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Um ano após a Operação Sindoor: aquisições e modernizações do Paquistão com apoio da China

Dois militares discutem estratégias junto a um mapa digital táctico numa sala de comando moderna.

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Tal como fizemos ontem com a Índia, desta vez - um ano após a Operação Sindoor - passamos em revista as aquisições e as modernizações levadas a cabo pelo Paquistão, bem como a forma como o país tem vindo a aprofundar a cooperação com a China na área da defesa e da modernização militar. A entrada de novos submarinos, sistemas de defesa aérea, helicópteros de ataque e capacidades de guerra electrónica evidencia o avanço de Islamabad em vários domínios estratégicos, sustentado pelo apoio tecnológico e material de Pequim.

Sobre o Conflito de 2025

O confronto entre a Índia e o Paquistão, decorrido entre 7 e 10 de maio de 2025, constituiu o mais relevante embate aéreo entre as duas potências nucleares em décadas. A escalada começou depois de a Índia ter efectuado ataques contra alegados campos terroristas em território paquistanês, como resposta ao ataque de 22 de abril na região da Caxemira sob administração indiana, onde morreram pelo menos 26 turistas.

Os acontecimentos de 2025 tiveram precedentes directos na crise de 2019, quando um atentado terrorista na Caxemira provocou a morte de mais de 40 polícias indianos. Nessa altura, a Força Aérea Indiana (IAF) recorreu a caças Mirage 2000 armados com bombas guiadas Spice 2000 para executar ataques de retaliação, ao passo que o Paquistão respondeu com a Operação Resposta Rápida, empregando aeronaves Mirage-VPA, JF-17 e F-16 equipadas com munições guiadas de precisão e mísseis ar-ar AIM-120C.

Durante essa operação, o Paquistão procurou igualmente evidenciar capacidade de ataque coordenado através do uso de bombas planadoras H-4 Stand-Off Weapon (H-4 SOW), kits de extensão de alcance (REK) e vários sistemas de orientação avançados. Seguiu-se uma batalha aérea na qual um MiG-21 da Força Aérea Indiana foi abatido e um helicóptero Mi-17 indiano foi derrubado acidentalmente por fogo amigo.

As lições retiradas destes confrontos aceleraram programas de modernização militar em ambos os países, embora com abordagens e fornecedores distintos. Enquanto a Índia avançou com a aquisição de caças Dassault Rafale, mísseis Meteor e SCALP, assim como sistemas de defesa aérea S-400 Triumf, Spyder e Akash, o Paquistão aprofundou a parceria com a China através da compra de caças J-10C, novas variantes do JF-17 e sistemas de defesa aérea e de guerra electrónica.

Aquisições e Modernizações de Sistemas Militares do Paquistão

Exército

Entre as aquisições mais recentes, a compra de helicópteros de ataque Z-10ME pelo Exército do Paquistão veio sublinhar ainda mais a crescente integração militar sino-paquistanesa. A chegada destas aeronaves coincidiu com a aquisição, por parte da Índia, de novos helicópteros AH-64E Apache de fabrico norte-americano, ilustrando a continuidade da competição militar entre os dois países após a Operação Sindoor.

Fontes chinesas apresentam o Z-10ME como a versão mais evoluída da plataforma, integrando melhorias em sensores, miras montadas no capacete, telémetros laser e sistemas de imagem térmica para operações nocturnas. Além disso, o aparelho utiliza motores turboeixo WZ-9G, com cerca de 1.600 cavalos de potência, e pode transportar até 16 mísseis anticarro, mísseis ar-ar ou foguetes de 70 mm, reforçando o seu papel como mais um elemento no processo de modernização militar do Paquistão, impulsionado pela cooperação estratégica com a China.

Força Aérea

Um dos pontos mais relevantes desta modernização paquistanesa tornou-se visível durante a Operação Sindoor, quando responsáveis de ambos os países confirmaram que os mísseis PL-15E fornecidos pela China foram determinantes para o desempenho dos caças J-10C da Força Aérea do Paquistão. Segundo depoimentos posteriores, estes sistemas permitiram o abate de aeronaves Rafale indianas devido a um alcance superior ao que se estimava anteriormente.

De acordo com uma reportagem da Reuters na altura, responsáveis indianos ouvidos acreditavam que os seus Rafales se encontravam fora do alcance efectivo dos mísseis PL-15E, operando a distâncias superiores a 150 quilómetros. Ainda assim, fontes paquistanesas indicaram que os mísseis chineses conseguiriam atingir alvos até 200 quilómetros, viabilizando aquilo que descreveram como uma “emboscada”, reforçada adicionalmente por sistemas de guerra electrónica concebidos para perturbar os sensores e equipamentos da Força Aérea Indiana.

Outro desenvolvimento que se tornou claro após o conflito do ano passado é que a Força Aérea do Paquistão deverá incorporar em breve uma nova classe de tecnologia para fortalecer o seu poder aéreo. O reforço passará pela aquisição do novo caça furtivo Shenyang J-35A, de origem chinesa, representando um salto relevante de capacidade face aos actuais JF-17 Thunder Block III e J-10CE.

