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Volvo EX60: SUV elétrico com plataforma SPA3, 800 V e até 810 km

Carro Volvo EX40 P10 branco estacionado num showroom moderno, com iluminação natural e interior minimalista.

O novo Volvo EX60 assinala um momento particularmente relevante nos quase 100 anos de percurso da marca, provando que a aposta em capacidades internas continua bem viva, mesmo depois de ter passado para o controlo do grupo chinês Geely há quase década e meia.

Este SUV elétrico inaugura a arquitetura SPA3 e, ao contrário do que muitos poderiam antecipar, a primeira plataforma concebida de raiz para elétricos da Volvo não foi “trazida” da China: foi desenvolvida pela própria equipa da marca. Ainda que a indústria chinesa esteja na linha da frente da eletrificação a nível mundial, é naturalmente motivo de orgulho para a Volvo ter recebido luz verde para liderar este trabalho.

Desta vez, será esta base de origem sueca a vir a servir, mais tarde, outros modelos do universo Geely, além de sustentar futuros Volvo, pelo menos ao longo da próxima década.

Ainda assim, como sublinha Anders Bell, diretor técnico (CTO), não é propriamente uma questão de “plataforma” no sentido tradicional:

“(…) não lhe posso dizer que será a plataforma de todos os novos automóveis, mas lança os mesmos princípios que esses modelos vão usar, em termos de software, de tensão elétrica, de montagem de baterias diretamente na carroçaria (cell-to-body) e sem módulos, de construção mega casting, etc”.

Anders Bell, o diretor técnico (CTO) da Volvo

Volvo EX60 recordista de autonomia

O Volvo EX60 passa a ser o oitavo elétrico da Volvo (e o quinto SUV) e foi pensado desde o início para ser 100% elétrico. Isso ajuda-o a posicionar-se com argumentos fortes no segmento premium, onde terá pela frente os próximos BMW iX3 e Mercedes-Benz GLC EQ, além do Audi Q6 e-tron que já está no mercado.

Daí que seja expectável encontrar uma arquitetura elétrica de 800 V, essencial tanto para elevar a eficiência energética como para viabilizar carregamentos em corrente contínua (DC) com potências muito altas - e, por consequência, mais rápidos.

Estão previstas três opções de motorização:

  • P6 RWD - bateria de 80 kWh, autonomia de 620 km, um motor traseiro (tração traseira), potência de 275 kW (374 cv);
  • P10 AWD - bateria de 91 kWh, autonomia de 660 km, dois motores (um por eixo e tração integral), potência de 375 kW (510 cv);
  • P12 AWD - bateria de 112 kWh, autonomia de 810 km, dois motores (tração integral), potência de 500 kW (680 cv).

No EX60 P12, os motores traseiros são PSM (síncrono de íman permanente), de maior rendimento) e os dianteiros ASM (assíncrono, por indução), mais eficientes. Se a homologação final confirmar os 810 km, passará a ser o SUV elétrico com maior autonomia do mundo, ainda que por uma margem mínima de 5 km face ao BMW iX3 50 xDrive, que também já testámos. Tudo isto assenta em consumos que os engenheiros suecos apontam para a faixa de 14,7-16,0 kWh/100 km.

Também nos carregamentos o EX60 promete atrair muitos interessados: em corrente alternada (AC), todas as versões suportam 22 kW e, em corrente contínua (DC), o topo P12 chega aos 370 kW - o que significa 20 minutos para passar de 10% a 80% e, sobretudo, mais 340 km de autonomia em apenas 10 minutos.

São valores muito competitivos, ao nível dos elétricos mais recentes e mais avançados do mundo. Para comparação, nesses mesmos 10 minutos, o Mercedes-Benz GLC EQ anuncia 303 km adicionais de autonomia e o BMW iX3 anuncia 372 km.

Importante evolução no interior

No exterior, mantêm-se traços familiares dos SUV da Volvo, como os faróis com a assinatura Thor. A diferença é que agora a frente surge sem grelha e as óticas traseiras verticais aparecem “desencontradas” entre a secção superior e a inferior.

Já por dentro, a marca continua a explorar a combinação entre herança e modernidade. O habitáculo do Volvo EX60 mistura têxteis, áreas em pele sintética ou natural e madeira, dentro de uma linguagem escandinava que é, ao mesmo tempo, muito Volvo.

A robustez de construção e os materiais macios ao toque não surpreendem, mas há mudanças com peso: desde logo, a instrumentação surge mais recuada (a fazer lembrar monovolumes), levando o condutor a ler a informação por cima - e não através - do volante.

