consultados no site do Departamento da Defesa e, de acordo com a imprensa dos EUA, mais ficheiros em breve deverão ser disponibilizados. A nova vaga de divulgação surge num contexto de atenção crescente ao tema da alegada vida extraterrestre no país, onde o Congresso realizou, em 2022, as primeiras audiências sobre Ovnis em 50 anos, enquanto as Forças Armadas prometeram maior transparência.

De Obama a Trump

Para Pete Hegseth, secretário de Estado da defesa, estes registos, até aqui classificados, “alimentam há muito especulações justificadas. Está na hora de o povo americano ver por si próprio”.

Em fevereiro, o antigo presidente Barack Obama também abordou o assunto. Numa entrevista, afirmou que os alienígenas “são reais, mas eu não os vi”, clarificando depois as suas declarações com referências à probabilidade estatística elevada de existir vida extraterrestre, apesar de não ter observado qualquer evidência disso enquanto esteve na Casa Branca.

Há menos de um mês, Jared Isaacman, administrador da NASA, voltou a defender a transparência e sublinhou que no planeamento de missões espaciais pesava a possível existência de formas de vida extraterrestres, segundo o The Guardian. “A possibilidade de a dada altura encontrarmos alguma coisa a indicar que não estamos sozinhos é elevada”, afirmou Isaacman.

Poucas evidências

Segundo o comunicado do Pentágono, o público “pode, em última análise, formar sua própria opinião sobre as informações contidas nos arquivos”. Ainda assim, de acordo com o jornal britânico, as centenas de páginas agora divulgadas oferecem “poucas evidências novas ou conclusivas”.

O conjunto de documentos agora publicado reúne décadas de memorandos militares desclassificados, relatórios de missões Apollo à Lua e relatos de pessoas que dizem ter visto Ovnis ou objetos que suspeitam ter origem extraterrestre. Entre esses testemunhos, surgem declarações de astronautas das missões Apollo 11, Apollo 12 e Apollo 17, que aterram na Lua nas décadas de 60 e 70.

Num dos relatos, Aldrin descreve a observação de um objeto “de dimensões consideráveis” nas proximidades da superfície lunar. Noutro, Alan Bean, que caminhou na Lua em 1969 na missão Apollo 12, refere partículas e flashes de luz que “pareciam estar a escapar da lua”.

Dois astronautas a bordo da missão Apollo 17, em 1972, mencionam os mesmos flashes. “É como o 4 de julho”, comentou Jack Schmitt, num registo em que admite que a luminosidade poderá ter sido o reflexo de fragmentos de gelo.

Numa gravação áudio do voo Gemini 7, de 1965, o astronauta Frank Boman comunicou ao controlo da missão da NASA ter avistado um objeto não identificado, descrevendo um “objeto não identificado” e “triliões de pequenas partículas”.

Um veículo a emergir?

Entre os relatos individuais de avistamentos de fenómenos anómalos não identificados, um dos ficheiros dá conta de que, em 1957, um homem declarou ao FBI ter visto um grande veículo circular a emergir do solo. Já entre setembro e outubro de 2023, surgem relatos de cidadãos norte-americanos sobre objetos metálicos flutuantes que se materializam no meio de uma luz intensa.

Os arquivos incluem igualmente videoclipes gravados pelos militares norte-americanos no Médio Oriente em 2022, com imagens do Iraque, da Síria e dos Emirados Árabes Unidos que o Pentágono classifica como “fenómeno anómalo não identificado não resolvido”.

Como sintetiza o The New York Times, drones governamentais, balões meteorológicos fora de controlo, aviões espiões ou foguetes estão entre os fenómenos aéreos que têm originado relatos de avistamentos de Ovnis, lembrando que “seja qual for a origem, o fascínio do público por objetos misteriosos que cruzam o céu é infinito”.

“Divirtam-se e aproveitem”

Nas primeiras reações à divulgação dos ficheiros, o congressista republicano Tim Burchett, do Tennessee, citado pela BBC, considerou a decisão do Pentágono de desclassificar os documentos “um excelente começo”.

Anna Paulina Luna, congressista republicana da Florida e defensora de transparência nesta matéria, também elogiou o que descreve como “um primeiro passo gigantesco na direção certa”. Já a ex-congressista Marjorie Taylor Greene, antiga aliada de Trump, encara a divulgação como uma distração de questões mais urgentes para os norte-americanos, nomeadamente a guerra no Irão.

Quanto a Donald Trump, disse ter sido uma “honra” autorizar a divulgação e quis demarcar-se de administrações anteriores, que “falharam” no capítulo da transparência. “Com estes novos documentos e vídeos, as pessoas podem decidir por si próprias. ‘O que raio está a acontecer?’ Divirtam-se e aproveitem!”, escreveu na Truth Social.

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