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Hyundai i10 N Line: citadino desportivo que também sabe fazer estrada

Carro Hyundai i10 N Line vermelho exposto num salão moderno com vidros e outros carros ao fundo.
O Hyundai i10 N Line nasceu a pensar na cidade, mas está longe de se limitar ao meio urbano.

Assumindo o lugar de versão mais desportiva do i10, o Hyundai i10 N Line acaba por ser uma espécie de Fiat Cinquecento Sport reinterpretado para os dias de hoje.

A fórmula seguida pela Hyundai não é nova: partiu de um citadino competente, reforçou-lhe a atitude com um desenho mais agressivo e, ao contrário do que a Fiat fez na altura, ainda lhe acrescentou potência.

A diferença verdadeiramente relevante é o tempo que os separa. Em quase 30 anos, os citadinos mudaram muito: deixaram de ser carros pensados apenas para a urbe e, nos dias em que vivi com o i10 N Line, foi fácil perceber que ele também consegue cumprir fora dela.

Pequeno mas espaçoso

Na terceira geração, o Hyundai i10 abandonou o visual MPV que marcou os citadinos da marca no passado, mas não deixou para trás a “escola” de aproveitar bem cada centímetro disponível.

Durante o período em que conduzi o i10 N Line, usei-o como verdadeiro “carro de família” e tenho de reconhecer que o pequeno sul-coreano me surpreendeu de forma positiva.

Atrás, há espaço suficiente para montar uma cadeira de criança ou para levar dois adultos sem dificuldades, quer em espaço para as pernas, quer em altura para a cabeça.

As portas, por terem dimensões aceitáveis, facilitam bastante a tarefa de prender os mais novos na cadeira. E mesmo a bagageira, com 252 l de capacidade (um valor referencial no segmento), permite fazer alguns passeios em família sem a clássica escolha difícil entre levar o carrinho de bebé ou as malas.

Citadino com «tiques» de utilitário

Desde a primeira vez que conduzi um Hyundai i10, fiquei com uma ideia que se mantém: este citadino parece quase um utilitário encolhido - e isso nota-se claramente no interior.

Ao contrário do que acontece em vários rivais, aqui não há metal exposto. O ambiente troca algum lado juvenil por uma apresentação mais sóbria (mesmo nesta versão com apontamentos mais desportivos) e a ergonomia está bem conseguida.

Como é normal num carro deste segmento, os plásticos são rijos, mas passam uma boa sensação de qualidade. Também a percepção de robustez está num nível interessante, algo que se confirma pela quase ausência de ruídos parasitas, mesmo quando o piso está (muito) degradado.

Despachado mas frugal

Assim que me instalei ao volante do i10, voltou a mesma sensação de “mini utilitário”: a posição de condução é de “carro adulto”, ou seja, não vamos demasiado elevados nem com aquela postura muito encostada à porta que alguns citadinos impõem.

Já a rolar, o 1.0 l turbo de três cilindros não deixa “créditos por mãos alheias”, mostrando uma disponibilidade agradável e deixando claro que tem apetência para estrada.

As ultrapassagens fazem-se sem grande esforço e a faixa da esquerda na autoestrada não é um “território proibido”. Em cidade, a resposta do tricilíndrico e a agilidade do i10 são o par perfeito para “serpentear” no meio do trânsito.

O mais interessante é que, apesar de permitir ritmos bem vivos, o 1.0 T-GDi não se mostrou guloso. Em meio urbano, a média ficou entre os 6,5 a 7 l/100 km, mas foi fora da cidade que surpreendeu mais.

Depois de muitos quilómetros longe do seu “habitat natural”, a média estabilizou nos 5,3 l/100 km.

Bem comportado

Quando o Hyundai i10 N Line é colocado num traçado mais sinuoso, não compromete e revela-se uma proposta equilibrada, feita de compromissos.

Os travões transmitem confiança e o eixo dianteiro reage de imediato às mudanças de direcção. A direcção podia ser um pouco mais pesada e oferecer mais tacto, mas, se o fosse, as manobras perderiam parte do conforto que hoje têm.

Mesmo com um amortecimento mais firme, o adornar da carroçaria também podia estar mais controlado. Ainda assim, isso iria pôr em causa a boa relação entre conforto e estabilidade que o i10 N Line consegue apresentar.

No fim, o Hyundai i10 N Line abre mão de alguma interactividade e do divertimento típico dos foguetões de bolso mais puros para se assumir como um carro fácil de conduzir - em cidade, em estrada e até quando se roda a ritmos mais elevados.

O preço da exclusividade

Com um preço a partir de 18 140 euros, o Hyundai i10 N Line lembra-nos que os carros verdadeiramente acessíveis estão cada vez mais raros.

É verdade que o i10 N Line vem bem equipado, é uma proposta muito equilibrada e representa uma “espécie em vias de extinção”: os citadinos com um tempero mais desportivo.

Ainda assim, modelos do segmento acima - como o Dacia Sandero, o Kia Rio ou até o Hyundai i20 - apresentam versões mais em conta e, aquilo que “perdem” em potência, equipamento ou até diversão, acabam por “ganhar” em argumentos racionais, como a habitabilidade.

Aliás, quando se olha para esta realidade, torna-se mais simples perceber porque é que muitos construtores estão a desistir deste segmento.

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