Pashinian rejeita hipótese de expulsão da UEE
O primeiro-ministro da Arménia, Nikol Pashinian, descartou este domingo a possibilidade de o país ser afastado da União Económica Eurasiática (UEE), liderada pela Rússia, depois de ter votado nas eleições legislativas.
À saída de uma assembleia de voto em Erevan, o chefe do Governo declarou aos jornalistas: "A Arménia não pode ser privada do estatuto de membro da UEE".
A Arménia faz parte da UEE ao lado da Rússia, Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão, países que têm contestado a aproximação entre Erevan e Bruxelas, numa altura em que a Arménia procura aderir à União Europeia (UE).
Pashinian sublinhou ainda que, no quadro do bloco eurasiático, as decisões "são tomadas por consenso".
Insistiu também que "A Arménia tem direito de veto, tal como os outros países", afirmou o primeiro-ministro arménio, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
Referendo sobre UEE e caminho para a UE
O primeiro-ministro considerou um "erro tático" a posição dos quatro parceiros eurasiáticos, que exigem que a Arménia avance rapidamente para um referendo destinado a escolher entre permanecer na UEE ou continuar a caminhada rumo à adesão à UE.
"Em vez de contribuírem para a atratividade da UEE no nosso país, fazem o oposto. E, mais tarde, será o povo a decidir, não eu", afirmou.
Segundo Pashinian, para que um referendo possa ser convocado, "a Arménia deve solicitar a adesão à UE ou deve ter o estatuto de país candidato".
"Ao dia de hoje, não temos nem uma coisa nem outra. Objetivamente, sabemos que não estamos preparados para esse estatuto. Devemos realizar reformas e seguiremos calmamente esse caminho", disse.
Relação com Moscovo, eleições e aproximação ao Ocidente
Pashinian classificou como artificial o atual clima de tensão com a Rússia e garantiu que os laços com Moscovo têm "caráter institucional e estão baseadas no respeito mútuo".
Adiantou que, depois das eleições de hoje - nas quais o seu partido, Contrato Cívico, surge à frente nas sondagens - pretende deslocar-se a Moscovo, Washington, Bruxelas e Paris.
O primeiro-ministro procura alcançar uma maioria parlamentar que lhe permita rever a Constituição e concluir um acordo de paz com o Azerbaijão, abrindo espaço para concretizar projectos conjuntos de transportes no sul do Cáucaso, com apoio da UE e dos Estados Unidos.
Pashinian, que ascendeu ao poder com a Revolução de Veludo de 2018, tem defendido a transformação da Arménia num centro de ligações de transporte entre a Europa e a Ásia.
Para a reeleição, conta com o apoio dos Estados Unidos e da União Europeia.
Arménia e Rússia mantêm uma história comum com séculos e são aliadas em termos formais.
Ainda assim, desde a perda do enclave de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão, em 2023 - apesar da presença de uma força russa de interposição -, Erevan tem vindo a intensificar as críticas dirigidas a Moscovo.
A Arménia chegou mesmo a suspender a sua participação num pacto de segurança regional sob liderança russa.
A partir daí, a política externa arménia acelerou a aproximação à UE e aos Estados Unidos.
Em 2025, a Arménia aprovou uma lei que assume oficialmente a intenção de se candidatar à UE.
Em maio, o país recebeu uma cimeira europeia, ocasião em que a UE assinalou um "salto em frente" nas relações bilaterais.
Nas últimas duas semanas, numa tentativa de travar o movimento de Erevan em direção ao Ocidente, a Rússia impôs várias sanções às importações agrícolas arménias e ameaçou suspender o abastecimento de petróleo e gás.
Responsáveis do Governo russo reconheceram que tencionam analisar, do ponto de vista jurídico, a hipótese de congelar a participação arménia na UEE - tema que deverá ser levado à próxima reunião do bloco, em dezembro.
Também o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo acusou o executivo de Pashinian de perseguir a oposição política, defendendo que tal colocava em causa a legitimidade da votação de hoje.
A acusação surgiu depois de Pashinian ter ordenado, na sexta-feira, a detenção de políticos, sob a alegação de que tinham tentado comprar votos e manipular as eleições.
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