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Marcha em Santiago do Chile contra políticas de José Antonio Kast

Manifestantes em protesto urbano com bandeira do Chile e cartazes vazios ao pôr do sol.

Protesto no centro de Santiago do Chile

Milhares de pessoas concentraram-se no centro da capital do Chile e saíram à rua para contestar as políticas do Presidente José Antonio Kast, apontando tanto o forte aperto orçamental como a eventual abertura a perdões para responsáveis por crimes contra a humanidade.

A manifestação, realizada no sábado em Santiago do Chile, foi promovida pela Coordenação Nacional de Organizações de Direitos Humanos e Sociais. O protesto decorreu de forma pacífica e terminou sem registo de incidentes.

A marcha avançou desde a emblemática Plaza Baquedano até ao Palácio Presidencial de La Moneda, acompanhando a principal avenida da cidade. A convocatória foi apresentada como um protesto "Contra a Impunidade".

Indultos e crimes contra a humanidade

A mobilização surgiu depois de Kast não ter afastado a hipótese de conceder indultos presidenciais a autores de crimes contra a humanidade.

"Esperamos que o presidente ouça [os manifestantes], mas que também ouça as vítimas de todos estes assassinos que agora querem ser libertados", afirmou a senadora Fabiola Campillai, que foi vítima da repressão policial no Chile durante os protestos de 2019 e perdeu a visão e o olfato após ter sido baleada pela polícia.

"A paz social não se conquista concedendo indulto àqueles que, no tempo, assassinaram, torturaram e fizeram desaparecer o nosso povo, os nossos homens e mulheres chilenos", sublinhou Campillai.

Numa entrevista transmitida na sexta-feira, o ministro da Justiça e dos Direitos Humanos do Chile, Fernando Rabat, também não excluiu a possibilidade de indultos para condenados por crimes contra a humanidade, relativos a delitos praticados durante a ditadura civil-militar (1973-1990). Segundo o ministro, "as circunstâncias de cada caso determinarão a resposta".

Política de austeridade e cortes orçamentais do Governo de José Antonio Kast

A 1 de junho, no parlamento, o Presidente chileno José Antonio Kast reconheceu que a estratégia de austeridade - destinada a organizar as finanças públicas e a estimular o crescimento económico - implicará sacrifícios, embora tenha assegurado que não haverá cortes nos programas sociais.

Kast voltou a defender que o quadro económico e fiscal do país "é ainda mais complexa" do que estimava antes de tomar posse, a 11 de março, e enquadrou nesse diagnóstico o seu plano de austeridade, que pretende reduzir a despesa em seis mil milhões de dólares num prazo de 18 meses.

Poucos dias após assumir funções, o Presidente determinou um corte médio de 3% em todos os ministérios, medida que, segundo dados oficiais, já representa um total de dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros, à taxa de câmbio atual).

De acordo com a mesma informação, o Ministério da Saúde é o mais penalizado em valores absolutos, com uma diminuição de 462 milhões de dólares (400 milhões de euros), equivalente a 2,5% do respetivo orçamento. Já o Ministério da Cultura regista a maior redução em termos percentuais, próxima de 10%.

Desde a tomada de posse de Kast, a 11 de março, a Unidade de Programas de Direitos Humanos do Ministério da Justiça - considerada o organismo mais relevante na persecução de crimes contra a humanidade e responsável pela busca de desaparecidos - foi alvo de um corte orçamental de quase um milhão de dólares.

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