Ecrã do Volvo EX60 passa a horizontal

Outra novidade está no ecrã central de infoentretenimento, com 15,4”, agora montado na horizontal, quando o habitual na Volvo tem sido a orientação vertical. Há também um novo software, com grafismo e organização diferentes, sempre integrado no ecossistema Google - que a Volvo foi das primeiras marcas a adotar globalmente.

O EX60 estreia ainda um cinto de segurança que ajusta o seu funcionamento à compleição física do utilizador e ao tipo de impacto, de forma a adaptar-se do modo mais apropriado.

Também se destaca o amplo espaço entre os bancos dianteiros. Aí existe uma zona onde pode ser colocada uma mala e um módulo central de arrumação com vários compartimentos e elevada versatilidade, que integra igualmente duas bandejas para carregamento sem fios de telemóveis.

Neste interior de cinco lugares, merece nota o espaço generoso para os passageiros da segunda fila, sobretudo em comprimento e altura - alguém com 1,9 m viaja sem tocar no teto com o cabelo. Um efeito que também resulta do aumento de 10,5 cm na distância entre eixos face ao XC60.

De co-piloto em Hällered

No centro de testes da Volvo em Hällered, a cerca de 60 km de Gotemburgo, na Suécia, foi possível rodar a bordo do EX60 P10, a variante intermédia com expressivos 375 kW (510 cv) e 710 Nm. Tratava-se do EX60 “normal” e não do Cross Country (mais orientado para fora de estrada), que só deverá chegar no final do ano.

A resposta em aceleração é imediata, como se espera com 710 Nm disponíveis nos dois eixos, e o 0 a 100 km/h em 4,6s parece totalmente credível, apesar de a velocidade máxima estar limitada a 180 km/h.

À frente, a suspensão recorre a duplos triângulos sobrepostos; atrás, é igualmente independente, mas multibraços (cinco). A versão de entrada (P6) utiliza suspensão metálica, ao passo que o P10 pode receber molas pneumáticas em opção e já inclui amortecedores eletrónicos variáveis. No P12, os amortecedores variáveis e a suspensão pneumática são equipamento de série.

No caso da suspensão metálica, são utilizados amortecedores de frequência seletiva (FSD), que ajustam automaticamente a força de amortecimento conforme a frequência das vibrações, procurando equilibrar conforto e estabilidade, mas sem apoio eletrónico.

Dinâmica deixa ótimas indicações

A Volvo ainda não nos permitiu conduzir o novo EX60, mas, como co-piloto, foi possível recolher impressões interessantes nas pistas da marca sueca - uma mais sinuosa e outra com piso mais degradado.

Na zona de curvas, confirmou-se um equilíbrio bem conseguido entre conforto e controlo de carroçaria, com o EX60 a dar a sensação de se comportar como um automóvel bastante mais baixo do que os 1,64 m de altura indicados na ficha técnica.

As 2,3 toneladas também ficam bem camufladas pela repartição de massas muito equilibrada entre a frente e a traseira (quase equitativa) e pela eficácia do comportamento. Mesmo quando o piloto de testes exagerava um pouco na velocidade de entrada em curva, a tendência para perdas de motricidade era reduzida.

No troço mais irregular, a capacidade dos amortecedores variáveis convenceu tanto a filtrar pequenas imperfeições como a controlar elevações maiores. Além disso, não se ouviram ruídos estruturais nas transferências de massa mais fortes nem em acelerações feitas em apoio acentuado.

Quanto à direção e à resposta da travagem, ainda não é possível tirar conclusões, tal como sobre o funcionamento dos quatro níveis de desaceleração regenerativa (de zero a One pedal). Para os escolher, será necessário fazê-lo através do ecrã central, já que não existem patilhas no volante para essa gestão.

Quanto vai custar?

Em Portugal, o novo Volvo EX60 chega a partir do final do verão, com um preço de entrada de 67 906 euros para o P6. É um valor a considerar: esta variante posiciona-se entre 7000 euros e 10 000 euros abaixo da concorrência direta alemã. Trata-se de uma opção estratégica evidente para um modelo chamado a ter um papel central na gama da marca sueca, tal como o XC60 a combustão e híbrido já desempenha:

As encomendas já arrancaram e estão a ultrapassar as previsões. Pela primeira vez em 99 anos, a Volvo admite cancelar uma das semanas de paragem de verão na produção na fábrica de Torslanda (perto de Gotemburgo), uma vez que a lista de espera para entrega do modelo já supera os oito meses. Em algumas versões, chega aos 17 meses.

Especificações técnicas Volvo EX60 P10


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