Os primeiros passos da Tesla como serviço de táxis autónomos estão longe de ser tranquilos. Em apenas um mês, os seus veículos estiveram envolvidos em quatro acidentes. Terá Elon Musk sido demasiado optimista nas promessas?
Há anos que Elon Musk anuncia uma viragem histórica na condução autónoma. Ainda em abril, garantia que “já no próximo ano” milhões de Teslas autónomos estariam a circular nas estradas. No entanto, quando se olha para o que está efectivamente a acontecer, o cenário é bem menos impressionante.
Tesla e os robotaxis sob escrutínio da NHTSA em Austin
Em Austin, no Texas, onde a Tesla está a testar o seu serviço de robotaxis, o regulador federal norte‑americano da segurança rodoviária, a NHTSA, divulgou um novo relatório com os incidentes associados ao construtor. Os números não favorecem a marca: quatro acidentes só na primeira semana de setembro, numa frota de apenas 30 a 40 veículos, limitada a uma área restrita.
E estes dados podem nem contar a história toda. A Tesla tem sido criticada por adiar a comunicação de acidentes, um comportamento suficientemente preocupante para levar a NHTSA a abrir uma investigação em agosto. Desde o arranque do serviço no final de junho, foram registados sete acidentes no total.
Entre os episódios mais recentes, consta um caso de colisão com um animal em plena via. Outras duas ocorrências registadas em setembro envolvem um ciclista e um automóvel em manobra. Não houve feridos, mas os danos materiais são relevantes e têm alimentado a atenção mediática.
A questão da transparência pesa especialmente neste tipo de tecnologia: para ganhar confiança pública, não basta reduzir o número de incidentes - é também crucial que existam relatórios consistentes, atempados e verificáveis, tanto para reguladores como para seguradoras e utilizadores.
A comparação com a Waymo é difícil de ignorar
Nem todos os acidentes podem ser atribuídos directamente ao sistema autónomo - há factores externos e erros de terceiros. Ainda assim, os números levantam dúvidas quando se observa que a Tesla regista cerca de um acidente a cada 100 000 km, aproximadamente o dobro da Waymo. E esta comparação torna-se ainda mais marcante quando se considera a escala e maturidade do concorrente.
A Waymo, empresa do grupo Alphabet, deu recentemente mais um passo ao passar a operar também em vias rápidas. Mantém cerca de 2 500 robotaxis em circulação em grandes áreas urbanas dos EUA, incluindo Los Angeles, San Francisco, Phoenix e Austin. Além disso, a empresa afirma ter ultrapassado 160 milhões de quilómetros percorridos em condução totalmente autónoma. Já no caso da Tesla, os veículos continuam a operar com supervisão de um condutor humano.
Este contraste ilustra um desafio central: expandir um serviço de táxis autónomos exige lidar com “casos limite” (comportamentos imprevisíveis de peões, ciclistas, obras, veículos em manobra) e garantir respostas seguras em contextos muito variados - algo que nem sempre se resolve apenas com mais quilómetros de testes.
Expansão apesar de um arranque irregular
Mesmo com um início pouco convincente, a empresa de Elon Musk acabou de obter autorização para lançar o seu serviço de táxis autónomos no Estado do Arizona, sinal de que a expansão continua a ser uma prioridade - ainda que sob crescente pressão regulatória e com a comparação directa à Waymo a tornar-se cada vez mais inevitável.
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