Em paralelo com a cooperação com a China, importa notar que o Governo dos Estados Unidos também está a avançar com a autorização de um pacote de modernização para os caças F-16 Block 52 da Força Aérea do Paquistão. Deste modo, o país está a alocar recursos substanciais para assegurar a superioridade aérea no cenário de um eventual novo conflito com a Índia.

Marinha

A par dos progressos no domínio aéreo, o Paquistão acelerou igualmente a modernização do seu componente naval através da entrada de novas plataformas de origem chinesa. A Marinha do Paquistão confirmou recentemente a incorporação do submarino PNS/M Hangor, o primeiro de uma nova classe baseada no projecto chinês Tipo 039B e destinada a substituir gradualmente os submarinos da classe Agosta, já desactualizados. Importa ainda referir que o quarto submarino desta classe, actualmente em construção para a Marinha do Paquistão, foi lançado ao mar em dezembro do ano passado.

A cerimónia de entrada ao serviço do novo submarino realizou-se em Sanya, na província chinesa de Hainan, com a presença do Presidente paquistanês, Asif Ali Zardari, e do Chefe do Estado-Maior da Marinha, Almirante Naveed Ashraf. Durante o acto, Zardari afirmou que a classe Hangor constitui um pilar central da modernização naval do Paquistão e da garantia de protecção das principais rotas marítimas do país.

Por sua vez, o Almirante Ashraf referiu que um potencial bloqueio de pontos estratégicos associados ao comércio marítimo representa uma ameaça crescente para o Paquistão, e que a integração deste tipo de plataformas é essencial para o planeamento futuro. As novas unidades serão parcialmente construídas na China pela Wuchang Shipbuilding Industry Group Company Ltd., enquanto outras serão produzidas localmente no Karachi Shipyard & Engineering Works Ltd., ao abrigo de acordos de transferência de tecnologia.

A cooperação naval entre Pequim e Islamabad estendeu-se também ao reforço das capacidades antiaéreas da frota paquistanesa. Em 10 de janeiro de 2026, a Marinha do Paquistão efectuou com sucesso o lançamento de um míssil terra-ar LY-80(N) a partir de uma fragata Tipo 054A/P, durante exercícios no norte do Mar Arábico.

Segundo a informação divulgada pela instituição, o míssil atingiu e neutralizou com êxito um alvo aéreo, validando as capacidades de defesa aérea de médio alcance das fragatas da classe Tughril. O disparo foi realizado a partir da fragata PNS Taimur (F262), uma das unidades recentemente integradas e derivadas do desenho chinês Tipo 054A/P.

Os exercícios incluíram igualmente a utilização de munições de longo alcance Mudmair, desenvolvidas pela empresa paquistanesa Sysverve Aerospace. De acordo com relatos, estes sistemas foram empregues contra alvos de superfície e destruíram com sucesso os objectivos designados, enquanto os drones usados como alvos aéreos nos ensaios do LY-80(N) também foram desenvolvidos pela mesma empresa.

Além disso, foram conduzidos testes com uma embarcação de superfície não tripulada desenvolvida pelo Instituto de Investigação e Desenvolvimento Naval (NRDI), destinada a missões de informações, vigilância e reconhecimento. O sistema, com comprimento entre 8 e 10 metros e equipado com sensores electro-ópticos, integra um esforço mais amplo para incorporar capacidades não tripuladas nas operações navais paquistanesas.

Fornecedor Internacional

Para além da cooperação com a China na aquisição e modernização das suas Forças Armadas, o Paquistão - em conjunto com Pequim - é coprodutor do caça JF-17 Thunder e tem tirado partido dessa condição para reforçar a sua posição internacional como fornecedor credível desta plataforma. O primeiro caso a destacar é o do Azerbaijão. Em novembro de 2025, o Governo do Azerbaijão recebeu os primeiros cinco caças de uma encomenda de 40 unidades, avaliada em US$ 4,6 mil milhões. O objectivo destes aviões é substituir os MiG-29 da era soviética, o que significa que a Rússia perdeu alguma vantagem neste processo, uma vez que, para um país que opera sistemas russos, seria mais conveniente evoluir para outras soluções do mesmo fornecedor.

Mais dois exemplos surgem no continente africano. Em dezembro, noticiámos que a Líbia teria adquirido caças JF-17 ao Paquistão por US$ 4 mil milhões, embora o número de unidades não tenha sido especificado. Em paralelo, o Sudão confirmou a compra de vários sistemas - incluindo drones e mísseis - por US$ 1,5 mil milhões. Este pacote incluiria também aeronaves de treino MFI-395 Super Mushshak PAC e poderia, potencialmente, integrar caças JF-17 Thunder.

O caso mais recente ocorreu em janeiro deste ano, quando o Paquistão terá proposto a venda de caças JF-17 Thunder à Força Aérea Saudita por milhares de milhões de dólares, como forma de compensar diversos investimentos de Riade no país. As relações entre Islamabad e Riade reforçaram-se de forma considerável nos últimos tempos, com o Paquistão a ganhar um parceiro comercial para investimentos em infra-estruturas e a Arábia Saudita a obter um aliado dotado de armas nucleares.

Imagens meramente ilustrativas.

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